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Homens sem vergonha

Publicada a: 03/07/2009
Fonte: Portugal Têxtil
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Os criadores que desfilaram na Semana de Moda Masculina de Milão parecem ter decidido investir em visuais inovadores e mais exóticos nas colecções apresentadas para a próxima estação quente, em que a peça-chave é claramente os calções curtos.

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Homens sem vergonha

«Uma moda imaginativa e exótica para o segmento masculino». Esta é a opinião de grande parte dos críticos de moda que assistiu às apresentações das colecções de 39 marcas na Semana de Moda Masculina de Milão. Um evento que decorreu num momento em que o sector têxtil italiano luta contra uma crise económica que tem tido efeitos devastadores. «Após um início de ano mediano, tivemos nesta edição a presença de mais 12 colecções, relativamente ao que aconteceu em Janeiro», revelou Mario Boselli, o presidente da Câmara de Moda Italiana.

De Gucci à Prada, passando por Giorgio Armani, os maiores nomes da moda italiana apresentaram as suas propostas em Milão, entre os passados dias 20 a 23 de Junho, na companhia de marcas estrangeiras, também estas de renome, como Burberry Prorsum, Vivienne Westwood, John Richmond ou Alexander McQueen. «Acredito que esta foi a demonstração de que, apesar dos momentos difíceis que temos vindo a atravessar, os estilistas italianos mantêm-se unidos na defesa da moda “Made in Italy”», salientou Boselli.

Domenico Dolce e Stefano Gabbana apresentaram, na Semana de Moda Masculina de Milão, uma colecção inovadora, baseada em calções extremamente curtos e que se assemelhavam a pijamas. Os designers italianos foram atrevidos, com uma linha masculina fresca, «para homens que não têm vergonha de exibir o seu corpo e de se divertirem sem constrangimentos», explicou a dupla. No entanto, a Dolce&Gabbana também apresentou propostas mais sóbrias, baseadas nas clássicas calças de couro e casacos simples. A marca retomou igualmente o uso da ganga em camisas.

Outra dupla famosa, Dean e Dan Catem, fundadores da marca DSquared2, apresentou propostas campestres inspiradas na linha "escuteiro", com roupas rústicas, mas mantendo também a tendência dos calções. Os manequins ostentavam mochilas de lona impermeável, chapéus de pescador e botas ilustrando, assim, «um homem que se preocupa com a sua aparência até mesmo quando pratica actividades ao ar livre», afirmaram os irmãos canadianos.

Outro estilista que seguiu a tendência dos calções bem curtos foi Giorgio Armani, apresentando aquela que pode ser considerada como a sua colecção mais “clean” e simples de sempre. Aqui o destaque foi para as bolsas, meias de cores claras e sapatos escuros, que surgiram na passerelle como complemento aos calções, sempre de cores fortes, apesar da sobriedade do corte das peças.

A colecção para a Primavera-Verão 2010 da Gucci aposta num homem que usa muito branco nas indumentárias, mas não hesita em colorir os acessórios. A marca apresentou calças dobradas no tornozelo, em tons que vão desde o preto até ao branco, com cintos de couro e camisas com desenhos geométricos inspiradas em Oscar Niemeyer, o “construtor” de Brasília. Para a noite, o azul índigo escuro é o novo preto da Gucci, presente em fatos que, em contraposição, também foram apresentados na versão vermelha. «Este visual representa um desejo de fuga, de leveza e de liberdade – a atitude desportiva e chique de alguém que tem condições de tirar longas férias nas praias brasileiras», revelou Frida Giannini. Já, a Versace inspirou-se nas paragens africanas para criar uma linha de moda masculina onde destacam túnicas sem botões, calças justas e sandálias de couro. Donatella Versace, usou estampados que evocavam «a luz esfumada de uma miragem no deserto» e uma paleta de cores neutra. Ainda para complementar o visual safari, os modelos usaram óculos de sol presos por uma corda e usavam bonés.
 
Salvatore Ferragamo também se inspirou em África, com «um estilo colonial modernizado, evocando o exótico com contrastes irresistíveis», como o próprio explicou. Já a Moschino optou por um desfile estritamente comercial, cujo objectivo foi estimular o consumo. Isto porque o sector de moda italiano sentiu uma quebra de 15% durante o primeiro trimestre de 2009, enquanto que as encomendas também caíram 12,4%, segundo os dados revelados pela Sistema Moda Italia (SMI), que reúne cerca de 60.000 empresas. «Em Abril, a produção têxtil conseguiu um aumento de 1,7%, valor que marca a inversão da tendência em relação aos últimos meses. Penso igualmente que esta semana de moda veio provar que os estilistas estão emprenhados e que a moda italiana tem todas as condições para sobreviver à crise e consolidar-se», concluiu Boselli.

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