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10 desenvolvimentos que moldaram a década – Parte 3

Publicada a: 26/01/2010
Fonte: João Areias
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A década que passou foi marcante para a ITV: o fim das quotas, a batalha pelo sportswear, a migração da produção, o fast fashion, os altos e baixos da Gap, o retalho na China e o advento da sustentabilidade. Aqui destacam-se os últimos três.

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10 desenvolvimentos que moldaram a década – Parte 3

Na segunda parte do artigo (ver 10 desenvolvimentos que moldaram a década – Parte 2), o destaque foi a três desenvolvimentos marcantes: os altos e baixos da Gap, a expansão do retalho na China e o nascimento da sustentabilidade. Nesta terceira parte, salientam-se os últimos três desenvolvimentos dos 10 que marcaram a primeira década do novo milénio: as transformações no retalho britânico, o esmagamento do crédito e a revolução da Marks & Spencer.

8º. Retalho britânico está mais Green
Tendo adquirido a cadeia British Home Stores (BHS), pouco antes do novo século, Philip Green marcou a sua presença no mercado de retalho britânico em 2002, quando comprou o Arcadia Group por 770 milhões de libras esterlinas.

O Arcadia Group, que possui diversas redes de lojas, como Burton, Dorothy Perkins, Evans, Miss Selfridge, Topman, Topshop e Wallis, passou a deter desde então uma posição forte no retalho de moda do Reino Unido. Green acabou por fundir a BHS com o Arcadia Group em 2008, numa tentativa de racionalizar a cadeia de lojas de departamento.

O crescimento da cadeia de vestuário de moda feminina Topshop encabeçou a investida e, apesar da recente desaceleração económica, conseguiu lançar a primeira loja em Nova Iorque no ano passado. Prevê-se que as próximas aberturas sejam na Índia e na China.

9º. Esmagamento do crédito
Os acontecimentos financeiros de Setembro de 2008 ainda estão a afectar produtores, marcas e retalhistas. Mesmo antes do quarto maior banco norte-americano, o Lehman Brothers, entrar em colapso, a indústria da moda já estava a ser afectada por uma crise do crédito, à medida que as dívidas dos clientes se fizeram sentir, para não mencionar o aumento nos preços das matérias-primas.

O resultado da crise bancária foi uma “faca de dois gumes”, com as restrições no crédito e a queda na confiança dos consumidores a levarem o mercado de retalho a um impasse e resultando em recessão no Reino Unido e nos EUA. O sector da moda também sofreu, por ser uma escolha discricionária para os consumidores, e seguiram-se as quebras.

Um mês depois, o retalhista de calçado norte-americano Shoe Pavilion, que em Julho de 2008 entrou em processo de protecção de falência ao abrigo do Capítulo 11, decidiu encerrar toda a cadeia de 64 lojas. Em Janeiro, a cadeia de vestuário Goody's enfrentou o mesmo destino, desencadeando uma onda de despedimentos e falências no retalho.

Eddie Bauer, Filene's Basement, Hartmarx Corporation e S&K Famous Brands estavam entre os que pediram a protecção de falência nos EUA, enquanto que a Marchpole Holdings, USC, Original Shoe Company (OSC), Qube e Canterbury Europe iniciaram processos semelhantes no Reino Unido.

O problema continuou ao longo de 2009, quando o investidor de retalho islandês Baugur Group, proprietário da Mosaic Fashions, apresentou falência depois de um tribunal em Reiquiavique se recusar a conceder mais tempo para resolver os seus problemas.

A Mosaic acabou por colocar as suas marcas Karen Millen, Coast, Warehouse e Oasis na posse da Aurora Fashion, mas a Principles caiu no esquecimento. Enquanto isso, a germânica Escada AG apresentou um pedido de falência em Agosto, sendo posteriormente vendida a Megha Mittal, nora do magnata do aço Lakshmi Mittal.

10º. A revolução da Marks & Spencer
O final da década assistiu a uma mudança significativa no maior retalhista de vestuário do Reino Unido, a Marks and Spencer (M&S). Deixando o retalhista de moda Arcadia Group em 2005, Stuart Rose entrou para a M&S como director-executivo, numa altura em que enfrentava lucros em queda e a ausência de direcção no retalho.

No entanto, no espaço de um ano, Rose deu inicio à recuperação da M&S, com os lucros a saltarem 35% em 2006. As suas medidas incluíram a assinatura de um plano de negócio ecológico, baptizado “Plan A”, e uma reformulação na equipa de gestão.

A recessão colocou novos desafios para Rose, cujos comentários sobre o tempo ser «para os fracos» acabaram por atingi-lo. Em 2008, assumiu o papel adicional de presidente-executivo, originando a oposição por parte de accionistas institucionais, preocupados com as directrizes de governação corporativa.

No entanto, a M&S também se aventurou com sucesso em novos mercados, incluindo a China. A retalhista entra na nova década, sob a liderança de Marc Bolland, que foi nomeado sucessor de Stuart Rose em Novembro de 2009 (ver O senhor que se segue).

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