No dia em que Nova Iorque dizia o primeiro adeus a Bryant Park, Alexander McQueen dizia para sempre adeus à vida. O mundo da moda perdia, assim, prematuramente, um dos ícones do novo milénio. A equipa policial responsável pela investigação da morte de Alexander McQueen confirmou ontem, em Londres, a tese do suicídio por enforcamento. A morte do estilista britânico, que decidiu por termo à vida no passado dia 11, ocorreu nove dias após a perda da mãe, Joyce McQueen, a qual foi, desde a primeira hora, a maior admiradora, e impulsionadora, do seu génio criativo, a par de Isabela Blow, que comprou a totalidade da colecção que McQueen tinha desenhado para a conclusão da sua formação na célebre Central Saint Martins College of Art and Design. O salto para a fama foi dado quando substituiu John Galliano na casa Givenchy, pertencente ao grupo LVMH, na qual esteve até 2001, sempre envolto em polémica.
A morte de McQueen deixa também de luto a Semana de Moda de Londres, que começa amanhã, e a organização vai levar a efeito uma homenagem ao estilista durante o evento, com uma retrospectiva das suas criações. Será, no entanto, a Semana da Moda de Paris a receber a última colecção criada por McQueen, cujo desfile está agendado para 9 de Março. A informação foi dada por Robert Polet, presidente e CEO do Grupo Gucci, filial do Grupo PPR que detém 51% da marca Alexander McQueen. «Acreditamos no futuro da marca. Lee [o primeiro nome de McQueen] tinha muito orgulho das pessoas que trabalhavam na sua empresa e eu também», afirmou Polet durante a apresentação anual ds resultados do grupo PPR. No último trimestre de 2009, as vendas do grupo – que detém as marcas Stella McCartney, Gucci e Yves Saint Laurent, entre outras – cresceram 6,7%. A Alexander McQueen, incluindo as linhas feminina, masculina e acessórios, registou vendas de 42 milhões de dólares no ano transacto, sem incluir as recentes colaborações com as marcas Puma, Samsonite e Target.
Polet revelou ainda que a marca Alexander McQueen vai continuar em actividade e que na última conversa tida com o designer britânico os dois chegaram à conclusão que tinha já sido feito a transição entre ser o nome de um estilista para a construção da base de uma marca. «Isso significa que será meu legado», afirmou McQueen a Polet na altura. «Mas é claro que Lee é insubstituível», concluiu o presidente do Grupo Gucci.