Resultando da aquisição da moribunda Koramsa, gigante no fabrico de denim que no auge contava com quase vinte mil trabalhadores, a Denimatrix agilizou o processo de produção, reduziu os prazos de entrega, diminuiu os lotes de encomenda e apostou nos jeans de gama alta (ver Denimatrix na ribalta – Parte 1).
Crescimento dos negócios
Em três anos, a Denimatrix espera responder a 30% das necessidades dos seus clientes internacionais de jeans, partindo dos actuais 10%. A empresa espera ganhar uma fatia maior do mercado internacional, no valor de 2,2 mil milhões dólares (1,62 mil milhões de euros) para os jeans com preço superior a 50 dólares, o qual Carlos Arias, presidente e co-fundador da Denimatrix, prevê que cresça 15% ao ano, bastante acima dos 8% registados nos últimos dois anos, período no qual a recessão mundial deprimiu as vendas.
Para alcançar este objectivo, a empresa pretende continuar a investir em tecnologia e recursos humanos para se mover na cadeia de valor no sentido dos jeans com preços mais elevados. A empresa vai também procurar novos clientes e formar alianças estratégicas para cortar custos, afirma Arias.
No que se refere à sua base de clientes, Arias revela que começou a trabalhar recentemente com a Guess e que os clientes mais antigos da Koramsa, como a Gap e a Abercrombie & Fitch, aderiram recentemente à Denimatrix, depois de uma pausa na altura da reestruturação da empresa.
Duas recentes alianças incluem parcerias estratégicas com o Grupo M da República Dominicana e a CI Jeans da Colômbia. «Reunimo-nos para descobrir como podemos trabalhar juntos, para descobrir como, em vez de duplicar os custos e as infra-estruturas, podemos combinar a capacidade de fornecer os nossos clientes mais rapidamente e com melhores preços», aponta Arias relativamente às razões que estão na base das alianças.
Parcerias semelhantes
Arias tem a esperança de encontrar parcerias semelhantes no futuro, à medida que procura desenvolver a Denimatrix. Com os parceiros actuais, o responsável diz que a empresa irá produzir 150.000 pares de jeans por semana dentro de três anos, embora a Denimatrix deva ter uma capacidade instalada de 250.000 pares. Mas ele insiste em querer que a Denimatrix permaneça pequena, ágil e especializada.
O responsável está também interessado em expandir a empresa no mercado dos jeans de luxo. Recentemente, a Denimatrix investiu numa tecnologia "g2" mais sofisticada de lavagem sem água e vai continuar a investir em novas tecnologias para levar o seu projecto a um novo patamar.
A Denimatrix espera também entrar na Europa, para onde a Koramsa se queria expandir antes da turbulência económica a forçar a contrariar esses planos. Segundo Arias, a empresa está já em conversação com marcas de luxo neste mercado.
Mais luxo
«Estamos a iniciar as conversações com marcas de gama alta nos EUA e na Europa», revela Arias, acrescentando que a Denimatrix pode fornecer um elevado nível de serviço às pequenas empresas, com produtos mais exclusivos, que precisam de crescimento e da necessidade de apoio financeiro, especialmente no que respeita à aquisição de matérias-primas, para expandir os seus negócios.
«Não nos vamos concentrar no crescimento industrial, mas sim nas marcas de topo orientadas para a moda», acrescenta.
A Denimatrix já tem como clientes alguns fornecedores de jeans de luxo, como a Rock & Republic, mas apenas para a linha mais básica. Arias tem a esperança de que a Denimatrix possa desenvolver a flexibilidade e o know-how necessários para servir as grandes marcas de luxo como a Atrium em Nova Iorque, onde o preço dos jeans pode chegar aos 600 dólares.
No entanto, refere que a empresa está muito feliz com a posição em que se encontra actualmente, com o volume de negócios que está a realizar. Arias diz que as margens de venda duplicaram em comparação com o registado na Koramsa, cujos jeans eram vendidos no retalho, em média, por 39,99 dólares. Em média, os jeans da Denimatrix deixam a cidade da Guatemala por 79,99 dólares.