Apesar do seu historial no apoio a alguns nomes de referência, como a Home Depot e a Staples, ao longo dos últimos dez anos, as empresas norte-americanas de capital de risco aplicaram menos de 1% do seu dinheiro no retalho, com estes investimentos a totalizarem 331,7 milhões dólares em 2009, segundo dados da Thomson Reuters.
Mas agora, as empresas de capital de risco, que normalmente investem em novas empresas, estão a investir nas que desenvolvem tecnologia para o retalho. Elas parecem estar a apostar que os retalhistas, que enfrentam perspectivas de crescimento instável e quotas de mercado frágeis, vão procurar essas tecnologias.
Durante a última década, as novas tecnologias de retalho centraram-se em apoiar os retalhistas a medir a eficiência da sua publicidade on-line. Agora, os retalhistas estão a procurar impulsionar a eficiência das suas operações globais.
Numa conferência da National Retail Federation, os responsáveis pelo capital de risco afirmaram que têm investido em tecnologias avançadas que dão resposta aos problemas, como a perda e o roubo de mercadoria, bem como programas informáticos que ajudam a atribuir mercadorias entre lojas e a optimizar as remarcações de preços.
Dado o seu interesse nas novas tecnologias orientadas para o retalho, as empresas de capital de risco não são susceptíveis de aplicar o dinheiro em lojas de moda antiquadas. «Gostamos de ganhos de capital, por isso não gostamos particularmente das lojas de pedra e cal», afirmou Howard Morgan, sócio da First Round Capital e ex-presidente da incubadora de empresas de tecnologia Idealab.
Com pesados desembolsos de caixa e consumidores que continuam a deslocar-se no sentido do on-line, o retalho tradicional não consegue oferecer o mesmo retorno que as empresas de tecnologia e biotecnologia, geralmente favorecidas pelos capitais de risco, de acordo com Mark Heesen, presidente da National Venture Capital Association.
Na realidade, existem ainda poucos fundos para investir em lojas tradicionais. Um exemplo é o Highland Consumer Fund, gerido pelo fundador da Staples, Tom Stemberg. Em vez disso, os investidores estão-se a voltar para retalhistas on-line.
Por exemplo, Battery Ventures revelou que tem investido no retalhista de vestuário J. Hilburn, sedeado em Dallas, que vende camisas personalizadas para homem mas não tem lojas físicas, e a First Round apoiou a loja on-line de roupa retro Modcloth.
Apesar das duas bem sucedidas ofertas públicas iniciais no Outono passado por parte do retalhista de vestuário de desconto Dollar General e da cadeia de vestuário para adolescentes rue21, ambas realizadas por capital privado, os responsáveis pelo capital de risco não prevêem que haja apoio para uma grande quantidade de ofertas públicas iniciais no retalho.
Mas os investidores dizem que isso não os impediu de investir, apostando que o mercado de entrada em bolsa vai eventualmente melhorar. A oferta pública inicial e a venda de uma empresa são dois métodos utilizados pelo capital de risco para obter retorno sobre os seus investimentos. «Estamos a olhar para uma perspectiva de cinco anos, por isso estamos a investir agora, pois acreditamos que o ambiente vai melhorar», concluiu Morgan.