A Fast Retailing elevou a sua projecção para o corrente ano, impulsionada por fortes vendas nas suas lojas de vestuário Uniqlo, desafiando assim a queda no consumo que tem prejudicado os lucros de outros retalhistas japoneses.
Com um desempenho muito diferente, a J. Front Retailing, segunda maior cadeia de lojas de departamento do Japão, revelou que o seu lucro operacional caiu 57% nos nove meses até Novembro, na medida em que os compradores mais moderados evitaram as roupas de designer e outros produtos de marcas de luxo.
As lojas de departamento e os supermercados foram os mais afectados pela crise prolongada no retalho, perdendo clientes para as cadeias especializadas como a Uniqlo. A Seven & I, o maior grupo de retalho do Japão, também anunciou uma queda acentuada no lucro.
As lojas de conveniência, que foram resistindo melhor à desaceleração económica, também começaram a sentir dificuldades, com a terceira principal cadeia do país, a FamilyMart, a registar um declínio de 7,6% no lucro operacional no período de nove meses até Novembro.
A Fast Retailing revelou que o lucro operacional aumentou 49%, para os 61,1 mil milhões de ienes (655 milhões de dólares) nos os três meses até Novembro, com a Uniqlo a atrair consumidores frugais com os coletes de imitação de couro e a sua linha de produtos Heattech, cujos tecidos preservam o calor.
Após um crescimento de 11,3% para igual número de lojas durante o período de doze meses que terminou em Agosto do ano passado, as lojas Uniqlo no Japão, continuaram em força, registando um aumento de 20,8% no trimestre seguinte. A empresa opera cerca de 790 lojas Uniqlo no Japão e mais 120 no exterior, incluindo na China e no Reino Unido.
Embora as lojas da Uniqlo no Japão sejam ainda responsáveis por quase 80% da receita total do grupo, a empresa tem aberto, de forma agressiva, novas lojas no exterior, principalmente na China e noutros mercados asiáticos, no sentido de concorrer com gigantes internacionais como a Gap, Zara e H&M.
Para o corrente ano, a Fast Retailing elevou a sua previsão para os 130,5 mil milhões de ienes de lucro operacional, acima dos 120 mil milhões de ienes anteriores e abaixo de uma estimativa média de 132,1 mil milhões de ienes numa sondagem a 17 analistas consultados pela Thomson Reuters. Até Janeiro deste ano, as acções da Fast Retailing ganharam 36%, superando um aumento de 20% no índice Nikkei.
A J. Front Retailing, que detém as cadeias de lojas de departamento Daimaru e Matsuzakaya, referiu que o lucro operacional entre Março e Novembro caiu 57% para os 9 mil milhões de ienes, atingido por uma queda acentuada nas vendas. A empresa cortou a sua previsão de vendas para o ano até Fevereiro, mas manteve a previsão de lucro operacional nos 14,7 mil milhões de ienes, 48% abaixo do registado um ano antes, revelando ainda que iria fazer cortes mais profundos nos custos para compensar o défice de vendas.