Há muito que Milão é reconhecida como uma das capitais mundiais da moda. No entanto, a crise económica que se abateu sobre Itália está a colocar dúvidas sobre a sua influência. Um cenário que, conjuntamente com a queda de 15% do volume de negócios da moda italiana, gelou o ânimo de desenhadores e empresários.
Os dias de Milão como capital da moda mundial estão cada vez mais em risco. A crescente importância de outros eventos e o clima económico vivido em Itália estão a ofuscar o glamour desde há muito tempo associado à Semana da Moda de Milão.
Apesar de alguns dos grandes nomes da moda mundial que desfilam nesta cidade italiana, como é o caso da Giorgio Armani, da Gucci e da Versace, terem dado o seu melhor e recebido grandes elogios, o que acabou por marcar a última edição do evento foi o apertado calendário desta edição e a quebra do volume de negócios da moda italiana.
A poderosa editora da Vogue americana, Anna Wintour, com o seu anúncio que pretendia encurtar a sua estadia em Milão para assistir a outros eventos como a Semana da Moda de Paris e a cerimónia de entrega dos Óscares, levou a que os organizadores dos desfiles tenham reduzido o número de dias das apresentações para desta forma garantir a presença de tão importante personalidade do mundo da moda (ver O poder Wintour). Órgãos de comunicação social de todo o mundo apressaram-se a apelidar este reescalonamento de agendas de “efeito Wintour” e a noticiar a forma como a cidade do Norte de Itália e os designers tão facilmente cederam às exigências e contingências da mais célebre editora de moda do mundo.
Mario Boselli, presidente da Câmara Nacional da Moda de Itália, entidade organizadora do evento, comentou de forma clara a insegurança dos criadores presentes em Milão: «os nossos desenhadores demonstram frequentemente que não estão conscientes do poder que têm. Em vez disso, cedem às pressões e aos interesses da imprensa estrangeira».
A fama da Semana da Moda de Milão sempre dependeu dos grandes nomes que ali desfilam ao longo das últimas décadas e cujas criações são desejadas nos quatros cantos do mundo, mas desfiles tradicionais como os de Paris e de Nova Iorque concorrem pelo mesmo espaço e atenção mediática do evento italiano. O brilho de Milão parece estar também a perder-se devido às circunstâncias económicas do sector da moda em Itália, que registou uma queda de 15% no volume de negócios em 2009. Apesar de se esperar uma recuperação já para 2010, os empresários italianos consideram que a redução dos dias dos desfiles irão ter um efeito económico negativo.
Outro dos factores que revelam a perda de importância da Semana da Moda de Milão é a reduzida exposição que os novos criadores têm tido. Do evento de moda mais importante de Itália não têm saído novos nomes para o estrelato internacional. Um acontecimento que é visto pela imprensa especializada como um sinal de perda de criatividade e dinamismo desta capital da moda.
A organização da Semana da Moda de Milão fez já saber que, na próxima edição, os desfiles voltarão a ocupar cinco dias, com um calendário recheado de emoções e criatividade.