A Longchamp, reconhecida marca de bolsas, não registou desaceleração na Europa, apesar da crescente incerteza económica que paira sobre a região. As vendas da empresa francesa atingiram níveis recorde nos primeiros meses do ano. Jean Cassegrain, director-executivo da Longchamp e neto do fundador da empresa, afirmou que «não existem sinais concretos que possam ser causa de preocupação».
A Longchamp, uma das poucas marcas de moda que nunca registou um trimestre com declínio de vendas durante a recessão, está posicionada no segmento de luxo acessível, com a maioria dos produtos a custarem entre 200 e 600 euros. A empresa concorre com a norte-americana Coach, uma recém-chegada a Paris à loja de departamentos Printemps, bem como com a Lancel, detida pela Richemont.
Cassegrain explicou que o forte início de ano da Longchamp resultou da melhoria do ambiente económico, nomeadamente nos seus grandes mercados da Europa e nos EUA, bem como da parceria com a modelo Kate Moss.
A Longchamp lançou, este ano, uma colecção de bolsas desenhadas por Moss, que Cassegrain considera ter sido muito bem sucedida, sendo em parte um dos factores para o crescimento de 25% nas vendas da marca entre Fevereiro e Abril, relativamente a igual período do ano passado. Cassegrain anunciou ainda que planeava prolongar a relação. «Todos conhecem a Kate Moss (...) e ela ajuda-nos a ficar conhecidos», referiu o responsável.
As bolsas e os sapatos são frequentemente citados como os bens de luxo que melhor têm resistido à crise do consumo mundial, com as marcas mais fortes, como Louis Vuitton e Hermès, a registarem as maiores taxas de crescimento no sector de luxo. No entanto, a Lonchamp, que realiza 40% do seu volume de negócios em França, afirmou que muitos dos seus mercados europeus estavam bem, apesar do negócio na Grécia, Portugal e Espanha continuar com dificuldades.
A Longchamp, cujo logótipo é um homem num cavalo de corrida, tem o nome do hipódromo nos arredores de Paris ao longo do qual Jean Cassegrain, fundador da empresa, gostava de andar. Fundada em 1948, emprega hoje mais de 1.500 pessoas, das quais 1.000 produzem bolsas e acessórios em França. Dois terços da produção da Longchamp está localizada em território francês e um terço em Marrocos, Madagáscar, Tunísia e China, mas Cassegrain assegura que todos os seus produtos cumprem os mesmos requisitos de qualidade.
A marca é conhecida pela sua linha “Pliage” de coloridas sacolas dobráveis de couro e nylon, que têm sido um sucesso desde o seu lançamento na década de 1990 e são compras populares on-line.
Olhando para as perspectivas para o resto de 2010, Cassegrain espera que as vendas subam ao nível de dois dígitos, ou entre 10% e 20%, após terem subido 4% em 2009 para os 260 milhões de euros. «É muito difícil fazer previsões, cada vez que fazemos alguma, temos tudo errado (...) é por isso que é bom não estar listado», referiu
Segundo o seu responsável, a empresa não tem planos para uma entrada em bolsa e faz questão de manter a sua independência: «A nossa independência permite-nos prosseguir uma estratégia de longo prazo», concluiu. A Longchamp começou a fabricar artigos pronto-a-vestir, nomeadamente gabardinas, mas esta opção foi mais para testar o mercado e não tem planos para uma maior diversificação.