Sacos do Selfridges, Harrods ou Next a passear pela capital do império britânico são uma imagem quase tão típica como os autocarros de dois andares ou o próprio Big Ben. Depois de um período onde a crise económica refreou os ânimos consumistas, Junho foi o mês que assistiu ao maior crescimento das vendas desde 2006.
Os londrinos voltaram em força às suas lojas de eleição e consumiram, no passado mês de Junho, a um ritmo similar ao período pré-recessivo (ver Vendas caem em Junho). Motivados pela antecipação da tradicional e internacionalmente cobiçada época de saldos, os retalhistas da capital britânica viram as suas vendas crescer como já não acontecia desde o Outono de 2006.
As vendas comparáveis a retalho na área metropolitana de Londres subiram em Junho passado perto de 15%. Esta subida além de motivada pela antecipação da época de promoções foi também auxiliada pelas boas condições climatéricas verificadas e, mais importante, pela melhoria dos índices de confiança dos consumidores.
Estes dados mensais, apresentados pela British Retail Consortium (BRC), surpreenderam positivamente os analistas e apresentaram sinais animadores quanto às perspectivas futuras das vendas. Para Stephen Robertson, director-geral do BRC, estes resultados foram impressionantes. «Foi a maior subida das vendas desde Outubro de 2006. O calor e os eventos desportivos retiram muita gente das ruas e das superfícies comerciais, mas os que aí vão estão a comprar mais por cada visita que fazem. Os consumidores londrinos estão muito mais optimistas do que há um ano atrás e a libra enfraquecida tem atraído mais turistas, que também contribuem muito positivamente para as vendas a retalho», explicou Robertson.
Embora a antecipação da época de saldos, tenha estimulado os clientes a voltarem às lojas, a redução da proporção dos descontos praticados auxiliou ao aumento do valor das mesmas.
Apesar destes sinais de optimismo quanto ao futuro, o aumento planeado dos impostos calendarizado para Janeiro de 2011 e a redução dos funcionários públicos podem, de alguma forma, dificultar o ritmo de recuperação das vendas a retalho no mercado britânico.
Segundo um estudo realizado pela PricewaterhouseCoopers, os descontos médios praticados durante o mês de Julho em Londres eram de cerca de 55%. Um valor 15% abaixo dos 70% observados no período homólogo de 2009.