A selecção chinesa de futebol pode não ter chegado muito longe no Campeonato do Mundo, mas os investidores esperam que as marcas de desporto do país, como Anta e Li Ning, cheguem bem longe.
Mas os produtores de vestuário desportivo também enfrentam desafios, como a percepção de má qualidade, e a intensa concorrência das marcas estrangeiras, como Nike e Adidas, que estão desejosas de conquistar o mercado chinês. Um ponto positivo para as marcas de desporto chinesas é o forte consumo interno, apoiado por incentivos do governo e aumentos salariais.
As vendas a retalho na China cresceram 18,7% em Maio em relação ao ano anterior e têm subido desde o ano passado. O Credit Suisse considera que o país está em vias de eclipsar os EUA como o maior mercado consumidor dentro de uma década.
O poder de compra dos consumidores jovens está a aumentar e, à medida que desportos como o basquetebol ganham popularidade, as vendas de vestuário desportivo deverão aumentar. Alex Fan, director de pesquisa do ICBC International, prevê ganhos anuais com crescimento estável para as empresas chinesas de sportswear superior a 20% nos próximos anos.
De acordo com o UBS, o mercado chinês de calçado desportivo pode chegar aos 69 mil milhões de yuan (10,1 mil milhões de dólares) ainda este ano, enquanto o mercado de calçado desportivo de marca poderá estar perto dos 300 mil milhões de yuan em 2020. A empresa de pesquisa Euromonitor estimou o mercado chinês de calçado em 60 mil milhões de yuan em 2009.
Anta Sports e Li Ning, duas das principais marcas de desporto chinesas, prevêem um forte crescimento no quarto trimestre do ano, na ordem dos 25% e 20%, respectivamente.
O valor das acções da Anta subiu mais de metade no ano passado. As acções da Li Ning – parceiro oficial de marketing da National Basketball Association e fundada por um ex-ginasta chinês que ganhou três medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1984 em Los Angeles –, subiram cerca de 25% no ano passado. «O mercado tinha dúvidas se o forte crescimento [dos produtores de vestuário desportivo] poderia ser mantido, mas agora está provado ser sustentável», defende Renee Tai, analista da CIMB-GK Research. O elevado crescimento nas cidades chinesas de menor dimensão deverá apoiar os actores mais pequenos, como Xtep, 361 Degrees e Flyke.
Outros consideram que as perspectivas de crescimento podem ser boas, mas muito já foi tomado pelos produtores de vestuário desportivo. «O sector não é particularmente interessante, pois o crescimento não vai ser explosivo», afirma o analista William Lo da Ample Capital. «As acções das marcas de desporto superaram o Hang Seng, mas ficaram desfasadas de sectores como os produtos farmacêuticos e os equipamentos domésticos. Não é suficientemente brilhante para comprar».
Entretanto, as grandes marcas estrangeiras, como Nike e Adidas, estão a ramificar para as pequenas cidades chinesas com produtos menos caros, que os consumidores preferem em detrimento das marcas locais que ainda têm uma reputação de mau fabrico. A Nike e a Adidas tinham cada uma cerca de 4.500 lojas na China no final de 2009, em comparação com 7.249 pontos de venda da Li Ning, 6.591 da Anta e 6.133 da Xtep, de acordo com um relatório do UBS.