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Olhos em bico – Parte 2

Publicada a: 27/06/2012
Fonte: Reuters
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Com as expetativas do consumidor a tornarem-se cada vez mais fulcrais e com a pouca transparência dos dados oficiais, a oferta de índices de confiança realizados por empresas particulares tem vindo a aumentar, para melhor servir aqueles que querem crescer no Império do Meio.
 

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Olhos em bico – Parte 2

 A pouca atenção dada pelas entidades oficiais ao estudo do consumidor, como mencionado no artigo anterior (ver Olhos em bico – Parte 1), e a falta de informação sobre a metodologia do Gabinete Nacional de Estatística (GNE) deixou o caminho livre para rivais. Empresas com os olhos no mercado chinês não ficam à espera de que seja estabelecido um índice. Muitos simplesmente reúnem os seus próprios dados.

A China UnionPay tem a abordagem mais simples. O seu Bankcard Consumer Confidence Index, compilado em conjunto desde 2009 com a agência noticiosa estatal Xinhua, analisa o consumo tal como mostrado nas contas de cartões bancários dos consumidores. Isso naturalmente traduz algum enviesamento da amostra para moradores na cidade que usam cartões bancários.

A empresa de marketing Aegis vai mais longe. Entrevista 66 mil chineses em 88 mercados, incluindo todos os tamanhos de cidades e alguns no país. O estudo trimestral monitoriza tendências para os seus clientes, normalmente marcas mundiais. Cidades mais pequenas, onde as multinacionais estão a começar a implantar-se, representam cerca de um terço dos inquiridos.

«Até agora, não há nenhuma grande tendência emergente para além da crescente frustração com o aumento do custo de vida», afirmou Seth Grossman, presidente da Vizeum Asia Pacific, uma subsidiária da Aegis.

Outro dos favoritos é um estudo do People’s Bank of China, que segue seis critérios de expetativas de preço futuro e satisfação. Os adeptos destes estudos afirmam que são úteis na antecipação de dados da inflação.

O consumo das famílias representa apenas um terço do PIB, o que significa que a confiança dos consumidores está obscurecida por outros fatores. O consumo das famílias representou 71% do PIB americano em 2010.

A maior parte dos economistas confiam agora mais em indicadores de atividade de investimento. Argumentam que uma vez que o investimento representa a maior parte do crescimento, esse é ainda o dado a seguir. «Embora esperemos que se torne mais importante, não é o que está a impulsionar o crescimento, não é o fator mais volátil», explicou Patrick Chovanec, economista na Universidade de Tsinghua em Pequim. «O crescimento no consumo não irá compensar um colapso no investimento. É uma história a longo prazo, mas não é o que as pessoas vêm mês a mês», acrescentou.

O estudo do GNE parece captar algo do ambiente nacional. Afundou quando a doença da síndrome respiratória aguda grave assustou o público em 2003 e refletiu alguma incerteza na economia no início de 2008, bem antes da crise financeira mundial se tornar numa palavra-chave.

O GNE ajustou o seu estudo no ano passado para formalizar um efeito de base – refletido num salto em março do ano passado.

Tentar captar as muitas regiões da China e os seus consumidores urbanos e rurais – com cada um a formar a sua própria economia de centenas de milhões – também torna mais difícil correlacionar a confiança do consumidor com outros indicadores nacionais, considera Zhang Wentong, diretor técnico da empresa de pesquisa de mercado Intage, em Xangai.

A Intage produz um índice de confiança do consumidor publicado pela Market News International, centrando-se em 30 cidades costeiras, onde os consumidores mais provavelmente têm dinheiro para gastar. Faz 30 questões a 1.000 pessoas em entrevistas telefónicas de 15 a 20 minutos.

O foco mais reduzido da Intage significa que os resultados estão bem correlacionados com as vendas a retalho, surtos do mercado de ações, preços do imobiliário e vendas automóveis, indica Zhang, embora os tempos flutuem entre três e seis meses. «É verdade que os consumidores chineses estão relativamente otimistas em comparação com outros países», afirma Zhang.

Essa tem sido a principal conclusão da empresa de pesquisa de mercado americana Neilsen. O seu índice trimestral de confiança do consumidor mostra uma progressão constante em otimismo, embora afirme que os residentes rurais têm uma perspetiva mais positiva do que os citadinos. A Neilsen inquire 2.500 pessoas através de uma mistura de entrevistas presenciais e on-line.

Investimento
O investimento representou uma quantidade desproporcional de crescimento durante vários anos, com a China a construir estradas, pontes, minas e fábricas para compensar décadas de estagnação.

Isso algum dia irá dar lugar a padrões de consumo de uma economia mais madura. O investimento fixado atingiu o seu nível mais baixo desde 2002 nos primeiros quatro meses de 2012, uns “meros” 20,2%.

À primeira vista, a China está ainda longe de ter o consumo como principal motor de crescimento», escreveu recentemente Peng Wensheng, um analista do banco de investimento China International Capital Corp. E sublinhou que o consumo das famílias caiu para um mínimo recorde de 34% do PIB em 2010.

Ainda assim, um ponto de viragem pode estar perto, afirmou. O consumo representou 77% do crescimento do PIB no primeiro trimestre, ganhos à medida que o investimento abrandou. No leste da China, mais rica, o rácio de consumo geral está a começar a subir, embora ondas de novos investimentos na China ocidental e central estejam a empurrar o rácio de consumo aí para novos mínimos.

«Isto pode indicar que o ciclo de consumo a longo prazo da China atingiu, ou está perto de atingir, o seu ponto de inflação», escreveu Peng. Isso deve fazer com que os economistas queiram conhecer melhor Xing. «Essa é a história da China para a próxima década», afirma Andrew Polk, economista da Conference Board em Pequim. «Ou é uma história do consumidor ou é uma história de colapso», concluiu.
 

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