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Tela azul para a mudança

Nos últimos anos, um conjunto de importantes inovações não só redefiniu, como conferiu novos contornos à indústria da moda e, como seria de esperar, o intemporal denim mereceu a atenção de marcas mais visionárias como a Levi’s e a G-Star Raw, bem como de propostas em ascensão, de que são exemplo a AYR e a Öhlin/D.

O denim está presente no guarda-roupas, pelo menos, desde o início dos anos 1840, de acordo com o livro “Denim: Fashion’s Frontier”, assinado pela curadora do museu do Fashion Institute of Technology, Emma McClendon, o que significa que o tecido tem uma longa história, especialmente nos EUA. Ainda assim, os historiadores parecem não concordar sobre as origens do denim – alguns afirmam que a Levi’s popularizou o tecido, enquanto outros defendem que Cristóvão Colombo o trouxe pela primeira vez para a América, numa embarcação com velas feitas de denim. Contornadas as divergências sobre os primórdios, o denim é atualmente um dos tecidos mais usados no mundo, não estando por isso isento de adaptações e atualizações. Eis os três eixos de mudança do denim para 2017, segundo o portal Fashionista.

Reciclagem

A reciclagem não é uma realidade nova, mas a sua popularidade no campo do denim – especialmente quando se trata de jeans – é.

O patchwork nos jeans e blusões, popularizado por marcas como a Re/Done e a Vetements, tornou-se omnipresente nas últimas estações de moda. Para marcas como a Frame, a popularidade deste look foi uma oportunidade única para reciclar o denim dentro dos próprios arquivos e o resultado foi o lançamento da linha “Nouveau le Mix”, com peças usadas por celebridades como Gigi Hadid ou Kendall Jenner.

«A génese da “Nouveau Le Mix” foi essencialmente uma solução criativa e positiva para utilizar os nossos estilos em stock», explicam os cofundadores da marca, Jens Grede e Erik Torstensson, ao portal Fashionista. «Gostamos de pensar que estamos a contribuir para reduzir a nossa pegada através desta coleção», acrescentam.

Outras marcas, como a independente Öhlin/D, optaram por trabalhar com denim que nunca foi usado, mas que estava destinado a aterros sanitários. «Para ajudar a minimizar a produção contínua pela qual a indústria da moda é culpada, bem como a enorme quantidade de resíduos que enviamos para aterros, uma grande quantidade do nosso denim chega até nós dessa forma», revela Anne Deane, fundadora da marca.

Conforto

Uma das características que ajuda à popularidade e intemporalidade do tecido é a sua resistência – o denim aguenta mais do que a maioria dos têxteis presentes no guarda-roupa. No entanto, derivadas dessa resistência, a rigidez e a espessura do tecido podem ser desconfortáveis. A adição de elasticidade veio mudar esta sarja especial.

«A tecnologia evoluiu radicalmente nos últimos 10 anos», observa Jac Cameron, cofundador e diretor criativo da marca AYR, com sede em Los Angeles. «Quando comecei a minha carreira no denim há mais de uma década, a percentagem de elasticidade disponível em denim era de 2%, na nossa linha trabalhamos atualmente com tecidos que têm entre 30% a 50% e uma recuperação incrível».

A G-Star Raw introduziu o “denim esculpido a 3D” para abordar esta questão, com Rebekka Bach, responsável pelo design feminino, a afirmar que «a roupa não deve ser bidimensional – deve ser esculpida para se ajustar a uma figura tridimensional».

Ecologia

O denim apresenta uma durabilidade que faz com que seja mais provável ser reutilizado e não tanto acabar num aterro, mas o processo para produzi-lo ainda é um extremamente prejudicial para o planeta, considerando a utilização intensiva de água e o tingimento. As marcas líderes em inovação, como a Levi’s e a G-Star Raw, estão a tentar contornar isso recorrendo a novos processos e tecidos mais ecológicos que reduzam o impacto da produção de jeans.

A Levi’s está a trabalhar com algodão supima cultivado na Califórnia. «É a fibra de algodão mais longa já cultivada, que supera cerca de duas vezes a resistência de qualquer algodão convencional e é excecionalmente macia», afirma o vice-presidente de inovação de produtos Paul Dillinger. «Então, temos durabilidade e suavidade sem usar qualquer químico», sublinha. Dillinger destaca também outros esforços por parte da Levi’s para reduzir o impacto da produção de denim, desde um processo de tingimento que economiza cerca de 75% do corante à utilização de índigo e algodão orgânicos.

A G-Star Raw também se tem esforçado por reduzir o seu impacto ao nível têxtil, experimentando materiais incomuns como a urtiga, plástico retirado do fundo dos oceanos e até mesmo desperdícios de vestuário da própria marca. «O denim Hydrite, outro tecido com o qual trabalhamos, usa processos inovadores de tingimento e acabamento que reduzem drasticamente a utilização de água (até 95%) e consomem menos energia e produtos químicos», revela Bach. «Colaboramos com a nossa cadeia de aprovisionamento para melhorarmos os nossos produtos e práticas», conclui.