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Terrorismo não para Bangladesh

Depois de um aviso de segurança emitido pelo Departamento de Estado dos EUA, a indústria de vestuário do Bangladesh volta a ser assombrada pelo fantasma do terrorismo.

A 5 de janeiro, numa atualização de um aviso de segurança emitido em julho de 2016, o Departamento de Estado dos EUA advertiu os cidadãos americanos para as ameaças contínuas de grupos terroristas no Bangladesh, aconselhando-os a ponderar os riscos de viajar para o país.

A embaixada dos EUA em Daca, capital do país, emitiu um aviso semelhante: «O Daesh (também designado como Estado Islâmico ou ISIS) e a Al-Qaeda reivindicaram publicamente múltiplos ataques desde setembro de 2015. Em outubro de 2016, o Daesh ameaçou atingir expatriados, turistas, diplomatas, compradores de vestuário, missionários e equipas desportivas nas zonas mais seguras do Bangladesh»

A 1 de julho de 2016, um grupo de terroristas tirou a vida a mais de 20 ocidentais num atentado num restaurante na capital do país. Em outubro de 2015, um italiano e um japonês foram assassinados a tiro.

No entanto, o novo alerta assinala a primeira vez em que a indústria de moda global é um potencial alvo de atentados terroristas, podendo levar alguns compradores a repensar os seus planos de viagem.

O ataque de outubro de 2015 fez com que alguns compradores internacionais adiassem viagens de negócios ao país, pelo que os fabricantes tiveram de viajar para fora do Bangladesh para reuniões de negócios. Depois do ataque de julho, os compradores voltaram a reavaliar a sua passagem pelo Bangladesh.

Todavia, Siddiqur Rahman, presidente da Associação dos Exportadores e Fabricantes de Vestuário do Bangladesh, em declarações ao just-style.com, reiterou, após o ataque, que os negócios continuam, apesar do reforço da segurança. Ainda assim, as preocupações com as potenciais consequências económicas para o sector – que teve um crescimento das exportações superior a 10% no seu último ano fiscal – têm vindo a crescer.

Na recente advertência, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que considera a potencial ameaça para o pessoal do governo dos EUA no Bangladesh grave o suficiente para exigir-lhes «viver, trabalhar e viajar sob estritas diretrizes de segurança».

O Departamento de Estado dos EUA recomendou, por isso, aos cidadãos que tomem «medidas de segurança rigorosas, permaneçam vigilantes e estejam atentos aos desenvolvimentos da segurança local».

Por seu turno, Ranju Mahtani, fundador e CEO do Epic Group, um grande investidor no sector de vestuário do Bangladesh, declarou ter estado no país durante a quadra natalícia e tudo parecia normal. «Posso ver que o governo colocou todos os seus recursos em estado de alerta para eventuais ataques. Ultimamente tem havido muitas comunicações sobre o possível movimento terrorista para a Índia através do Bangladesh, por isso, muitas embaixadas podem reagir da mesma forma. Porém, a maioria dos estrangeiros que trabalha no país tem trabalhado normalmente», garantiu.

Um produtor do Bangladesh, que quis manter o anonimato em declarações ao just-style.com, acredita que a advertência dos EUA desencorajará muitos compradores a visitar o país, mas os efeitos provavelmente não serão muito pronunciados. «Mais de 100 marcas têm os seus escritórios de aprovisionamento em Daca, de modo que poucos compradores, exceto os das marcas pequenas, visitam o país», analisou.

O produtor acrescentou ainda que a embaixada dos EUA deveria ter alertado a polícia local sobre qualquer informação e atuar secretamente, em vez de emitir um aviso. «Estatisticamente, o Bangladesh é muito mais seguro em comparação com os EUA, Reino Unido e França, onde morreram mais pessoas em ataques terroristas nos últimos dez anos, e emitir um aviso como este assusta as pessoas», concluiu.