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Travão no algodão sírio

O risco de o algodão sírio associado ao autoproclamado Estado Islâmico entrar nas cadeias de aprovisionamento de marcas de moda europeias é baixo, garantem os analistas, mas a matéria-prima vai continuar a ser manchada pelas ligações da região a grupos e atos terroristas.

Uma avaliação feita pela empresa de análise de risco Verisk Maplecroft, divulgada pelo portal just-style.com, informou recentemente que, em 2015, o autoproclamado Estado Islâmico controlava três quartos da área convencionalmente reservada à produção de algodão na Síria.

Consequentemente, os produtores de têxteis e as marcas de moda europeias têm revelado uma preocupação crescente com a possibilidade de o algodão tributado pelo Estado Islâmico entrar nas suas cadeias de aprovisionamento depois de cruzar a fronteira da Turquia – o segundo maior fornecedor de tecidos da União Europeia e o seu terceiro maior fornecedor de vestuário.

No entanto, esse risco é baixo, de acordo com Anthony Skinner, responsável pelos mercados do Médio Oriente e Norte de África na Verisk Maplecroft. «Tal não se deve apenas aos mecanismos internos de controlo de qualidade e às exigências de certificação dos produtores de têxteis e de moda, mas também à dinâmica do conflito sírio. Muitos produtores de algodão sírios foram deslocados, tiveram as suas terras destruídas ou transformadas em zonas de cultivo de produtos alimentares depois de cinco anos de guerra», afirmou.

A Verisk Maplecroft admite que a esmagadora maioria do algodão produzido localmente fica dentro das fronteiras do país.

Antes do conflito rebentar, em 2011, a Síria exportava 600.000 toneladas de algodão por ano – valor que caiu para 3.000 toneladas em 2015.

Os analistas sírios dão conta de que o algodão produzido em território controlado pelo autoproclamado Estado Islâmico é agora vendido a intermediários que enviam a matéria-prima para centros de processamento controlados pelo regime do presidente sírio Bashar al-Assad. No entanto, há relatos de algodão sírio a ser contrabandeado para a Turquia, onde os grossistas são tentados pelos baixos preços oferecidos.

Ainda assim, Skinner ressalvou que, «por norma, o controlo fronteiriço turco não permite que o algodão sírio entre no país, o que faz com que seja extremamente difícil introduzir o algodão islâmico na produção de têxteis da Turquia para o envio para a Europa».