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Um homem novo

Da geração Z à geração X, os asiáticos têm vindo a derrubar as fronteiras de género tradicionais nos últimos anos, escutando novos reptos culturais. Um relatório recente mostra, todavia, a falta de diálogo que envolve a modernização dos papéis do homem no seio familiar, no local de trabalho e na sociedade da região em geral.

Nesta nova Ásia, não são apenas os millennials que desafiam o status quo – no meio das mudanças económicas e face à evolução das perceções sociais, a masculinidade está a ser redefinida por todas as gerações, analisa o portal de tendências WGSN.

Fluidez de género

Os elementos da geração Z estão a liderar o caminho da redefinição da masculinidade. Estes jovens personificam as mudanças fundamentais à volta do género e inclinam-se para estilos de vida mais flexíveis, demonstrando vontade de explorar e experimentar.

Fortemente influenciados pela cultura K-pop, estes jovens cresceram a idolatrar a fluidez de género. Até porque, é a primeira geração que não foi restringida pela pressão social asiática para “comportar-se como um homem”. A nova noção de liberdade está a fomentar identidades plurais.

Contudo, nem todos estão satisfeitos. Em dezembro de 2016, a Shanghai Education Publishing House lançou “Little Men” – o primeiro livro para jovens que visava cultivar a masculinidade e criticar a fluidez de género. O livro foi criticado até pelas franjas mais conservadoras da sociedade.

Os influenciadores

Para a grande maioria dos adolescentes asiáticos, vestir peças de roupa neutras e usar maquilhagem não é algo controverso – é o novo normal. Estes jovens acolheram este novo padrão de beleza e criaram plataformas para expressarem as suas personalidades diversas e promover este estilo de vida.

Apresentado como “Genderless Danshi”, este novo grupo de jovens está a construir identidades e carreiras públicas em torno da fluidez de género. Os looks andróginos dos Danshis, juntamente com a maquilhagem colorida, começam a atrair seguidores, especialmente entre os adolescentes. O movimento é forte no Japão e na Coreia do Sul, mas também adolescentes chineses estão a abraçá-lo.

As relações

A par disso, os jovens asiáticos mostram cada vez menos interesse nos relacionamentos e os casamentos e as taxas de natalidade estão a cair.

Cunhada no Japão em 2006, a expressão “herbivore man” (homem herbívoro) é usada para descrever homens tímidos e passivos. Mais de uma década depois, a expressão “fasting man” (homem em jejum) nasceu para descrever uma safra de indivíduos que não está interessada em mulheres ou relacionamentos.

A ascensão dos fasting men tem, no entanto, inúmeras repercussões: o aumento da instabilidade económica, o crescimento do número de mulheres voltadas para a carreira e uma maior aceitação das mulheres solteiras estão entre as principais.

Um estudo de 2016 sobre os millennials japoneses revelou ainda que 42% continuam virgens (face aos 36,2% em 2011) e que cerca de 75% dos homens não têm qualquer intenção de se casar, com 43,3% a referirem o dinheiro como obstáculo ao casamento.

Geração narcisista

Com a ascensão dos herbívoros e dos homens em jejum, uma onda de individualismo está a varrer a Ásia. Considerando que cada vez mais homens evitam o casamento e as obrigações familiares, o investimento tem sido egocêntrico. Segundo a consultora CBRE, os milionários asiáticos economizam 20% do seu rendimento e gastam 30% em atividades de lazer.

Na China, a autorrealização é uma prioridade dos jovens adultos. Comer e viajar sozinho tornou-se prevalente e, em termos de prioridades de compras, esses jovens valorizam produtos de alta qualidade com preços competitivos, o que lhes permite viver dentro das suas possibilidades.

Os homens de família

Os millennials casados estão a mudar também o significado daquilo que é ser um “bom pai”. A maioria dos homens da geração foi criada por baby boomers autoritários, que colocavam o trabalho em primeiro lugar. Atualmente, os jovens pais asiáticos estão a esforçar-se por passar mais tempo e construir uma conexão emocional mais forte com os seus filhos.

O equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal está, por isso, a assumir-se como uma prioridade para os millennials e os países da região Ásia-Pacífico estão a rever a legislação sobre a licença parental. Desde janeiro de 2017, os pais trabalhadores de Singapura têm direito a duas semanas de licença paga. O Japão também pretende aumentar a taxa de licença de 2,65% em 2015 para 13% até 2020. Na China, o fim da política do filho único permitiu uma maior flexibilidade.

Os kidults são o novo normal

Artilhada com um forte poder de compra, a geração X é a nova força motriz nos sectores da beleza, lazer e entretenimento. Em particular, o mercado kidult (termo que designa um adulto que gosta de comprar ou de fazer coisas que a sociedade considera serem dedicadas aos mais novos) tem prosperado.

Começando no Japão, o mercado kidult está agora a influenciar os artigos de consumo em toda a Ásia, levando ao florescimento de retalhistas cujo objetivo é providenciarem uma espécie de recreio para adultos. Em 2016, a Emart lançou a Electro Mart para atingir especificamente os consumidores masculinos na casa dos 30 e 40 anos. Vendendo desde drones a dispositivos inteligentes, este céu para os geeks capitaliza sobre os recentes hábitos de consumo dos membros da geração X.

Já a plataforma de comércio eletrónico Auction lançou a secção All About Kidult para responder à crescente procura da geração X. Em janeiro de 2017, a Kidult Expo foi apresentada no centro comercial Coex, em Seul.