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Um mundo de inovações

A maior feira dedicada ao desporto não deixou os seus créditos por mãos alheias. Ainda a meio, a Ispo Munich, que decorre até à próxima quarta-feira, já encheu as medidas de muitos expositores e foi o palco privilegiado para a apresentação das novidades do sector, incluindo as portuguesas.

Milhares de expositores irão continuar em Munique até quarta-feira, numa edição pautada, como habitualmente, por muitas novidades e também pela atenção cada vez maior dada à sustentabilidade.

A nível nacional, o primeiro dia da feira foi quase o dia de Portugal, com as ondas da Nazaré e a primeira Surf Village From Portugal by Praia do Norte em destaque. Sebastian Steudtner foi um dos embaixadores do surf em Portugal e das grandes ondas da Nazaré, numa conferência marcada pela exibição das imagens sempre impressionantes do Canhão da Nazaré. «A Nazaré foi um momento definidor da minha carreira», revelou o surfista alemão. Uma promoção que a Câmara Municipal da Nazaré está a aproveitar em pleno, incluindo com a presença na Ispo Munich, onde os trajes tradicionais nazarenos contrastam com os fatos inovadores da Onda, as pranchas de surf da Lightning Bolt e da Shaperoom, assim como os lanyards da Original Lanyards na ilha portuguesa dedicada ao surf. Como explicou o Presidente da Câmara da Nazaré, Walter Chicharro, ao Portugal Têxtil, «no fundo, tentamos dizer ao mundo que a Nazaré, para além de ser uma marca turística muito antiga, com 150 anos, consegue hoje em dia ter um refresh de imagem, em que conseguimos associar o tradicional – o pescador e a peixeira – com aquilo que é cada vez mais reconhecido atualmente, as suas ondas gigantes. Queremos mostrar ao mundo que continuamos atuais, estamos na moda e que nos devem visitar». E logo no primeiro dia foi «percetível alguma curiosidade da parte de todos aqueles que visitam a feira», acrescentou.

O Município da Nazaré não é, contudo, o único estreante português na Ispo Munich – onde, este ano, a participação nacional bateu o recorde, com 44 expositores, 25 dos quais apoiados pela Associação Selectiva Moda (ver Recorde nacional à vista). No grupo dos “novatos” constam ainda, entre outras, empresas como a Inovafil e a Clothius. «Os primeiros dois dias correram relativamente bem para uma primeira participação», indicou ao Portugal Têxtil Pedro Martins, responsável de mercado externo da Inovafil, acrescentando que a inclusão de cinco produtos no Ispo Textrends causou «algum impacto» junto dos visitantes e chamou a atenção para os fios da empresa, que apostou nesta primeira edição numa linha ecológica, incluindo poliéster reciclado, kapoc e algodão orgânico.

Apesar de estar apenas no segundo dia, a Ispo Munich já cumpriu os objetivos iniciais da Clothius, um novo projeto na área do seamless. «As expectativas estão superadas, a receção tem sido ótima», confessou Jorge Vale, diretor de produção da empresa.

Seja com novos projetos ou novos produtos, inovação é palavra de ordem na Ispo Munich, com as grandes referências do sector a apostarem todos os trunfos no certame, que anualmente atrai mais de 80 mil visitantes internacionais a Munique.

A portuguesa Berg, por exemplo, recebeu a distinção Ispo Award Winner para os seus ténis urbanos Jindo (ver Berg tem novidades), que combinam burel com cortiça e está a promover um concurso onde os visitantes da Ispo Munich podem deixar uma “bandeirinha” no país que gostariam de descobrir e assim candidatarem-se a que a marca portuguesa «patrocine a sua próxima grande aventura».

Na Marmot, a penugem foi ultrapassada pelo isolamento 3M Thinsulate, e na Salomon a inovação é feita com um casaco com membrana Gore-Tex Pro e um design mais flexível. Já na Patagonia, a ordem é para reciclar e arranjar. O cunho verde da marca americana está bem presente no stand, onde tem exposto casacos usados em aventuras e viagens por figuras do desporto, como é o caso do especialista em escalada Sean Villanueva O’Driscoll. “If it’s broke, fix it” (algo como “se está estragado, arranja”) é um dos slogans. O verde faz-se também sentir na Jack Wolfskin, que está a mostrar a Texapore Ecosphere,  que afirma ser a primeira membrana 100% reciclada. Na Vaude, a lã merino ocupa um papel de destaque, sendo proveniente de ovelhas tratadas de forma responsável e com a marca a destacar o facto de ser «um recurso sustentável e renovável, que é também suave para a pele». Esta toada ecológica está quase omnipresente, com o grande foco no stand da Sympatex a ser uma frase do seu CEO, Rüdiger Fox. «Acredito na “economia azul”. Tal como a natureza cria ecologias equilibradas, devemos também aprender a redesenhar a nossa economia como um sistema integrado e sustentável».

Uma tendência que está a marcar a Ispo Munich, que continua até à próxima quarta-feira, 8 de fevereiro.