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Uniqlo bebe inspiração na Zara

O fundador e presidente da Uniqlo, Tadashi Yanai, revelou recentemente que a Zara tem sido uma fonte de inspiração para o seu negócio em termos de estratégia de expansão internacional, numa altura em que se prepara para abrir a primeira loja Uniqlo em Espanha.

«Tenho muito respeito pela Inditex. Tal como nós, a empresa passou de um negócio local para um fenómeno global, com lojas por todo o mundo. A Zara tem sido um exemplo para nós, seguimos o seu caminho», afirma Yanai em entrevista à EFE, na sede da empresa-mãe Fast Retailing, em Tóquio.

O empresário de 68 anos, considerado o homem mais rico do Japão e o 35.º do mundo, nunca escondeu a sua ambição de superar a Inditex, a maior empresa de vestuário mundial. A marca nipónica, com um volume de negócios de 16,2 mil milhões de euros em 2016, ocupa o terceiro lugar no mercado mundial depois da Inditex e da H&M. «Não há dúvida de que podemos competir mas, por outro lado, acredito que somos marcas complementares. Enquanto a Zara se concentra em tendências, nós vendemos básicos com um elemento de moda. Isso significa que a Zara não é o nosso principal concorrente», explica Yanai.

A Uniqlo, que atualmente conta com mais de 1.800 lojas em 18 países, anunciou há dias a abertura do seu primeiro ponto de venda em Espanha, que abre portas no outono no Paseo de Gracia, em Barcelona. «Estou muito entusiasmado, queria abrir uma loja em Barcelona desde que visitei a cidade em 1991 ou 1992 com a minha família. É uma cidade muito artística, bonita e aberta», revela o presidente e CEO da Fast Retailing. O grupo emprega mais de 100.000 pessoas em todo o mundo.

A Uniqlo pretende abrir novas lojas em Barcelona e Madrid como parte da expansão em Espanha, que representa o sexto maior mercado europeu para a marca, depois do Reino Unido, França, Bélgica, Alemanha e Rússia.

Embora o número de lojas da marca no exterior ultrapasse agora os pontos de venda no Japão, a maioria da sua receita ainda é gerada no país de origem – um quadro que o seu presidente acredita poder mudar nos próximos dois anos. Quanto à estratégia de expansão global, o foco será colocado na Ásia, especialmente China e Índia, aponta Tadashi Yanai. A América Latina continua ainda em grande parte inexplorada pela Uniqlo, que abriu a primeira loja em Hiroshima em 1984 sob o nome de Unique Clothing Warehouse. «É um mercado desconhecido para nós. Talvez a abertura de lojas em Espanha nos ajude a chegar à América Latina e até mesmo a África», acredita.

Tadashi Yanai, que se orgulha de ter uma mentalidade global e aberta, procura contornar o crescente protecionismo comercial nos EUA, país onde a Uniqlo tem investido significativamente. «Não gosto de falar sobre política, mas as opiniões de Donald Trump parecem totalmente erradas para mim. “América Primeiro”? O protecionismo num país tão poderoso pode mergulhar o mundo no caos. Estou com medo», comenta Yanai.

O empresário japonês aponta também o dedo ao Brexit. A Uniqlo abriu a primeira loja no Reino Unido em 2001. «Não consigo entender por que motivo querem sair da União Europeia. [O Reino Unido] é um país que deve assumir a liderança no cenário mundial, em vez disso, está a fazer o oposto. É muito dececionante», declara Tadashi Yanai, que admite que a Uniqlo ainda não sentiu o impacto do Brexit.