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Vestuário explora Intocáveis

Vestuário fornecido às grandes marcas da Europa e dos EUA pela indústria indiana de vestuário está a ser produzido por jovens mulheres Dalit (ou Intocáveis, como eram anteriormente rotuladas no sistema de castas). O Centre for Research on Multinational Corporations (SOMO) e o India Committee of the Netherlands (ICN) afirmam que os esforços das marcas e retalhistas para melhorar as condições de trabalho nos seus fornecedores em Tamil Nadu falharam. Um relatório, batizado “Maid in India”, concluiu que apesar de várias «iniciativas bem-intencionadas», milhares de mulheres na indústria têxtil e de vestuário em Tamil Nadu trabalham sob recrutamento e esquemas de emprego semelhantes ao trabalho forçado. O documento concluiu que as trabalhadoras são recrutadas dentro e fora do estado e que a maioria é raparigas Dalit com menos de 18 anos. Vêm de famílias pobres e são atraídas com promessas de um salário decente, alojamento confortável e, em alguns casos, uma soma de dinheiro após a conclusão do contrato, que pode ser usada para o seu dote. Estas práticas de recrutamento e emprego são muitas vezes referidas como “Esquema Sumangali”. Os dois grupos que conduziram o relatório chegaram a mais de 70 marcas, retalhistas e agências de compras europeias e norte-americanas, incluindo a C&A, Diesel, American Eagle Outfitters, Primark, Decathlon. PVH, Quicksilver, assim como a fornecedores como a Crystal Martin, que alegadamente se aprovisionam de produtores exploradores. Embora reconheçam que várias empresas deram passos para eliminar o Esquema Sumangali, as práticas laborais abusivas continuam disseminadas, afirmam as ONG’s, que exigem agora iniciativas corporativas e outras por toda a cadeia de aprovisionamento para responder a este problema, com uma ênfase nos fornecedores de segundo nível. O estudo inquiriu 180 trabalhadores, analisou os dados de exportação e investigou as iniciativas corporativas, concluindo que os migrantes laborais muitas vezes vivem em alojamentos detidos pela fábrica com forte vigilância, onde têm poucas oportunidades de contactar com a família, quanto mais com sindicatos ou ativistas laborais. Concluiu também que os trabalhadores laboram muitas horas, em alguns casos até 24 horas seguidas, por salários baixos e sob condições pouco saudáveis. Abusos verbais e físicos são frequentemente mencionados. Muitas vezes, concluir um contrato de três a cinco anos é a condição para receber um montante fixo, que não é um bónus mas o resultado da retenção dos salários. Mesmo as mulheres que cumprem o prazo, muitas vezes não recebem a quantia acordada.

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