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Zara desafia El Corte Inglés

A nova flagship store da retalhista espanhola tem 6.000 metros quadrados, quatro andares e é a maior entre as mais de 2.200 lojas Zara que a Inditex abriu à escala global desde 1975. Situado a poucos metros da principal loja do El Corte Inglés no Paseo de la Castellana, em Madrid, o mais recente ponto de venda da marca de moda rápida reflete ainda as atuais tendências de retalho, numa altura em que a recuperação económica de Espanha está a devolver o tráfego às lojas.

Os gastos do consumidor estão a alimentar o crescimento económico do país vizinho, melhorando a performance tanto do grupo Inditex, que garante 17% da receita em Espanha, como do El Corte Inglés, com sede em Madrid. «Há uma mudança no modelo de retalho – de um lado temos os retalhistas de moda rápida e de outro os grandes armazéns como o El Corte Inglés», afirma Pedro Aguilar, analista de moda da Euromonitor, ao portal Bloomberg. «Em ambos os casos, há necessidade de adaptação», acrescenta.

A Inditex abriu a primeira loja Zara em 1975, embarcando a partir daí numa história de crescimento que fez do fundador Amancio Ortega o quarto homem mais rico do mundo (ver Sr. Zara arrecada mil milhões).

Além do tamanho, a nova flagship store da retalhista espanhola em Madrid tem coleções exclusivas, é amiga do ambiente e em breve vai ter provadores interativos. Como avançou o jornal El Mundo, o edifício quer também valorizar a poupança, tanto na eletricidade, como na água. Aliás, existe um compromisso das lojas Zara para que, até 2020, sejam ecossuficientes. A eletricidade tem de ter uma poupança de 20% e a água de 40%.

A nova loja Zara conta com 21 terminais de pagamento, 180 funcionários e um armazém com três mil metros quadrados no qual se faz reciclagem – os clientes podem deixar ali as roupas que já não usam para que estas sejam recicladas ou doadas.

O sucesso da Zara tem também por base a rapidez e a eficiência da cadeia de aprovisionamento e distribuição, colocando rapidamente em loja a peça mais cobiçada do mês, explica Tom Gadsby, analista de retalho da Liberum Capital, em Londres. Ainda que a Inditex tenha divulgado que pretendia reduzir os seus planos de expansão de lojas físicas para se concentrar mais nas vendas online, a nova flagship vem encaixar-se noutra vertente da sua estratégia de retalho, que passa pela abertura de lojas icónicas com uma identidade distinta. «Todo o negócio é projetado para vender o que as pessoas querem usar agora», destaca Gadsby.

Fundados em 1940, os grandes armazéns El Corte Inglés herdaram o nome de uma pequena loja de alfaiataria em Madrid. Os atuais 94 pontos de venda em Espanha e Portugal são o núcleo do negócio, oferecendo tudo, desde alimentação a vestuário, livros a eletrónica. O El Corte Inglés tem também supermercados e lojas de bricolagem e criou uma marca de vestuário própria, a Sfera, cuja oferta rivaliza com a Zara e Primark. «O El Corte Inglés cria uma alternativa para todas aquelas pessoas que não querem moda rápida», aponta Aguilar. «O que o El Corte Inglés faz é chegar a esse outro tipo de consumidor que procura diferenciar-se, que procura algo mais do que as peças da Zara», refere.

O domínio do grupo Inditex no retalho de vestuário permanece contudo inabalável, considerando que o lucro triplicou para mais de 3 mil milhões de euros na última década. Ainda assim, a margem bruta caiu de 57,8% para 57% nos 12 meses até janeiro, como resultado da maior concorrência entre os retalhistas de vestuário.

Enquanto isso, o El Corte Inglés continua a recuperar da crise financeira espanhola. O volume de negócios diminuiu para 14,2 mil milhões em 2013 e aumentou para os 15,2 mil milhões de euros em 2015.