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1.000 milhões para América Central

Nos últimos 12 meses, os investidores injectaram mais de 600 milhões de dólares na região. Até agora a Guatemala, as Honduras, El Salvador, a Nicarágua e a República Dominicana implementaram o Acordo de Comércio Livre da América Central (CAFTA-DR) para beneficiarem do comércio livre com os EUA. A Costa Rica, contudo, tem ainda de ratificar o tratado, o que deverá acontecer para o final de 2007.A semana passada, a produtora mexicana de denim Parras anunciou planos para gastar 35 milhões de dólares na construção de uma fábrica na Guatemala. As rivais americanas Cone Denim e Green Valley comprometeram-se em quase 200 milhões de dólares com a região enquanto outras empresas americanas e coreanas asseguram o restante.Mas os líderes das indústrias presentes na 16ª Apparel Sourcing Show na Guatemala, que terminou a 19 de Abril, disseram que a região pode conseguir de 600 a 1000 milhões de dólares, aumentando o total para 1,6 mil milhões de dólares.Contudo, admitem que o objectivo será difícil de atingir a não ser que a região implemente reformas públicas e privadas para melhorar a sua posição relativamente aos rivais asiáticos, que continuam a captar parte da sua quota de exportação para os EUA. O governo tem de trabalhar para criar uma rede de investimento mais segura e estável enquanto mais produtores têm de organizar uma cadeia de produção completa totalmente integrada para fornecer os consumidores americanos mais rápido e de forma mais fiável que os chineses.Segundo os observadores na mostra de vestuário, os produtores têm de fazer mais para atrair para os seus negócios investidores internacionais, porque apesar de haver avanços importantes nesta matéria, estes não têm sido suficientes.«É preciso uma mudança de mentalidade», diz Walter Wilhelm, director-executivo da consultora de negócios Walter Wilhelm Associates. «Estas indústrias representam 50 a 70% das exportações em muitos destes países mas muitas companhias estão paradas, à espera que os investidores batam à porta».A acrescer a tudo isto, continua Wilhelm, os bancos da região abandonaram a indústria (devido ao aumento do crédito mal parado) e os governos poderiam fazer mais para ajudar o capital da indústria ao apoiar empréstimos, fazendo créditos e procurando investidores estrangeiros.Carlos J. Zuniga, o director técnico da comissão de impostos da Nicarágua, a Comissão Nacional de Zonas Francas, está confiante que a região pode responder aos desafios. Se mantiver as reformas e a Costa Rica ratificar o CAFTA-DR, o que deverá acontecer até ao fim do ano, pode atrair 1.000 milhões de dólares.Mas Carla Caballeros, directora-geral da Comissão da Indústria Têxtil e de Vestuário da Guatemala (VESTEX), afirma que as estimativas de Carlos Zuniga são "exageradas".«Podemos conseguir 600 milhões de dólares se conseguirmos meia dúzia de fábricas aqui" disse Carla Caballeros, acrescentando que a Guatemala tem um programa ambicioso para atrair mais capital estrangeiro para o seu território e que o investimento potencial é enorme.Segundo a mesma fonte, o mercado de exportações de vestuário da América Central para os EUA ronda os 8,4 mil milhões de dólares, sendo necessário 4 mil milhões de metros de tecido. Contudo, a região produz menos de 50 milhões de dólares desses tecidos e é obrigada a importar o restante dos EUA ou da Ásia, pagando impostos e aumentando o custo de produção.É por tudo isto que obter investimento adicional é tão imperativo para uma indústria que está a lutar para construir uma indústria de vestuário integrada e eficiente a nível dos custos, para aumentar o seu retorno e recuperar o mercado que perdeu para os chineses.Eric Autor, vice-presidente da Federação Nacional de Retalho (NFR), diz que a indústria enfrenta uma batalha difícil para atingir os seus objectivos a não ser que implemente rapidamente a provisão cumulativa do acordo CAFTA-DR – México, que vai permitir aos produtores locais usar tecidos e matérias-primas mexicanas na confecção do vestuário para o exportar para os EUA sem impostos.Enquanto as negociações têm sido lentas e complicadas, os líderes da indústria esperam que a legislação entre em vigor até ao final de 2007.«A indústria dificilmente pode aguentar mais atrasos», afirma Autor, reiterando a opinião de outros observadores sobre as acções necessárias para fortalecer o sector para fornecer os EUA.Eric Autor culpa a terrível implementação do CAFTA-DR e o acordo cumulativo pendente por levar à queda de 9% nas exportações de vestuário para os EUA no ano passado.«Lamento dizer que as expectativas não foram atingidas. Não estamos a ganhar terreno», conclui Autor.