Início Notícias Gerais

10 ideias interativas – Parte 1

O festival South by Southwest (SXSW), que se realiza anualmente na cidade americana de Austin, reúne um conjunto de eventos de cinema, música e tecnologia, explorando conceitos relacionados através da promoção de conferências e debates, eventos comemorativos e lançamentos inéditos, que escolhem este palco contemporâneo para a primeira aparição. Da recente edição resultaram 10 ideias-chave que vão ditar uma nova era tecnologicamente interativa. Transmissão em direto bloqueada O lançamento do aplicativo Meerkat, que permite a transmissão de vídeos em direto através da rede social Twitter, veio confirmar a crescente importância e popularidade desta categoria de comunicação no espaço das redes sociais e relembrar o papel do festival enquanto evento promotor das tecnologias emergentes. O evento deste ano foi ensombrado pelo anúncio da rede social Twitter, admitindo a intenção de bloquear a utilização do aplicativo depois da aquisição da ferramenta rival Periscope, uma decisão que não foi bem recebida pela comunidade, que indica a colaboração entre os vários peões da indústria como um fator essencial ao progresso da mesma. Desde o lançamento do aplicativo há três semanas, o número de utilizadores já ultrapassou os 120 mil iniciais, entre os quais se incluíam o skater Tony Hawk e o ator e investidor em startups Ashton Kutcher. O reconhecimento surgiu mesmo antes da divulgação feita em várias sessões do festival, com transmissões em direto de vários oradores, incluindo a atriz Julia Louis-Dreyfus e a reconhecida celebridade do YouTube Michelle Phan. Subsiste a dúvida sobre a capacidade deste aplicativo superar as barreiras impostas pelo mercado digital e manter o frenesim inicial, derivado do efeito da novidade. Os robots estão a caminho A inteligência artificial foi um dos temas largamente explorado no âmbito do festival, evidenciado pela comunicação de Martine Rothblatt, CEO da empresa de biotecnologia United Therapeutics, e pela campanha de marketing do aplicativo da rede social de encontros amorosos Tinder. Rothblatt destacou diversas ideias, entre as quais a criação de clones da mente, tendo por base os conteúdos que cada indivíduo publica nas redes sociais, e a abordagem da tecnologia como um meio de perpetuar a existência. Entretanto, os utilizadores da rede Tinder presentes no SXSW tiveram a possibilidade de interagir com o que pensavam ser uma utilizadora de 25 anos, de nome Ava, que era efetivamente um programa de computador inspirado na atriz sueca Alicia Vikander, que desempenha o papel de uma inteligência artificial no filme Ex Machina. O festival recebeu também uma manifestação que apelava à extinção dos robots, parte de uma campanha de marketing para a promoção do aplicativo de encontros amorosos Quiver. Tecnologia de vestir em cima da mesa Um dos temas em destaque na secção tecnológica do SXSW foi o desenvolvimento, expansão e utilização da tecnologia wearable. Em vésperas do lançamento do novo Apple Watch, o tema marca a atualidade e foram dedicadas várias sessões ao debate e exposição das potencialidades, limitações e expectativas para o novo desenvolvimento da gigante americana da tecnologia. Uma das comunicações mais destacadas foi apresentada por Sandra Lopez, diretora de wearables, desenvolvimento de negócios e estratégia de marketing para a moda da empresa tecnológica Intel. De forma desafiadora, Lopez afirmou que o termo wearable deveria desaparecer e o foco deveria ser colocado na criação de tecnologia invisível. Travis Bogard, vice-presidente de gestão de produto e estratégia na Jawbone, que desenvolve dispositivos tecnológicos de fitness, defendeu que «primeiramente tem de ser wearable e depois podemos debater as suas funcionalidades. Tem de ser algo que queiramos usar de qualquer forma e depois podemos esconder a tecnologia». O debate sobre a preferência da forma em detrimento da funcionalidade não é recente, mas Rebeccah Pailes-Friedman, fundadora do grupo Interwoven Design, analisou a temática adiantando que a indústria deve concentrar-se na exploração da supercomputação a um nível micro. «Estamos a incorporar a tecnologia nas fibras e depois comunicaremos a informação a partir dos espaços comerciais aos tecidos utilizados pelos consumidores», explicou. Do jardim ao ecossistema O debate sobre os wearables conduziu à abordagem das consequências da utilização breve e descartável dos dispositivos tecnológicos. «O futuro passará por oferecer variedade e customização, mas o fundamental é assegurar que os diversos dispositivos conectados funcionam em conjunto», afirmou Brandon Little, diretor criativo do grupo Fossil. A tecnologia wearable é, neste momento, «um jardim cercado», sublinhou Simon Pearce, fundador da empresa Fabric Branding, adiantando que a partilha de informação é ainda limitada. «Os dispositivos devem ser capazes de comunicar entre si e, enquanto utilizador, tenho de ser capaz de utilizar a minha informação e combiná-la de forma lógica e personalizada», acrescentou. Mike Bell, vice-presidente do grupo New Devices da Intel, revelou que «na Intel estamos a estimular as empresas a competir em função do mérito e não pela quantidade de informação armazenada de que dispõem. O consumidor sairá beneficiado». A combinação de dados será lucrativa numa fase inicial, mas rapidamente as empresas irão compreender a necessidade de integrarem os dispositivos num ecossistema mais alargado. «A sanidade prevalecerá», garantiu. Privacidade redefinida A congregação e partilha de informação suscitam, frequentemente, questões relativas à salvaguarda da privacidade. John C. Havens, autor do livro “Hacking H(app)iness”, sugere uma redefinição do conceito. «Estou cansado da palavra privacidade», desafiou. «Lembra-me o conceito de preferência. Tu gostas de partilhar fotografias e eu não gosto», acrescentou. A informação passiva é uma realidade, admitiu, sugerindo que a existência de um dispositivo que nos conhece melhor que nós próprios não é um malefício, é simplesmente um facto. Cabe agora ao utilizador interpretar essa informação de forma a melhorar o seu quotidiano, afirmou. O novo aplicativo Pplkpr é um exemplo óbvio desse paradigma, utilizando localização GPS, medições do ritmo cardíaco e funções de diário relata o comportamento do organismo em presença de terceiros e permite decifrar quais representam um benefício para o bem-estar do utilizador e aqueles cuja companhia deve evitar. Por outro lado, o cinto de segurança será capaz de aferir a frequência cardíaca e a respiração, determinando se o utilizador necessita de parar a marcha e descansar. Esta tecnologia poderá estimular um comportamento responsável e conduzir quando cansado poderá tornar-se uma atitude censurável, à semelhança do que já acontece com a condução sob o efeito de álcool. «Culturalmente, esta informação irá promover uma maior responsabilização dos indivíduos», resumiu. Na segunda parte do artigo serão relatados mais cinco ideias-chave do festival SXSW, que contemplam uma abordagem variada de temáticas da atualidade, desde o empreendedorismo feminino ao paradigma da realidade virtual, a importância da disciplina colaborativa, a moda e a inovação na indústria do retalho como motores de exploração do setor tecnológico em transformação constante.