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10 ideias interativas – Parte 2

Entre as conferências, debates e apresentações promovidas no segmento tecnológico do evento, destacaram-se temas como a crescente importância da tecnologia wearable, a transmissão em direto como forma emergente de comunicação nas redes sociais, a inteligência artificial aplicada ao quotidiano e a exposição de dados pessoais, inevitavelmente associada à questão da proteção de dados e salvaguarda da privacidade. (ver 10 ideias interativas – Parte 1) Empreendedorismo no feminino A participação feminina esteve em destaque nesta edição do SXSW, contando com a participação de diversas oradoras, dedicadas à comunicação da importância da conquista de poder das mulheres. Em destaque entre o painel de conferencistas encontrava-se a Princesa Reema Bint Bandar Al-Saud da Arábia Saudita, CEO demissionária do retalhista de luxo Alfa Intl. Al-Saud foi pessoalmente responsável pela contratação de 100 mulheres após a legalização da integração da mulher no mercado de trabalho saudita e tem desenvolvido campanhas de sensibilização para o cancro da mama, um assunto particularmente tabu no país. Por sua vez, Jennifer Hyman, CEO e cofundadora da empresa Rent the Runway, dedicada ao empréstimo de peças de vestuário e acessórios, enfaticamente destacou a importância da igualdade de géneros no sector tecnológico e do retalho. Uma das limitações, apontou Hyman, é o facto dos capitalistas de risco investirem segundo uma lógica perigosa de reconhecimento de padrões, em indústrias comprovadas e modelos de negócios confirmados em detrimento de novos processos. O futuro da realidade virtual Apesar da realidade virtual ter sido um tema transversal à conferência, o consenso entre as várias entidades convidadas indica que a sua aplicação não deverá alcançar o quotidiano de forma generalizada nos próximos anos. Mas a fronteira entre realidade aumentada (imagens sobrepostas ao ambiente real) e realidade virtual (um ambiente totalmente simulado) continuará a esbater-se, salientaram os entrevistados. «Se interagimos com algo como se fosse real, ele torna-se real. Isto marca uma mudança conceptual na sociedade. Vai ser uma grande revolução mas há ainda alguns desafios», afirmou Jay Iorio, diretor de inovação da Associação IEEE Standards. Os especialistas em tecnologia têm ainda de aprender a contar histórias em realidade virtual e compreender o que significa sobrepor o mundo real ao digital de forma tão drástica. A convergência de ambas as realidades representa um potencial para a interatividade com a emergência da “Internet das Coisas”. «A cidade aumentada parece o caminho a seguir pela realidade aumentada, onde podemos interagir com tudo no mundo real. Existe muita informação com a qual vamos poder interagir», defendeu Alex Oser, gestor de desenvolvimento de negócio da Metaio, que se dedica à criação de soluções de realidade aumentada. Disciplina de colaboração Paola Antonelli, curadora de arquitetura e design do MoMA, discutiu a convergência entre as indústrias criativas, em particular a crescente influência da biologia sobre a tecnologia e o design. «Criar pontes com outras disciplinas e construir uma fluência nesse campo é importante, assim como a reunião de indivíduos com formação variada como forma de o alcançar», adiantou, dando como exemplo diversos projetos do MoMA, entre eles o dispositivo detetor de doenças cancerígenas desenvolvido por Susana Soares, que recorre à sensibilidade olfatória das abelhas, e o pavilhão do bicho-da-seda criado por Neri Oxman. Ryan Craver, vice-presidente do grupo Lamour, refletiu esta ideia no ambiente contemporâneo do retalho, salientando a necessidade de nova informação e parcerias, essenciais ao sucesso do sector. «Até 2020, 80% do mundo terá smartphones e esperará uma experiência melhor. A melhor investigação a fazer passa por observar o que está a acontecer na indústria e aplica-lo às próprias unidades. Existe uma mudança consciente na forma como as pessoas esperam ser servidas», explicou. Moda em destaque O conceito esteve presente ao longo de toda a semana do evento, despoletado pelas combinações e acessórios exibidos pelos convidados e participantes mas também pelos painéis repletos de figuras de relevo da indústria como Nicola Formichetti da Diesel, Joe Zee da Yahoo, Eva Chen da revista do sector Lucky Magazine e a modelo internacional Karlie Kloss. A moda tem sido uma presença assídua no SXSW, contando com a participação frequente de marcas como Burberry, Calvin Klein e Net-a-Porter. Este ano, a discussão alargada sobre a indústria abordou a crescente relevância da tecnologia no âmbito dos processos utilizados e produtos desenvolvidos pelo sector da moda, para quem os emergentes meios tecnológicos representam uma ferramenta essencial ao seu desenvolvimento. Por sua vez, o sector tecnológico encara a indústria da moda, cada vez mais, como uma área de potencial expansão, conjugando know-hows particulares e potenciando as qualidades de ambos os sectores. Despacho fracassado A inovação no sector do retalho foi um dos aspetos amplamente debatidos no âmbito do evento tecnológico, que teve em consideração o novo paradigma da moda, abordando questões como a aquisição de produtos e respetivo pagamento através de dispositivos móveis e as análises preditivas como uma potencial ferramenta na gestão das perturbações nos processos de expedição. «Temos de banir a FedEx e a UPS», desafiou Jennifer Hyman da empresa Rent the Runway, apelando simultaneamente à criação de novas soluções que permitam estabelecer uma conexão eficiente. Hyman destacou que os sistemas de expedição americanos necessitam de ser reformulados de forma que os negócios baseados em plataformas de e-commerce possam alcançar margens de lucro sustentáveis. «Precisamos de aumentar o peso do comércio eletrónico, ultrapassar o valor atual de 10% do total das vendas a retalho para 30% ou 50% e, para tal, é necessário alterar os métodos de expedição», explicou. Stephanie Palmeri da SoftTech VC concordou, acrescentando que os investidores estão em busca de soluções otimizadas de expedição.