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15 anos de presidência chegam ao fim

Linda J. Wachner, que já se encontrou entre os empresários mais bem pagos, tendo sido a mulher de negócios mais conhecida na América, foi despedida no passado dia 18 do seu cargo de directora geral do grupo Warnaco. Em 1990 ela teve um grande sucesso em Wall Street ao transformar um fabricante de soutiens numa poderosa casa de jeans e lingerie, mas recusou abandonar o controlo da empresa mesmo vendo o seu império entrar em falência no início deste ano. Quando a administração se encontrou para decidir se ela devia permanecer ou não, o único voto a favor foi o dela. Wachner pode descrever-se como sendo uma chefe muito dura e rude, mas mesmo assim ganhou a confiança dos investidores por fechar negócios e criar estabilidade em marcas como a Calvin Klein Jeans e a Speedo, que conseguiram atingir 455 mil milhões de contos por ano em vendas. Mas o estilo abrasivo que lhe permitiu ganhar o seu lugar na direcção, dizem os investidores que também fez com que ajudasse a afundar a empresa. Mesmo depois de ter sido tratada por indigna e processada pela Calvin Klein, ela insistiu que merecia uma grande compensação mesmo quando as vendas começaram a cair e surgiam dúvidas sobre as suas contas. Numa entrevista feita a 18 deste mês, Wachner colocou uma tónica positiva na sua partida sem personalizar criticas sobre a duração da sua liderança. “Nós chegámos a um ponto onde estava claro que era altura de seguir em frente”, afirmou Linda Wachner numa voz determinante e alegre. “Eu estou orgulhosa do meu currículo ao ter criado uma das maiores marcas no negócio, e desejo à empresa tudo de bom”. O único comentário da Warnaco em relação à saída de Wachner chegou através de uma declaração escrita. “Com o processo de reestruturação da Warnaco em fase de andamento, a comissão acredita que este é o momento certo para uma mudança na liderança. Nós agradecemos a Linda Wachner pelo seu generoso apoio à empresa durante 15 anos de liderança e desejamos-lhe tudo de bom nos seus novos projectos”, afirmou Harvey Golub, presidente do comité de reestruturação. Os investidores que há muito pediam a substituição de Wachner pareciam satisfeitos pela acção tomada pela comissão mas, ao mesmo tempo frustados por não terem agido mais cedo. “Nós gostávamos que isto tivesse acontecido muito mais cedo”, adiantou Brad Pacheco, porta voz do California Public Employees Retirement System, mais conhecido como Calpers, que possuía uma grande fatia da Warnaco antes da falência. No seu apogeu, a Warnaco apresentou fortes aumentos nas vendas e parecia cheia de potencial. Sendo uma mulher pioneira na liderança de uma grande empresa, Linda Wachner estava constantemente sob as luzes da ribalta. A revista Fortune nomeou-a a mulher de negócios mais bem sucedida no ano de 1992. Em 1998, as acções da companhia chegaram a atingir 10 082 escudos cada. Mas, tudo se começou a desvendar em 2000 á medida que os ganhos iam descendo. Wachner culpou a falha de várias lojas que eram seus maiores clientes. Em Maio do mesmo ano tornou-se claro que os problemas da Warnaco eram bem mais graves. Numa acesa luta pública, a empresa foi processada pela sua mais proeminente licença, a Calvin Klein, que pretendia terminar o contrato que tinha com a Warnaco para a fabricação de jeans com a sua marca. A petição, foi resolvida em tribunal, mas não antes de alguns depoimentos terem sugerido que a Warnaco aumentou a suas vendas produzindo mais jeans e lingerie do que poderia vender a full-price. Esta acção judicial serviu perfeitamente para o ataque feito a Wachner por Klein que a tratou por abusiva e não profissional. Quando a Warnaco divulgou as suas receitas para o ano fiscal de 2000 na Primavera, a empresa alarmou os investidores apresentando uma perda de 76 milhões de contos. Os números finais poderiam até ser bem piores. Depois de uma investigação feita pela Securities and Exchange Commission, a Warnaco anunciou em Agosto que esperava apresentar de novo receitas descendentes para os próximos três anos. Os accionistas descontentes lançaram acções judiciais acusando Wachner de ocultar a verdadeira e precária condição financeira em que a Warnaco se encontrava. “Mesmo até ao final, quando ela prometia que as coisas estavam a ficar melhores, ela mentia” afirmou Herb Black – um accionista maioritário que apresentou uma das queixas, “quando o barco estava a afundar, ela não só tentou convencer-me de que uma reviravolta estava eminente, como também me pressionou para pedir aos amigos para comprarem acções, pois era uma oportunidade de ouro”. Enquanto as acções caiam para 88 escudos, Wachner manteve-se no comando apoiada por toda a administração, que insistia que ela era a única que podia dar uma reviravolta na situação e reerguer a empresa. Para uma administração alterar os seus qudros superiores, é obrigada a pagar indemnizações para poder efectuar a quebra do contrato. Mas mesmo que a comissão da Warnaco quisesse, o contrato de Wachner era tão lucrativo que pagar-lhe poderia levar a empresa à ruína. Os termos do seu contrato de trabalho declaravam que após o termino do mesmo Wachner deveria receber cinco vezes o seu mais alto ano de salário e bonús, aproximadamente 10 milhões de contos. Quando a companhia pediu falência, o contrato foi anulado. A administração, com algumas condições adicionais, poderia ter chegado a acordo com Wachner, mas as partes divergiam quanto ás condições. Agora Linda Wachner terá que recurrere ao tribunal caso pretenda que alguma parte da sua indemnização seja paga. “No final do dia ela vale mais do que a empresa”, adiantou um perito em indemnizações, Graef Crystal, que estima que desde 1993 até 1999 Wachner ganhou 36 milhões de contos em salário e bónus. “Ela provou que pode haver uma correlação negativa entre o que se recebe e a performance”, afirma Crystal. Antonio C. Alvarez Jr., um especialista em recuperar empresas que foi recrutado no passado mês de Maio para tentar ajudar a companhia, foi nomeado imediatamente director geral. Linda Wachner continuará a sentar-se na mesa geral da administração mas Buchalter sucede-lhe como presidente.