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1ª classe mexicana

Tendo já superado o Brasil, o peso da classe de luxo do México deve ser acompanhado de perto. Depois de ter subido 11%, para 14 mil milhões de dólares (aproximadamente 12,9 mil milhões de euros) em 2015, o México ultrapassou o país mais rico da América Latina e assumiu-se como o mercado de luxo da região.

Com a expansão dos sectores do automóvel, beleza e turismo, o México começa a posicionar-se como um importante ator no palco de luxo, analisa o portal de tendências WGSN.

Retalho de luxo em casa

De acordo com o Euromonitor International, as vendas de artigos de luxo no México deverão aumentar em 34% entre 2014 e 2019, transformando o país num dos 10 mercados de mais rápido crescimento no mundo durante os próximos cinco anos. «O mercado mexicano está, sem dúvida, numa fase de maturidade na qual o comportamento dos consumidores mostra uma consciência crescente sobre os bens de luxo», explicou Abelardo Marcondes, presidente do Luxury Lab, um fórum anual de marcas de luxo. Agora, e depois de anos a viajar para os EUA em busca de artigos de luxo, os mexicanos podem comprar marcas de primeira linha na vizinhança.

Em novembro último, os grandes armazéns El Palacio de Hierro abriram o maior espaço dedicado ao luxo na América Latina. Apresentando-se como um investimento de mais de 300 milhões de dólares e o maior nos 125 anos de história da cadeia, o espaço localizado no bairro trendy de Polanco, Cidade do México, inclui lojas das marcas de luxo mais emblemáticas do mundo, incluindo Prada, Chanel, Balenciaga e Givenchy, e também dispõe de excelentes restaurantes, serviços de beleza e personal shopping.

Para competir com os grandes armazéns, a Saks Fifth Avenue México está também a expandir a presença local. A retalhista planeia acrescentar cerca de 15 lojas a um dos seus espaços na Cidade do México e prevê a abertura de uma terceira loja na cidade.

O contributo dos Dinks e dos Dinkys

O que motiva este florescimento do luxo no México? De acordo com o WGSN, os “DINKs” representam um dos principais catalisadores deste boom. Os casais com “Double Income, No Kids” (com dois rendimentos e sem filhos) duplicaram desde 2005, devido ao aumento de mulheres focadas na sua carreira profissional e à tendência crescente para o adiamento da gravidez. «Estamos a falar de casais relativamente jovens com elevado poder de compra, porque trabalham e têm renda disponível para que se possam dedicar a decorar as suas casas», explicou Carlos Miranda, vice-presidente do Grupo Axo.

Os casais também estão a gastar mais em itens não-materiais, como refeições e viagens. Ainda assim, 7 em cada 10 DINKs mexicanos tem intenção de ter filhos, eventualmente, sendo, por isso, designados como DINKYs – Double Income, No Kids, Yet (casais com dois rendimentos, ainda sem filhos).

Tatiana Romero, de 27 anos, refere que ela e o parceiro estão a desfrutar do seu poder de compra e da capacidade de cuidarem de si, que surge como resultado de duas fontes de rendimento e de não terem filhos, mas sonha «em casar e ter filhos».

O peso do sector automóvel

O México possui uma forte cultura automóvel, especialmente na Cidade do México, capital de luxo do país. Em 2020, a indústria automóvel mexicana deverá chegar a um nível de produção de cinco milhões de unidades e as marcas de carros de luxo estão atentas.

No final de 2015, a Tesla anunciou a comercialização do seu modelo elétrico S no mercado mexicano. Com um preço a rondar os 75.000 dólares e alcançando os 425 km sem recarga, o modelo S demonstra o interesse do México no transporte sustentável.

A marca está a expandir a sua rede de estações Superchargers para lá da Cidade do México e deverá mesmo abrir o primeiro espaço no segundo trimestre de 2016. Recentemente, a Aston Martin abriu portas em Polanco.

A par disso, o México está a transformar-se num centro em expansão para o segmento de luxo da indústria automóvel e, até ao final da década, o país deverá assumir-se como o quarto maior fabricante de carros de luxo alemães, depois da Alemanha, China e EUA.

Em 2017, a Mercedes-Benz e a Infinity vão começar a produção, seguida pela Audi, em 2018 e pela BMW, em 2019. «Haverá um aumento substancial de capacidade no mercado de luxo», adiantou Bernhard Eich, diretor da BMW para a planta de San Luis Potosí, acrescentando que o México tem boa qualidade de produção, talentos de engenharia e uma indústria de peças nacionais em expansão. «Aproximámo-nos do México porque conhecíamos as suas vantagens», sublinhou Eich

Impulsionar o turismo

O México é, há décadas, um destino turístico de primeira linha para os americanos. E à medida que a Cidade do México vai construindo a sua reputação como a localização mais segura do país, os millennials estrangeiros estão a optar por ficar em hotéis mais pequenos, intimistas e trendsetting localizados na capital. «O México é sobre experiência, mas também sobre acesso e exclusividade», analisou Rafael Micha, proprietário do Grupo Habita, que tem 12 hotéis em todo o país.

Micha revelou que, desde 2000, quando o Grupo Habita abriu o Habita Hotel em Polanco (que detém a maior renda por metro quadrado no país), a área tem vindo a mudar de forma drástica.

À medida que o país vai sendo destacado pelo luxo, novas rotas aéreas vão expandindo a sua paisagem turística. Em janeiro de 2016, a Air France lançou um serviço de três semanas entre Paris-Charles de Gaulle e a Cidade do México e espera tornar o serviço diário já a partir de março.

Os turistas chineses também estão particularmente interessados ​​em visitar o México, de acordo com uma pesquisa de 2015 promovida pela Travel Zoo. Em comparação com destinos como Japão e Taiwan, o México e outras áreas da América Latina são consideradas exóticas e caras. «Os chineses ricos estão, mais do que nunca, a apreciar viagens a locais exóticos menos visitados pelos seus pares», afirmou Liu Simin, do centro de estudos em turismo na Chinese Academy of Social Sciences. «Os países latino-americanos vão transformar-se, em breve, nos favoritos dos chineses, especialmente dos ricos», acrescentou.

O contributo da beleza

O sector de beleza, em particular, está a revelar-se fundamental para um mercado de luxo em expansão – ao subir 3,8% no primeiro semestre de 2015 e deslocando-se para as cinco principais categorias de crescimento.

Desde a abertura da flagship em novembro último, a El Palacio de Hierro apresentou um lucro recorde no sector da beleza – um crescimento de 160% em relação às vendas de novembro de 2014. Os grandes armazéns investiram alto na sua oferta de beleza ao duplicar o espaço disponível e ao introduzir coleções e produtos exclusivos de marcas como Guerlain, Prada, Dior, Sisley e Carolina Herrera.

A L’Oreal também teve um 2015 sólido – a marca espera chegar a 40 milhões de mexicanos através dos seus vários canais de beleza durante os próximos cinco anos.