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20 prémios no primeiro dia

As primeiras horas da Techtextil e da Texprocess foram preenchidas com a entrega de prémios a conceitos, produtos e tecnologias onde os têxteis são “reis e senhores” e a inovação palavra de ordem. Entre os 20 projetos vencedores, um é de origem portuguesa mas com sotaque brasileiro.

O primeiro dia da feira de têxteis técnicos e não-tecidos Techtextil e da sua “irmã” Texprocess, destinada ao processamento de têxteis e materiais flexíveis, foi dedicado à distinção de quem inova. Às 10h, Dirk Wiese, Secretário de Estado do Ministério da Economia e Energia, abriu oficialmente as portas das duas feiras e apenas meia hora depois, um enérgico Ingolf Baur, o apresentador de serviço, começou a enumerar, um a um, os vencedores, e o mérito, de cada um dos Techtextil Innovation Award e dos Texprocess Innovation Award.

Na 14.ª edição, os Techtextil Innovation Award distinguiram oito produto, selecionados por um júri internacional, do qual fez parte Braz Costa, diretor-geral do Citeve.

Na categoria “nova aplicação”, os vencedores foram o centro de investigação têxtil belga Centexbel (Bélgica) e a alemã Peterseim Strickwaren. O aparelho inteligente de apoio ao joelho do Centexbel ajuda os pacientes durante a fase de reabilitação após operação ao joelho. «Um inovador sensor têxtil mede em tempo real o ângulo do joelho, comunica isso a uma plataforma TI e dispositivos móveis», explicou o apresentador dos prémios. Já o SEAL, da Peterseim Strickwaren, consiste numa malha de basalto que protege os sistemas marítimos, como boias, dos efeitos ambientais, nomeadamente do crescimento de algas, e reduz os custos de manutenção até 40%.

Na categoria “nova tecnologia”, a empresa alemã V. Fraas – Solutions in Textiles convenceu o júri com a sua SITnet, uma rede de segurança para cargas que se distingue pelos pontos de junção para os cintos, que são tricotados em vez de cosidos. Dessa forma, a rede é completamente plana, uniforme e capaz de aguentar pesos maiores do que os produtos convencionais. A Vetex NV, uma empresa belga especializada em tecnologia de revestimento e laminagem, também ficou entre os vencedores nesta categoria. A sua tecnologia OC2PUS permite que um revestimento de poliuretano seja aplicado a substratos têxteis, isto é, funcionalize têxteis, sem a utilização de solventes, como o controverso dimetilformamida (DMF). Para isso são usadas resinas de poliuretano desenvolvidas especialmente, que endurecem quimicamente durante o processo de revestimento.

Na categoria “novo produto”, a startup alemã Texlock foi escolhida pelo seu inovador cadeado de bicicleta, à base de têxteis, que é leve, flexível e não risca a pintura da bicicleta graças à sua superfície macia. A Penn Textile Solutions, especializada na produção de têxteis elásticos, foi também selecionada para um Innovation Award nesta categoria pela Ombra-DLS, uma rede de sombra usada para a construção de fachadas e instalação de janelas. Ao expandir a rede para uma maior ou menor extensão, a luz que passa para uma divisão ou um edifício pode ser modificada de acordo com as exigências, independentemente da quantidade de luz disponível no momento.

Foram ainda destacados dois produtos na categoria “novos materiais”. O Instituto de Química Têxtil e Fibras Químicas (ITCF) Denkendorf, na Alemanha, recebeu o prémio pelo PURCELL, um compósito sustentável obtido a partir de celulose pura, que é usado não apenas como uma fibra de reforço de alta resistência mas também como componente da matriz. A DuraFiber Technologies (França), uma das maiores produtoras de fibras, tecidos e materiais de poliéster, foi distinguida pelo seu fio de poliéster de alta tenacidade resistente a alcalinos. Os testes mostraram que o fio mantém as suas propriedades técnicas originais quase inalteradas mesmo após estar em contacto com produtos alcalinos a elevadas temperaturas durante vários dias.

Tecnologia entra na indústria 4.0

Tal como os Techtextil Innovation Award, a decisão do júri dos Texprocess Innovation Award também não foi fácil. O presidente do júri, Jürgen Brecht, diretor de desenvolvimento técnico e produção da alemã Marc Cain, confessou que «por mim, todos seriam vencedores. Quando há uma empresa a trabalhar de forma inovadora, isso significa o futuro para todos nós», acrescentando que além das soluções que integram os preceitos da indústria 4.0, também «no campo técnico vimos coisas muito inovadoras».

Na categoria “nova tecnologia” foram distinguidas três empresas. A Coloreel da Suécia ganhou com uma tecnologia que permite que linha branca básica seja tingida durante o processo de bordado. A primeira solução tecnológica com base neste conceito é a Embroline, que pode ser anexada a máquinas de bordar. A tecnologia de tingimento facilita o bordado de uma forma eficiente sem limitar a utilização de cor, resultando ainda numa maior eficiência de produção.

A outra galardoada foi a máquina de costura DDL-9000C, da Juki Central Europe, que permite que a tensão da linha e o tamanho do ponto possam ser ajustados e que estes parâmetros fiquem armazenados na memória interna da máquina para utilização no futuro. O júri premiou a tecnologia porque, afirmou Ingolf Baur, a mesma pode «reduzir significativamente o tempo gasto nos ajustes e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade da produção. Os resultados são gestão de qualidade otimizada, minimização de custos e, como tal, nível elevado de rentabilidade».

A terceira vencedora nesta categoria foi a Vetron Trace, da Xi’an Typical Europe, uma tecnologia que permite o controlo total de uma máquina de costura industrial sem usar um pedal. «A Trace segue e analisa os movimentos do operador a três dimensões, envia os dados para um cérebro eletrónico, que deduz o próximo passo a ser dado. O júri valoriza este desenvolvimento porque a eliminação do pedal resulta em grandes melhorias para a ergonomia e segurança. Foi selecionado pela sua abordagem inovadora de controlar o processo com base nos movimentos da mão», justificou o apresentador na entrega dos prémios.

Na categoria “novos processos”, a única vencedora foi a Dürkopp Adler, com um sistema online de monitorização para produção industrial. Os parâmetros verificados pelo sistema incluem produtividade e a situação de até 1.500 máquinas em rede, com os dados a serem fornecidos em tempo real. «A solução permite um elevado grau de transparência no processo de produção e o júri chama a isto um importante contributo para a indústria 4.0 no sector do pronto-a-vestir», resumiu Ingolf Baur.

Arquitetura com fibra têxtil

Cinco horas depois, o dia terminou como começou, com a entrega de mais prémios, desta vez aos vencedores do concurso “Textile Structures for New Building”, resultado de uma parceria entre a Techtextil e a associação TensiNet, que distinguiu as melhores ideias de estudantes e jovens profissionais sobre construção com têxteis e materiais reforçados com têxteis.

«Os projetos vencedores foram selecionados pelo júri pela sua inspiração e novas perspetivas arquitetónicas. O espectro variou de pavilhões insuflados de ar visualmente atrativos e habitação em tendas melhorada para campos de refugiados através de exteriores flexíveis e leves e sistemas de mobiliário interior têxtil até elementos inteligentes na fachada e estruturas tecidas feitas com cimento», explicou Michael Jänecke, diretor de têxteis técnicos e processamento têxtil na Messe Frankfurt.

Na categoria “microarquitetura” a grande vencedora foi a brasileira Luani Costa, da Universidade do Minho, por um elemento inteligente de fachada. O sistema adaptativo consiste em elementos triangulares de membranas que o utilizador pode abrir e fechar de forma individual ou em conjunto em resposta às condições ambientais, como vento, chuva ou sol. O segundo prémio foi entregue a Julia Mayer, da Universidade Técnica de Viena, pelo “Tryplo”m uma reinterpretação de um sistema modular com componentes têxteis, que podem ser combinados para criar estruturas tridimensionais.

Na categoria “macroarquitetura”, Katrin Fleischer, da Universidade Técnica de Munique, arrecadou o primeiro prémio pelo “Deplyable Roof”, enquanto o segundo prémio ficou nas mãos de Margarita Fernández Colombás, Miguel Ángel Maure Blesa, Raquel Ocón Ruiz e Hugo Cifre, da Universidade Europeia de Madrid, pelo projeto “Espacio de la Nube”, que se baseia numa tecnologia de tenda pneumática. O terceiro prémio nesta categoria foi para Ahmad Nouraldeen, da Universidade de Ciências Aplicadas de Anhalt, pelo desenho de tendas especiais para campos de refugiados, que adotam a forma das tendas dos índios americanos mas integram energias renováveis.

Natascha Unger e Idalene Rapp, da Academia de Artes Berlin-Weissensee, levaram para casa o primeiro prémio na categoria “inovação de materiais” pelo “Stone Web”. O segundo prémio foi entregue a Malu Lücking, Rebecca Schedler e Jack Randol, também da mesma instituição de ensino, por “Shifting Stone”, um sistema de tecido de basalto pré-fabricado que pode ser integrado numa fachada.

Na última categoria, “compósitos e estruturas híbridas”, a vencedora foi Anne-Kathrin Kühner pela ideia de um betão têxtil, em que um tubo têxtil é preenchido com cimento de elevada performance.

Os vencedores do Techtextil Innovation Award podem ser vistos no Hall 6.1, Stand A94, enquanto os galardoados com o Texprocess Innovation Award estão em exibição no Hall 4.0, Stand C20. Já os premiados do concurso Textile Structures for New Building encontram-se no Hall 4.1, stand H41.