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2018 à lupa – Parte 2

Investimentos, tecnologia, novos negócios e internacionalização foram algumas das áreas em que as empresas portuguesas da indústria têxtil e vestuário reforçaram as suas apostas em 2018.

Num ano marcado por várias mudanças políticas e económicas e pela presença em Portugal de alguns dos eventos internacionais mais reputados, a indústria têxtil e vestuário (ITV) portuguesa mostrou-se decidida a manter-se na vanguarda e empenhou-se, ao longo de 2018, em criar condições para continuar a ser uma referência internacional na produção. Da tecnologia à internacionalização, os investimentos foram vários e variados.

Ricardo Silva

A produtora de malhas Familitex começou a instalar uma tinturaria com uma área de 6.100 metros quadrados, que deverá iniciar operações em setembro de 2019. Nos últimos meses, a nova unidade, que implica um investimento na ordem dos 8 milhões de euros, esteve em obras e a instalação dos equipamentos deverá encetar no início do novo ano. «Vamos começar com uma capacidade entre seis e sete toneladas, e ver o que o mercado pede», revelou, ao Jornal Têxtil, o CEO Afonso Barbosa.

Afonso Barbosa

Já na Faria da Costa, o investimento será de 1,4 milhões de euros e implica a reformulação da unidade industrial. A empresa, que recentemente começou a massificar a produção das peúgas com aquecimento WyFeet, estava a laborar em dois pavilhões e «agora temos mais três», para uma melhor organização das atividades, com «matérias-primas a entrarem num lado, a sofrerem a alteração de fabrico noutro e a exportação num terceiro local, tudo para rentabilizar ao máximo a mão de obra», indicou o administrador Álvaro Costa.

Empresas como a Envicorte, que alargou as instalações e adquiriu três máquinas de plissar, e a Lipaco, que despendeu 1,5 milhões de euros em equipamentos, em laboratórios e em novas competências dentro de portas, efetuaram igualmente investimentos nos últimos 12 meses.

Investir sempre

Álvaro Costa

Aliás, investir continua na ordem do dia para os próximos tempos. A Twintex, que abriu um centro logístico no Porto e gastou cerca de 1,5 milhões de euros em maquinaria, está a ponderar um grande investimento na sala de corte. «Há máquinas aqui que são mesmo únicas no mundo, porque foram construídas de acordo com as nossas necessidades e com a informação que fomos partilhando. Temos uma empresa de engenharia de automatismos na Alemanha com a qual trabalhamos diretamente», afirmou Mico Mineiro, administrador da produtora de vestuário.

Por sua vez, a Paulo de Oliveira acabou de investir em painéis fotovoltaicos e no horizonte planeia já o reforço de algumas áreas industriais. «No próximo ano, a tinturaria vai merecer alguma atenção. O departamento onde investimos menos, e que se calhar nos próximos anos é uma área que vamos ter de reanalisar, tem a ver com o início da nossa fileira produtiva, a fiação», adiantou o administrador Paulo Augusto Oliveira.

João Paulo Silva

A Calvelex, por seu lado, está a preparar a construção de um terceiro centro logístico, a Fitecom vai alocar cerca de meio milhão de euros para renovar a secção de acabamentos e o grupo Somelos vai prosseguir com o plano de investimento de 1,5 milhões de euros, que vem de 2017 e se prolonga até 2019. «Vamos investir nos próximos anos em renovar algum parque de máquinas. Vai ser um misto de renovação e de aumento de produção», indicou o administrador Paulo Melo.

Novas áreas de negócio

Mico Mineiro

Para além de investimentos transversais a quase toda a indústria, há empresas que lançaram em 2018 novas áreas de negócio, como a Irmãos M. Marques, que a juntar à roupa de cama em jersey, na qual é especialista, começou a vender malha em rolo para rentabilizar a capacidade instalada de três toneladas/dia, e da João António Lima Malhas, que acrescentou as malhas para o automóvel ao seu negócio de tricotagem para o sector da moda.

Já a JPS avançou para a estamparia digital, não só como forma de diferenciar as suas propostas de roupa de mesa e cozinha, mas também com o sócio-gerente da empresa, João Paulo Silva, a assumir a representação em Portugal da tecnologia de estamparia digital da construtora Liyu Printer.

Alargar horizontes

Paulo Melo

A internacionalização continua a ser uma pedra basilar na estratégia das empresas nacionais e os últimos 12 meses somaram ações diversas neste âmbito. Por exemplo, a confeção lusa esteve em destaque na Première Vision Manufacturing, onde Portugal foi o Focus Country, numa iniciativa em que o CENIT – Centro de Inteligência Têxtil e a ASM – Associação Selectiva Moda uniram esforços para promover o vestuário “made in Portugal”.

A nível individual, as iniciativas multiplicaram-se. A RDD, a empresa “laboratório” do grupo Valérius, estreou-se nas feiras internacionais, com presença nos principais certames europeus, a Texser procurou consolidar a sua posição no Magreb, as produtoras de têxteis-lar Sorema e Bovi estabeleceram uma parceria para conquistar o mercado americano e a Barcelcom, que durante o ano adquiriu a marca de artigos de compressão INC Compression, encetou o ataque ao Médio Oriente.

Esforços premiados

O ano trouxe ainda diversas distinções para as empresas da ITV nacional. Logo no início de 2018, a Tintex, que celebrou 20 anos em junho, arrecadou dois prémios em Munique: o 3.º lugar no Hightex Award da Munich Fabric Start e o “Best Product” na categoria de Soft Equipment na Ispo Munich. «Foi um ano muito positivo», confirmou o administrador Ricardo Silva.

Paulo Augusto Oliveira

Também na Alemanha, a A. Sampaio & Filhos viu as suas malhas premiadas. Na Ispo Munich conseguiu que duas propostas fossem consideradas “Best Product” nas categorias camada exterior e soft equipment e em abril ganhou o Eco Performance Award na feira Performance Days.

Ainda na área da ecologia, mas em Portugal, o projeto Tenowa, da Riopele, venceu o Prémio Produto Inovação 2018 da Cotec, uma distinção que marcou um ano em grande para a empresa presidida por José Alexandre Oliveira.

O ano de 2018 revelou ainda um mercado de retalho em transformação, tanto no mercado português como internacional, que pode conhecer em mais detalhe na terceira parte deste artigo.