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2018 à lupa– Parte 3

Numa altura em que o comércio tradicional está a tentar transformar-se para responder às mutações no consumo, as marcas e retalhistas aproveitaram 2018 para mudar, expandir e até repensar o negócio, como fizeram, entre outras, a Zippy, a Ferrache e a Farfetch.

Zippy

Apesar de 2018 ter trazido novos investimentos e horizontes para as empresas portuguesas, a agitação económica e política do ano passado acabou por se refletir negativamente no retalho. Para além das notícias já habituais de declínio do retalho tradicional – que tem afetado especialmente a high street no Reino Unido e department stores nos EUA, com destaque para a Sears, que em outubro apresentou um pedido de insolvência – as manifestações dos “coletes amarelos” em França terão causado graves prejuízos, com as primeiras previsões, ainda de novembro, a darem conta de uma perda superior a mil milhões de euros.

Eytys x H&M

2018, de resto, não foi fácil para a generalidade dos retalhistas, inclusive para a fast fashion, onde a H&M conseguiu apenas no final do ano voltar aos números positivos, com um aumento de 5% das vendas no ano fiscal até 30 de novembro. Nem mesmo a gigante Inditex conseguiu escapar completamente imune às agruras da conjuntura: apesar de ter obtido um lucro recorde nos primeiros nove meses do ano fiscal (2,4 mil milhões de euros), a retalhista ficou aquém das expectativas dos analistas, o que se refletiu numa queda na valorização em bolsa superior a 5 mil milhões de dólares (cerca de 4,4 mil milhões de euros).

Ainda assim, a Inditex, que expandiu a 202 mercados o comércio eletrónico da marca Zara, renovou e abriu lojas em mais de 50 mercados, incluindo em Portugal, onde a Massimo Dutti se instalou num palacete da Avenida da Liberdade, em Lisboa, e a loja da Stradivarius na Rua Augusta foi remodelada.

Marcas portuguesas em crescimento

Com efeito, nem tudo foi mau em 2018 e houve diversas notícias de crescimento e expansão de retalhistas e marcas nos últimos 12 meses, nomeadamente em Portugal. A marca de vestuário de senhora Ferrache lançou a sua loja online, a Laranjinha abriu um novo ponto de venda em Braga e a marca de vestuário infantil Risca de Giz inaugurou um atelier para atendimento personalizado, anunciado ao Jornal Têxtil em março e inaugurado em junho.

Repensar o negócio

Junho foi igualmente o mês escolhido para outra marca infantil – a Zippy – revelar uma imagem renovada e um posicionamento mais assertivo, da qual faz parte a assinatura “We go together”. «A Zippy está a passar um processo muito ambicioso de se tornar uma marca global e, para uma marca infantil, definimos duas bases. Uma tem a ver com a gestão do estilo e outra tem a ver com ir de encontro às preocupações dos pais», explicou Margarida Nascimento, diretora de produto, durante a apresentação da nova imagem. A marca da Sonae, que detém mais de 100 lojas, distribuídas por 20 mercados – em Portugal abriu a 50.ª em dezembro – revelou ter como metas para os próximos três anos abrir 70 lojas e aumentar as vendas em 44%.

Zara

Uma outra marca da Sonae, a Berg Outdoor, teve, por seu lado, um ano mais conturbado. Com a expansão internacional em mente, a marca começou um processo de reposicionamento, mas já em dezembro a Sonae suspendeu a produção da coleção outono-inverno de 2019. De acordo com fonte oficial, citada pelo Negócios, «num contexto de realinhamento estratégico das marcas, foi tomada a decisão de suspender a produção da coleção FW19 da Berg Outdoor, assegurando a atividade da marca num modelo de manutenção, até ser definida uma nova estratégia para a mesma».

Ano de luxo na Farfetch

Ferrache

Já a Farfetch teve um ano de luxo. A empresa fundada e liderada pelo português José Neves entrou na Bolsa de Valores de Nova Iorque em setembro e, apenas umas horas depois, as suas ações dispararam quase 50%, o que aumentou a valorização da plataforma tecnológica de moda de luxo para 8 mil milhões de dólares. Antes, em fevereiro, foi anunciado que a Chanel investiu na Farfetch, tendo comprado uma posição com o objetivo de aceder a serviços ao cliente, através da inovação digital, mas sempre com base nas lojas físicas da casa de moda.

E em maio inaugurou um Centro de Operações Criativas no Avepark, em Guimarães, um espaço com uma área próxima dos oito mil metros quadrados que permite à Farfetch processar diariamente 4.000 artigos. «O centro foi criado de raiz para que conseguíssemos desempenhar a nossa atividade da melhor forma e dar as melhores condições aos nossos trabalhadores. As pessoas são o nosso principal ativo. Queremos que se sintam orgulhosas de trabalhar na Farfetch. Esta é a principal razão do nosso investimento», afirmou Luís Teixeira, diretor-geral da Farfetch em Portugal. Meses mais tarde inaugurou um novo escritório em Braga e terminou o ano em grande, com a aquisição da maior retalhista mundial online de ténis Stadium Goods.

Na quarta e última parte deste artigo, conheça as inovações “made in Portugal” que marcaram o ano de 2018.

Farfetch no Avepark