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2018 à lupa – Parte 1

O ano passado foi pródigo em eventos internacionais que tiveram lugar em Portugal, assim como em evoluções e até revoluções, não só em território nacional mas um pouco por todo o mundo. Da política às questões sociais, foram várias as mudanças que afetaram a indústria têxtil e vestuário portuguesa.

O ano em que o Campeonato do Mundo de Futebol se jogou na Rússia, consagrando a seleção francesa, foi também o ano em que Jair Bolsonaro assumiu a presidência do Brasil, Nicólas Maduro reforçou o seu poder na Venezuela – embora em eleições não reconhecidas por muitos países –, Trump iniciou uma guerra comercial com a China e conversações com a Coreia do Norte, o Brexit, apesar de mais próximo, continuou envolvido em incerteza, Itália entrou em conflito com a UE por causa do orçamento e da dívida.

Já em Portugal, 2018 ficou marcado pela remodelação governamental que afastou, entre outros, o Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, substituído por Pedro Siza Vieira, e a Secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehmann, substituída por João Correia Neves, que assumiu a Secretaria de Estado da Economia, englobando a Indústria e o Comércio. Houve ainda uma mexida no salário mínimo nacional, que no início de 2019 passará a ser de 600 euros, em comparação com os anteriores 580 euros.

A nível social, as greves começaram a fazer parte do dia a dia dos portugueses, da função pública aos enfermeiros, passando pelos guardas prisionais, pelos estivadores de diversos portos e até pelos juízes.

Um país na moda

No ano passado, Portugal provou que continua na moda. O país – que pelo segundo ano consecutivo foi eleito o Melhor Destino Turístico do Mundo nos World Travel Awards – acolheu diversos eventos internacionais, a começar pela Web Summit, que desde há três anos tem Lisboa como casa.

Esta edição, que decorreu de 5 a 8 de novembro, contabilizou 69.304 participantes de 159 países, mais de 1.200 oradores, 1.500 investidores e 2.600 jornalistas. António Guterres, secretário-geral da ONU, Brad Smith, presidente da Microsoft, Tim Berners-Lee, criador da internet, Christopher Wylie, ex-diretor de pesquisa na Cambridge Analytics, Ben Silbermann, CEO do Pinterest, o designer Alexander Wang e Rachel Waller, vice-presidente de marketing digital da Burberry, foram alguns dos oradores presentes na cimeira, que foi dominada pela discussão sobre o futuro da internet, a privacidade e segurança dos dados e as soluções sustentáveis.

Mundo da ITV em Portugal

Este foi, contudo, um dos últimos de muitos eventos que tiveram lugar em solo português. Mais ligados à indústria têxtil e vestuário, logo em fevereiro – de 28 de fevereiro a 2 de março –, a iTechStyle Summit voltou a reunir especialistas e empresas para debater e apresentar inovações em áreas como os novos materiais avançados, têxteis técnicos na mobilidade e no desporto, têxteis inteligentes, sustentabilidade, economia circular, digitalização e robotização.

iTechStyle Summit

No total a conferência contou com 720 inscritos de 21 países e oradores como Joachim Hensch, diretor-geral da Hugo Boss Textile Industries, Edouard Macquin, CSO da Lectra, Vincent Lecrosnier, diretor de design da Adidas, Yvonne Heinen-Foudeh, diretora de comunicação e marketing da Gerber, e Laura Balmond, da Ellen McArthur Foundation, que se juntaram aos portugueses Isabel Furtado, CEO da TMG Automotive, Fernando Merino, diretor de inovação da ERT, Francisco Fernandes, diretor de I&D na Coltec, e vários investigadores da Universidade do Minho, da Universidade do Porto e de outras instituições e centros tecnológicos.

Já em abril, foi a vez da IACDE – International Association of Clothing Designers and Executives aterrar no Porto para a sua convenção mundial. “The Apparel Caravan next stop – Digitalization” foi o tema debatido durante os quatro dias do evento, com os participantes a visitarem ainda as empresas portuguesas Crialme e P&R Têxteis.

8.ª Conferência Europeia de Vestuário de Proteção
Intercolor

Cerca de uma semana depois, a 8.ª Conferência Europeia de Vestuário de Proteção juntou especialistas europeus para partilhar novos desenvolvimentos e o futuro dos equipamentos de proteção individual (EPI’s). Entre os vários projetos de investigação apresentados estiveram alguns nacionais, como a nova bota para bombeiros da Lavoro, os fatos mais interativos da Latino, o projeto de monitorização de sinais vitais WeSenss, do INESC-Porto, o projeto de monitorização de gases na atmosfera Wisen, do CeNTI, e o material de mudança de fase da Polyanswer para utilização em vestuário de proteção.

Os eventos internacionais em Portugal incluíram ainda a assembleia-geral da Ginetex, a associação internacional responsável pela simbologia de conservação de têxteis, e a reunião da Intercolor para decidir as cores que irão dominar as paletas no outono-inverno 2010/2021. «Podemos ser mais do que parceiros de confiança na produção, podemos ser também agentes internacionais criativos e sofisticados no desenvolvimento do sector do vestuário e da moda», afirmou César Araújo, presidente da ANIVEC, cuja sede serviu de base às discussões da Intercolor.

2018 contou ainda com a quarta edição da Contextile – a bienal de arte têxtil que voltou a encher alguns espaços icónicos de Guimarães com obras de arte feitas a partir do têxtil, contando desta vez com intervenções da reputada artista americana Ann Hamilton.

Jovens designers no Porto

Já em dezembro, e para fechar o ano com chave de ouro, o concurso europeu de jovens designers trouxe ao Porto os futuros criadores da moda, num evento onde foram ainda entregues os Prémios de Excelência Empresarial, que galardoaram seis empresas que se distinguiram em diferentes categorias. «Esta iniciativa pretende ser, essencialmente, uma plataforma de promoção da excelência industrial e do que de melhor se faz em Portugal», explicou Manuel Lopes Teixeira, presidente do CENIT – Centro de Inteligência Têxtil, que promoveu a iniciativa em parceria com a ANIVEC.

O ano foi ainda muito ativo para as empresas portuguesas, como pode ficar a conhecer na segunda parte deste artigo.

Contextile