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2019 é ano forte na Fitecom

Os próximos meses da produtora de lanifícios prometem ser pródigos. Depois de ter crescido 30% no ano passado, a Fitecom está a preparar investimentos até 4 milhões de euros para 2019 e 2020 e a reforçar em mercados como França e Reino Unido para aumentar as vendas em mais de um milhão de euros.

Inovação, exportação e investimento são três dos pilares da empresa de Tortosendo e irão guiar a atividade durante o corrente ano. Parte do trabalho foi já iniciada com a coleção para a primavera-verão 2020, onde as novidades incluem misturas de modal/lã/linho, que permitem aproveitar as melhores características de cada fibra. «Dá-nos artigos mais frescos, suaves ao tato, mas com as características de resiliência da lã, isto é, com alguma capacidade de não enrugar», explica João Carvalho, CEO da empresa.

O linho está igualmente em destaque, com a Fitecom a conferir à matéria-prima um acabamento novo. «É um acabamento superfino, isto é, relativamente aos linhos convencionais conseguimos, através do tratamento especial, que tenham um aspeto e um toque mais fino», revela ao Portugal Têxtil.

Inovar sempre

Estas inovações estão no centro da atividade da empresa, que entre os 200 trabalhadores emprega 26 engenheiros e tem uma equipa de sete pessoas dedicada à investigação e desenvolvimento, área onde conta ainda com parcerias com universidades, como a Universidade da Beira Interior, e centros tecnológicos, como o Citeve. «Neste momento estamos com um projeto internacional na área da mercerização da lã que está já na fase final», indica João Carvalho. Esta iniciativa, que leva cerca de cinco anos de investigação, pretende, através da remoção das escamas da lã, criar «lã mais fina e com um toque mais sedoso, a aproximar-se mesmo da seda», esclarece.

Em carteira pode ainda estar o retomar de um outro projeto. «Aqui há uns anos tivemos um projeto que eu acarinhei muito na área da sustentabilidade, com fibras nobres, que acabámos por abandonar porque não conseguia ter as resistências necessárias à tração e ao deslizamento das costuras. Foi um projeto em que ainda se investiu muito mas chegamos a uma altura e desistimos. Estamos a pensar em retomar», adianta o CEO da Fitecom.

Exportar mais

Com uma taxa de exportação muito próxima dos 100%, o objetivo da Fitecom não é aumentar a quota mas aumentar os números absolutos dos envios para o exterior. A Europa representa, atualmente, 70% das vendas. «Dentro da Europa, estamos divididos por muitos países, em especial Holanda, Alemanha, Inglaterra, Espanha, França e países nórdicos», enumera João Carvalho.

França e Inglaterra, de resto, foram dois dos mercados onde a empresa mais cresceu em 2018. «Em Inglaterra quase que duplicamos a faturação», conta o CEO, acrescentando que, em parte graças a um novo agente, o volume de negócios no Reino Unido passou de pouco mais de um milhão de euros para 2,5 milhões de euros.

«2019 foi um ano ótimo. Tivemos um crescimento na ordem dos 30%, foi um salto significativo», assegura, dando conta de um volume de negócios de cerca de 15 milhões de euros.

Para 2019, ano em que a empresa espera ultrapassar os 16 milhões de euros de volume de negócios, «todos os mercados são prioritários», sublinha João Carvalho, embora assuma que «o mercado francês e o mercado inglês, por uma questão de recuperação daquilo que já tivemos – em França chegamos a faturar qualquer coisa como 7 milhões de euros e neste momento andamos por metade –, somos capazes de fazer um “forcing” maior».

Investir para crescer

No último pilar da estratégia está o investimento, para o qual a empresa aloca habitualmente cerca de um milhão de euros por ano. «Em 2018 não fizemos investimentos, mas para 2019 e 2020 estimamos um investimento na ordem dos 3 a 4 milhões de euros», destaca João Carvalho.

Os acabamentos serão a área privilegiada, mas os números e as especificações estão ainda por definir. «Será um investimento basicamente dirigido para a área dos acabamentos, mas não faz sentido estar, para já, a quantificar as máquinas», considera o CEO da Fitecom.

Um passo essencial para cumprir os objetivos da empresa a longo prazo. «Além de crescer em 2019, queremos criar alicerces para o crescimento se continuar a efetuar nos anos seguintes», resume João Carvalho.