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2021 começa com queda nas exportações

Janeiro apresenta números negativos para as exportações, com uma descida de 10,1% nos envios de matérias têxteis e suas obras, que é mais acentuada no caso do vestuário. Uma tendência que vem de 2020, quando, segundo as estimativas, a ITV terá tido também quedas a dois dígitos no volume de negócios e na produção.

Os números das exportações de janeiro mostram uma indústria têxtil e vestuário a diferentes velocidades. No total, foram vendidos 410 milhões de euros de artigos englobados na categoria matérias têxteis e suas obras, o que representa menos 10,1% em comparação com os 456 milhões de euros registados no mesmo mês do ano passado.

O vestuário é o mais afetado, com uma descida de 16,3% nas exportações no primeiro mês do ano, o que representa uma perda de 45,7 milhões de euros em comparação com os 281,1 milhões de euros exportados em janeiro de 2020.

Esta quebra assume proporções diferentes no vestuário em tecido, cujas exportações baixaram 36%, equivalente a menos 32 milhões de euros, enquanto no vestuário em malha a redução foi de 7,1%, para 178,3 milhões de euros (menos 13,6 milhões de euros).

«O início do ano está a revelar-se muito difícil para a indústria de vestuário, em particular para os produtores de vestuário de tecido», sublinha, em comunicado, César Araújo, presidente da ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário, Confecção e Moda. «O vestuário de tecido é sobretudo usado em contextos mais formais, como no local de trabalho, e em contextos sociais e de festa. Os confinamentos um pouco por toda a Europa, o encerramento dos pontos de venda e a adoção generalizada do teletrabalho levaram os consumidores a reduzirem, ou até mesmo anularem, as compras deste tipo de vestuário e isso está a ter um impacto fortíssimo na atividade das empresas do sector, que se veem sem encomendas e sem clientes», justifica.

Já as exportações de matérias-primas têxteis baixaram 5%, equivalente a menos 6 milhões de euros, enquanto as de têxteis-lar e outros artigos confecionados, categoria que engloba as máscaras, registaram um aumento de 9%, o que representa um acréscimo de 6 milhões de euros, de acordo com um comunicado da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal.

Espanha em declínio

Em termos de mercados geográficos, Espanha encabeça a lista dos que registam maiores quebras, com uma descida de 23,9% das compras, equivalente a menos 30 milhões de euros.

César Araújo

Esta quebra é mais acentuada, em termos relativos, se se tiver em conta apenas o vestuário (-28,4%, equivalente a menos 26,3 milhões de euros). No caso do vestuário em tecido, salienta a ANIVEC, Espanha comprou menos de metade (-56,8%) do que o registado no mesmo mês do ano passado.

Em queda estão igualmente as exportações para a Alemanha (-3,4%), para os EUA (-7,7%) e para Itália (-8%).

Nem tudo são más notícias e há, entre os 10 principais mercados das matérias têxteis e suas obras portuguesas, números positivos nas exportações. É o caso da Dinamarca, com um crescimento de 17,2%, para cerca de 10 milhões de euros, de França, com um aumento de 3,2%, para cerca de 65 milhões de euros, e dos Países Baixos, com uma ligeira subida de 1,2%, para um valor superior a 21 milhões de euros.

ITV perdeu mais de €1.000 milhões em 2020

Em sentido contrário, as importações de vestuário caíram 44% (menos 94 milhões de euros) e as de matérias têxteis também caíram 24%, «sinal que evidencia a quebra na atividade do sector que terá com certeza impacto nas exportações dos meses de fevereiro e março», sublinha a ATP, no comunicado assinado pelo presidente da associação, Mário Jorge Machado. No total, as importações de têxteis e vestuário caíram 33% (menos 126 milhões de euros) em comparação com janeiro de 2020. Espanha foi o país de origem cujas importações mais caíram (-40%, equivalente a menos 53 milhões de euros), enquanto a Turquia lidera a lista de mercados de importação com maior crescimento (+17%, o que representa um acréscimo de 1,8 milhões de euros).

Mário Jorge Machado

No comunicado, a ATP apresenta ainda as suas estimativas para alguns indicadores da indústria têxtil e vestuário. «Com base na evolução dos índices de atividade, a ATP estimou uma destruição de emprego de cerca de 5.000 postos de trabalho (equivalente a uma quebra de 4%), uma diminuição de 18% (menos 1,3 mil milhões de euros) na produção e de 14% (menos 1,1 mil milhões de euros) no volume de negócios», revela.

Mário Jorge Machado sublinha ainda que «a perda do emprego está a ser amortizada pelas empresas. Caso tivesse sido na mesma ordem de grandeza dos restantes indicadores, o sector teria perdido 20 mil postos de trabalho».