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25 anos em 50 coordenados

A criadora deu-lhe o nome de “Drama” e todos os coordenados da coleção outono-inverno 2016/2017 seguiram um guião planeado até ao mais pequeno detalhe, porque «um desfile é um espetáculo». O palco foi erguido na Alfândega do Porto, onde um elenco de modelos apresentou as bodas de prata da marca Elsa Barreto em 50 coordenados.

Depois da estreia em outubro (ver Coliseu ao rubro), as propostas ultra-femininas de Elsa Barreto voltaram ao calendário do Portugal Fashion. «[Na estação passada] tive que fazer a coleção num mês. Por isso, foi um pouco mais complicado em termos de timing e de nervos. Esta coleção já foi muito mais pensada, por isso mesmo é que são 50 coordenados», analisa a criadora ao Portugal Têxtil, sublinhando a tarefa acrescida de ter havido necessidade de desenvolver «muito mais peças», sendo uma coleção para a estação fria. «Claro que a primeira me deu muito prazer, mas esta já foi mais madura», esclarece.

A maturidade de “Drama” foi escrita em pormenores como rendas e pelos, numa narrativa que dedicou vários dos seus capítulos à sensualidade feminina. A coleção contou-se, depois, eclética, em coordenados que transitavam entre os vários cenários de atuação da mulher Elsa Barreto.

«Nas minhas coleções, gosto sempre que as minhas clientes possam olhar para a coleção e pensar que a podem usar em qualquer situação. No dia-a-dia, em festas, numa situação mais arrojada ou menos arrojada», explica a designer salientando a expressão comercial das peças. «Penso sempre na coleção de uma forma comercial. Claro que um desfile é um espetáculo – o tema desta coleção é “Drama” e fui buscar a sua parte cénica ao teatro – mas sempre a pensar na parte comercial. Sem isso não vivemos», advoga.

A apresentação de “Drama”, que contou com a presença da modelo Diana Pereira, destacou a riqueza dos materiais e texturas dos coordenados – com tónica nos vestidos e casacos –, que se balançavam entre o fluido e o estruturado e o fit largo e justo numa paleta arrebatada pelo rosa e pelo preto. «Esta coleção é muito rica. Tem imensos materiais, é uma pesquisa muito grande e isso é a parte cénica da coleção», resume Elsa Barreto, sublinhando que quer a criação, quer a modelação estão sob a sua alçada e que, por isso, «a pesquisa e a compra dos tecidos são sempre muito bem pensadas». Desta vez a escolha recaiu nos pelos e nas rendas, nas fazendas e nos jacquards.

Perto de completar três décadas na indústria – depois de terminar os estudos, a criadora começou por trabalhar numa empresa antes de lançar a marca epónima –, Elsa Barreto justifica a sua capacidade de reinvenção com a paixão pela moda, que ainda «lhe deixa borboletas no estômago», confessa. «É quase como uma primeira vez. Criar é tão bom, que eu não consigo ver-me de outra forma. Quando começo uma coleção estou sempre com a mesma garra, com os mesmos nervos miudinhos», considera.

Os planos para o futuro passam pela internacionalização da marca. «Isso é fundamental», admite. «Já tenho muitas lojas em Portugal que compram Elsa Barreto, já está no país inteiro, mas eu preciso de ir lá para fora e isso é agora», revela ao Portugal Têxtil.