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2C2T escala conforto

Ana Cristina Broega, que lidera o projeto, afirma que a implementação de uma etiqueta no vestuário com informação acerca de padrões de conforto vai ajudar a «credibilizar e vitalizar o comércio eletrónico». Com efeito, para os mais avessos às compras digitais de roupa, esta informação acrescida representará uma mais-valia a juntar às potencialidades que as lojas on-line já oferecem, como por exemplo a visualização 3D. O estudo está a ser desenvolvido no âmbito do conforto sensorial do toque, onde foi quantificado «o que as pessoas avaliam de forma subjetiva quando tocam os tecidos», indica a investigadora do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T) da Universidade do Minho, começando por tentar compreender os fenómenos de interação entre a pele e os tecidos e definir, com base científica, métodos de avaliação sensorial, por parte de grupos de pessoas portuguesas e francesas. Posteriormente, o desafio passou por cruzar os dados apurados fisicamente, com as avaliações subjetivas no sentido de quantificar o conforto sensorial dos têxteis de acordo com os conceitos europeus, uma vez que «as tendências de gosto da Europa são muito diferentes, por exemplo, do mercado japonês, onde é valorizado outro tipo de toque para os tecidos», sublinha Ana Cristina Broega A primeira etapa do projeto viu-se já coroada de sucesso com a identificação das caraterísticas físico-mecânicas dos tecidos e a sua relação com o toque. O próximo passo seráimplementar mais uma etiqueta junto da indústria têxtil, o que se afigura um grande desafio na medida em que o consórcio de investigação necessita «de um melhor desenvolvimento mecânico dos equipamentos de análise, que são ainda de natureza muito sensível e difíceis de agilizar em contexto de produção industrial». Através desta aposta pioneira na avaliação subjetiva do têxtil «recorre-se aos sentidos dos consumidores, para chegar, instrumentalmente aos gostos das pessoas», explica a investigadora do 2C2T, igualmente docente do Departamento de Engenharia Têxtil da UM. Este projeto de desenvolvimento de escalas de conforto para facilitar o comércio do vestuário, nomeadamente através da Internet, está a ser desenvolvido no âmbito do acordo “Portugal – França: Programa Pessoa” que, neste caso em concreto, articula recursos e investigações da Universidade do Minho e da Université de Haute Alsace, em França.