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2Move Garments corre em duas pistas

A empresa especialista em vestuário de desporto quer fazer crescer o negócio de private label ao mesmo tempo que expande internacionalmente a marca própria Fyke. Uma estratégia com duas vertentes que deverá permitir a consolidação da nova vida que assumiu nos últimos anos.

Joaquim Anjos

A 2Move Garments iniciou a atividade, em 2007 como prestadora de serviços para um único cliente espanhol, mas há cerca de quatro anos mudou de rumo e disponibilizou o seu know-how à produção em private label para diferentes clientes. «Agora somos uma empresa que produz. Em vez de prestarmos serviços a uma entidade só, começámos a produzir para vários clientes», explica o diretor-geral Joaquim Anjos, adiantando que a partir do design enviado pelo cliente, a empresa trata de tudo, desde a aquisição das matérias-primas à entrega do produto final.

Já este ano, a 2Move Garments, que tem como principais mercados Espanha, França e Áustria, criou uma pequena unidade de confeção para produzir amostras. «O resto da produção é feita em parceiros que trabalham connosco, alguns inclusive a 100%», revela ao Portugal Têxtil.

O desporto é a especialidade da empresa, apesar de também fabricar vestuário de moda e casual. Esse know-how permitiu-lhe avançar com a criação da marca própria Fyke no ano passado. Uma insígnia «mesmo muito técnica», vocacionada atualmente para o running, com um leque de produtos que inclui meias e manguitos de compressão, t-shirts, calções e bandas de cabeça e, face à situação atual, também máscaras.

Além de ter um website de comércio eletrónico, «neste momento estamos a vender em quatro lojas em Portugal e duas em Espanha, mas são lojas técnicas. Aliás, o nosso intuito é esse, não nos interessa estar a vender em lojas mais voltadas para o casual», destaca o diretor-geral.

Internacionalizar a Fyke

A Fyke, de resto, pretende ser «diferenciadora daquilo que conhecemos», o que se traduz nas propostas. «Não temos muitos produtos neste momento, mas o nosso produto tem sempre ago de diferenciador. Para nós não interessa fazer algo que já exista – por isso é que, muitas vezes, andámos quase dois anos a testar e a desenvolver um produto», assume Joaquim Anjos.

Alargar a oferta está nos planos da 2Move Garments para a Fyke. «Queremos desenvolver mais produtos: impermeáveis, mochilas, mochilas de hidratação», enumera Joaquim Anjos, acrescentando que «o calçado será bastante mais tarde, mas também está na calha».

Tudo, ou quase, com o selo “made in Portugal”. «O único produto que temos que não é produzido em Portugal é uma [garrafa de água] soft flask, mas tudo o que é têxtil é produzido em Portugal e queremos continuar a trabalhar nesse sentido. Obviamente que isso não nos permite criar grandes margens, mas preferimos que seja assim», garante o diretor-geral, que aponta ainda a sustentabilidade como razão para essa preferência pela produção nacional. «Não acreditamos em usar um tecido sustentável que é produzido na China e depois vem para cá. Aliás, estamos em Santo Tirso e, num raio de 15 quilómetros, temos todos os nossos parceiros à volta», sublinha.

Nos objetivos está ainda a internacionalização da marca, que deveria ter começado este ano com mais força mas que foi colocada em pausa por causa da pandemia. «Queremos ampliar para a Suíça, para a Alemanha, para os EUA e para França também», indica Joaquim Anjos. «A ideia é que a marca cresça com sustentabilidade e responsabilidade. Vamos crescer, mas passo a passo», admite.

Crescer lado a lado

Uma estratégia que se conjuga com o crescimento também no private label. «Acabam por se conjugar as duas áreas», garante o diretor-geral, embora haja a vontade de «ter um pouco mais de tempo para dedicar à marca».

Apesar de, durante este período de crise pandémica, a 2Move Garments não ter tido qualquer cancelamento de encomendas, sentiu menos procura e, por isso, as expectativas para o volume de negócios de 2020 são moderadas. «Vai ser ligeiramente inferior ao ano de 2019», quando ultrapassou os 800 mil euros. «Mas é sustentável», salienta.

Ainda assim, a empresa continua a desenvolver-se, nomeadamente com a contratação de mais pessoas, e quer lançar os alicerces para se reforçar no futuro. «Temos definitivamente que aumentar a carteira de clientes e apostar na marca própria», resume Joaquim Anjos.