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34 + 9 em Munique

Os portugueses responderam à convocatória e, dividindo as tropas por dois salões, conquistaram Munique. Lado a lado com os expositores que já conhecem bem o quartel, houve vários novos recrutas nos 34 da Munich Fabric Start. Em estreia esteve também o salão paralelo Munich Apparel Source, que logo na primeira edição recebeu 9 empresas lusas.

Focando o seu alvo, a RDD, empresa de pesquisa, design e desenvolvimento de coleções de malha, escolheu a Munich Fabric Start para se apresentar aos mercados internacionais.  «É a primeira vez que estamos nesta feira, com a nossa primeira coleção. A nossa coleção é maioritariamente sustentável, com fibras recicladas, orgânicas e naturais, que poderão agradar ao mercado alemão», explicou Elsa Parente, business development manager, ao Portugal Têxtil.

Em estreia no certame esteve também a Conquista Desfile Acessórios – empresa cujos destinos são comandados, a partir do Porto, por um casal chinês, Andrew Li e Lidia Liu, que escolheu a cidade Invicta para viver e investir –, e a especialista em tecidos 6 Dias, que está a começar a explorar o potencial do mercado germânico.

«O nosso objetivo com a presença nesta feira e com uma comercial é conseguirmos entrar neste mercado. Acho que é um mercado com tendências muito positivas, grande, bom e muito organizado», sublinhou Patrícia Dias, administradora da 6 Dias.

Já a J. Areal, que só no ano passado iniciou o processo de internacionalização, aproveitou o salão – no qual participa pela segunda vez – como montra para o mercado alemão.

«É um projeto novo, a internacionalização, e sabemos que temos de estar presentes. É um mercado que pode ir ao encontro daquilo que pretendemos», afirmou Pedro Areal, sócio-gerente.

Sustentabilidade ao centro

A força da etiqueta “made in Portugal” avançou ainda para uma das secções em destaque nesta edição da Munich Fabric Start: a Keyhouse.

O novo espaço no hall 5 foi apresentado pela organização como «o centro de inovação e competência para têxteis que apresentam conceitos orientados para o futuro e relacionados com negócios com uma abordagem altamente inovadora».

O formato de feira “interativa” recebeu vários projetos pioneiros e, cada vez mais atentas ao mundo que as rodeia sem afastar os olhos do futuro, a Riopele e a Tintex marcaram presença.

Na Tintex, a nova estratégia de comunicação apresentada em julho tem vindo a criar buzz aquém e além-fronteiras, despertando o interesse de marcas desportivas como a Adidas e a Puma em torno da sua ambição de «assumir-se como empresa líder em termos de sustentabilidade», nas palavras do CEO Mário Jorge Silva.

Já a Riopele levou na bagagem para Munique uma nova marca – Tenowa –, fruto do projeto R4 Textiles desenvolvido pela produtora de tecidos.

«Quisemos começar a divulgar para saber como as pessoas reagiam e dão-nos os parabéns pelo conceito, que é mesmo o conceito “cradle to cradle” dentro da Riopele», revelou a diretora de I&D Albertina Reis sobre a coleção da marca com base na economia circular, que conta já com 10 tecidos.

Regressos em grande

Ainda assim, nem só de estreias – Keyhouse – ou de estreantes se faz o salão de Munique e as empresas nacionais que conhecem já os cantos à casa regressaram para desvendar as coleções de outono-inverno 2018/2019. Logo no final do primeiro dia, já se podia confirmar que também os visitantes da Munich Fabric Start conheciam os quatro cantos dos espaços de exposição das empresas portuguesas.

«Já tínhamos oito visitas agendadas só para o primeiro dia», adiantou Sónia Magalhães, account manager da especialista em estamparia digital SatinSkin, que inclui o mercado alemão no top 3 da empresa.

Na MMRA, a análise do tráfego permitiu ainda uma comparação com as presenças anteriores. «Tivemos mais pessoas no primeiro dia este ano, do que nos três dias no passado», avaliou Ricardo Monteiro, diretor de exportação da empresa de malhas.

Naquela que foi a sua 4.ª edição da Munich Fabric Start, a TMG Textiles registou um fluxo constante de visitantes. «A Alemanha é o motor da Europa, temos de estar presentes no motor da Europa», reconheceu o comercial Jorge Lopes.

O selo de competitividade dos tecidos nacionais voltou a ser renovado em Munique, com o desvelar de uma nova imagem corporativa na Adalberto Estampados e em coleções com valor acrescentado, como provaram as flanelas da Texser.

«Começámos a criar maior valor acrescentado na flanela», admitiu José António Ferreira, gestor de mercados externos da Texser, sobre o efeito vintage conseguido e que tem já conquistado desportistas.

Balanço positivo

A Munich Apparel Source, o salão paralelo dedicado à confeção, contou com aproximadamente 200 expositores, números que surpreenderam a organização.

Distribuídos pelos cinco pavilhões do recinto, Portugal, Tunísia, Lituânia, Roménia, Turquia, Alemanha, Índia, China e Hong Kong foram os países que responderam à primeira chamada do evento.

Atentas à procura do mercado alemão por confeções nacionais e com reuniões agendadas com clientes locais, as empresas que representaram o “made in Portugal” fizeram um balanço positivo da Munich Apparel Source.

Nascida em 1989, a empresa familiar de vestuário em malha para homem, senhora e criança Consifex voou para Munique com o desígnio de «alargar a carteira de clientes» naquele que é o seu «melhor mercado», nas palavras da sua diretora comercial Celeste Brito.

«Viemos para encontrar novos clientes, temos cientes na Alemanha, mas são poucos, e notámos que há mais procura pela confeção portuguesa», apontou, por sua vez, Sílvia Senra, administradora da SmSenra. Marcas e designers alemães, suíços e finlandeses visitaram o stand da empresa. «Para primeira feira, o saldo é positivo», afirma Sílvia Senra.

As portas da Munich Fabric Start e da Munich Apparel Source abriram-se esta terça-feira, 5 de setembro, e encerram hoje.