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365 dias de mudança

Em Portugal e no mundo, o ano de 2015 foi, sobretudo, um ano de mudanças, que se refletiu na indústria têxtil e vestuário.

Temas como a sustentabilidade fizeram correr muita tinta internacionalmente, mas em Portugal as principais notícias centraram-se nas apostas externas, novos projetos e na troca de mãos de diversas marcas.

António Gedeão escreveu, na sua “Pedra Filosofal”, que através do sonho «o mundo pula e avança/como bola colorida/entre as mãos de uma criança». Uma ideia que ilustra, na perfeição, o ano de 2015 para a indústria têxtil e vestuário, sobretudo a portuguesa.

Depois de um ano de 2014 memorável nas exportações (ver O melhor ano da década), que promete ser superado (ver Vestuário soma mais 2,6%), as empresas portuguesas mostraram em 2015 que o bom momento que vivem não é fruto nem do acaso nem da sorte. Os projetos de I&D tiveram reconhecimento internacional (ver Os ases das malhas), o saber-fazer, como o da Scoop, é cada vez mais procurado (ver Na pista do sucesso) e há novas apostas que estão a levar empresas como a S. Roque a chegar ao topo da sua área de atividade (ver S. Roque disputa liderança).

Uma trajetória de sucesso que tem sido traçada ao longo dos últimos 50 anos, como mostrou a exposição “50 anos de indústria têxtil e vestuário em Portugal”, organizada pelo CENIT (ver 50 anos da ITV em Portugal), e que foi reconhecida pelo Presidente da República (ver ITV impressiona Cavaco Silva).

A mesma indústria estreitou relações com os vizinhos espanhóis em 2015 (ver O têxtil do século XXI e ITV portuguesa visita Galiza), juntou-se para discutir o novo ciclo político em Portugal (ver A ITV num novo ciclo político), preparou os investimentos para crescer nos próximos anos (ver Portugal 2020) e, tal como o Modtissimo, quer levantar voo (Modtissimo em altos voos). O ano ficou ainda marcado pela primeira cimeira do luxo realizada na cidade do Porto (ver Luxo com toque português).

2015 trouxe igualmente muitas mudanças na área das marcas. Começou com a Decenio (Decenio troca de mãos), continuou com a Concreto (ver Valérius compra Concreto) e, já este mês, trouxe uma nova vida à Throttleman (Nova vida para a Throttleman).

Durante este ano, o sonho comandou ainda muitos novos projetos em Portugal, como o da WLROD – Roots of Denim, que está a chamar a atenções de gigantes como a Ralph Lauren (ver Denim em estado puro) e o da Mysson (ver Material genético irreverente). Os jovens designers estiveram igualmente em destaque, guiados pela vontade de vencerem lá fora. A Marques’Almeida convenceu o júri internacional do prestigiado LVMH (ver Marques’Almeida conquista LVMH) e Diogo Miranda superou as expectativas na sua estreia na Semana de Moda de Paris (ver Ode à feminilidade). O sucesso na passerelle estendeu-se ainda às participações na Semana de Moda de Madrid (ver Bons ventos de Espanha), em Londres (ver Brilho português em Londres) e nas duas edições do Portugal Fashion (ver PF encerra em festa e Estação eclética).

Em Portugal estiveram ainda jovens designers de toda a Europa, num concurso que os levou a percorrer alguns os melhores exemplos da indústria têxtil e vestuário nacional (ver Porto Fashion Show na estrada e No coração da ITV) e que, no final, premiou James White como grande vencedor e consagrou ainda Carla Pontes (ver Os vencedores do PFS 2015).

No plano internacional, a sustentabilidade foi um tópico constante, em parte provocado pela Cimeira do Clima (ver As conclusões da cimeira do clima), mas também por múltiplas iniciativas das marcas e retalhistas para tornarem o seu negócio mais verde (ver H&M aposta na reciclagem). Mas sempre sem esquecer a rentabilidade e atratividade para os consumidores, que impulsionaram novas apostas internacionais (ver Mango acelera expansão, O diabo veste Zara e Primark prepara explosão) e novas parcerias (ver Balmain x H&M lança o caos).

Estratégias que estão também a mexer com o sourcing, com vários países produtores a intensificarem os seus investimentos, incluindo Myanmar (ver Myanmar quer vestir o mundo), Paquistão (ver Paquistão dá o salto), Marrocos (ver Do fio ao vestuário) e, de uma forma generalizada, África (ver África nossa). Houve ainda quem apostasse num regresso a casa, como a Adidas (Robots trazem Adidas para casa), o que está a levar a uma revitalização, ainda comedida, da indústria na Europa (ver ITV britânica vista de dentro).

Uma conjuntura que influenciará, definitivamente, o ano de 2016, que será pintado, segundo a Pantone, de rosa quartzo e azul serenidade (ver2016 a dois tons).