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5 inovações premiadas pela H&M

O Scoop Loop, um sistema digital que pretende fechar o ciclo de vida de cada peça de vestuário, foi o grande vencedor dos Global Change Awards, uma iniciativa da H&M Foundation. A gigante sueca distribuiu um total de 1 milhão de euros por cinco projetos inovadores.

Os Global Change Awards, criados em 2015, têm como objetivo apoiar novas ideias que acelerem a mudança da indústria da moda rumo a uma economia circular. Os cinco projetos vencedores deste ano partilharam um financiamento de um milhão de euros, atribuído pela organização sem fins lucrativos do grupo Hennes & Mauritz, fundada pela família de Stefan Persson. O denominador comum entre os projetos? Têm como desígnio diminuir o impacto ambiental da moda no planeta, de forma inovadora.

Stefan Persson e Karl-Johan Persson

«Os vencedores do Global Change Award provam que é possível reduzir o impacto ambiental da indústria da moda. São uma verdadeira inspiração e poderão ser grandes parceiros de qualquer empresa que queira contribuir para proteger o planeta e melhorar as condições de vida. A parceria com a Indiegogo [site de financiamento coletivo internacional] constitui uma peça fundamental, já que também permite aos cidadãos envolverem-se na descoberta e contribuir financeiramente para um futuro sustentável para a indústria da moda», afirma Karl-Johan Persson, membro da direção da H&M Foundation e CEO do grupo H&M.

Os vencedores

Selecionados entre 6.640 candidaturas, de 182 países, os projetos incluem diferentes ideias, como couro vegan concebido em laboratório, fibras obtidas a partir de urtigas, um sistema digital que torna a roupa reciclável, vestuário infantil que cresce com a criança e uma membrana para roupa outdoor. Além do projeto alemão Scoop Loop, criado pela circular.fashion, a H&M Foundation premiou o projeto Sane Membrane da dimpora (da Suíça), o Sustainable Sting da Green Nettle Textile, o projeto Clothes that Grow da Petit Pli e o Lab Leather da Le Qara.

The Loop Scoop

A equipa alemã por detrás do projeto Loop Scoop recebeu a maior fatia de financiamento, no valor de 300 mil euros. O grupo está a desenvolver um sistema digital através do qual as matérias-primas e as peças de vestuário podem ser usadas e reutilizadas várias vezes. A tecnologia informa os designers como cada material, o design e a produção que escolhem impacta o ambiente. Posteriormente, a informação é guardada numa espécie de “identidade digital” (ID), que os consumidores podem digitalizar, para saberem como usarem, reutilizarem e reciclarem a roupa.

«Em cinco anos, o nosso projeto irá aumentar o uso de fibras recicladas e multiplicará incrivelmente as possibilidades de reutilização. Acreditamos que 150 milhões de IDs estarão disponíveis no mercado, garantindo que cada peça poderá ser reciclada em fibras de alta qualidade, após o uso», explica Ina Budde, cofundadora da circular.fashion.

Sane Membrane

Em segundo lugar, com um financiamento de 250 mil euros, foi premiada a equipa da Suíça, a dimpora, pelo seu projeto Sane Membrane, uma membrana que tem como base minerais, para a criação de vestuário de outdoor.

Em terceiro lugar ficaram três projetos que receberam, cada um, 150 mil euros, nomeadamente o projeto Sustainable Sting, da Green Nettle Textile, do Quénia, que visa o cultivo de urtigas para a produção de fibras sustentáveis destinadas à indústria da moda e fomenta a criação de oportunidades para produtores no Quénia, melhorando as condições de vida.

Sustainable Sting

Outro dos premiados com 150 mil euros pela H&M Foundation foi o projeto Lab Leather, da peruana Le Qara, que apresenta um novo processo que utiliza microrganismos para produzir couro vegan biodegradável destinado à indústria da moda. Entre estes foi ainda premiado o Clothes that Grow, da britânica Petit Pli, que desenvolve vestuário infantil que cresce ao mesmo ritmo que as crianças que o usam, ao mesmo tempo que reduz o impacto ambiental.

O apoio necessário para o crescimento

Além da bolsa financeira, todos os vencedores têm acesso a um programa de aceleração de um ano, proporcionado pela H&M Foundation, em parceria com a Accenture e a KTH Royal Institute of Technology, que leva os vencedores a Estocolmo, Nova Iorque e Hong Kong. O programa também oferece sessões de formação virtual, ao longo do ano. Segundo a H&M Foundation, esta preparação valoriza o trabalho das equipas vencedoras e, reconhecidamente, diminui o número de anos do cronograma de desenvolvimento dos projetos.

Lab Leather

Entre os milhares de candidatos à edição deste ano do Global Change Award, 45% admitem que o financiamento é o seu maior obstáculo no desenvolvimento dos projetos. A retalhista defende que o financiamento coletivo tem um potencial por explorar, bem como representa uma oportunidade para todo o ecossistema de inovação contribuir e fazer a diferença.

Clothes that Grow

A iniciativa da H&M Foundation, em parceria com a Indiegogo, «coloca os consumidores no banco da frente, permitindo-lhes ter um papel ativo como apoiantes, financiadores e avaliadores das inovações», refere o grupo. «Se tivéssemos um maior financiamento, certamente desbloquearíamos a nossa possibilidade de experimentar novas fibras recicladas, cores e moldes que atualmente não conseguimos, tendo em conta a nossa dimensão. Também nos permitiria empregar mais pessoas, que são necessárias, antes de aumentarmos a produção das nossas peças», garante Ryan Yasin, fundador da Petit Pli.