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5 materiais orgânicos para mudar o mundo

Em resposta aos desafios de sustentabilidade económica, social e, sobretudo, ecológica, investigadores e designers estão a desenvolver alternativas aos processos e materiais convencionais da indústria da moda. Enzimas, raízes, colagénio e até estrume são algumas das mais recentes soluções.

Mestic

A transição para uma indústria de moda mais sustentável implica a criação de soluções que reduzam o seu impacto ambiental, passando por processos de produção mais limpos e orgânicos, que eliminem os químicos prejudiciais e minimizem as emissões de carbono e o desperdício de água. Investigadores, designers e a própria indústria estão atualmente a explorar mecanismos e modelos encontrados na Natureza para criar uma moda mais sustentável.

Enzimas como novas ferramentas de design

É o caso das enzimas, que começaram a ser utilizadas no têxtil no século XX e substituíram vários processos industriais. As celulases e outros grupos de enzimas, como a lacase, são, nomeadamente, aplicadas no acabamento de denim, para efeitos stonewashed, tendo substituído as pedras pomes que causavam danos nas fibras e nas máquinas.

Chetna Prajapati, professora e investigadora na Loughborough University, tem pesquisado as possibilidades de usar lacase e protease «como ferramentas de design criativo para tornar os processos têxteis mais sustentáveis», escreveu num artigo publicado no site The Conversation.

Zoa

Na investigação, Prajapati utilizou enzimas para sintetizar corantes têxteis usando as condições ambientais no processamento, com temperaturas tão baixas quanto 50 °C à pressão atmosférica. «Temos agora formas de criar muitas cores diferentes com apenas uma pequena alteração das condições de processamento», explica.

Couro sem animais

No âmbito do crescimento acelerado da biologia sintética, a empresa americana Modern Meadow avançou com uma alternativa ao couro, denominada Zoa. Este novo material tem por base o colagénio, uma proteína, que, aliás, é o componente principal do couro natural, com a diferença de que o Zoa foi desenvolvido em laboratório a partir de colagénio derivado de levedura. O material consegue replicar as qualidades do couro e elimina o elevado impacto ambiental da criação de vacas e do processo de curtir a pele, que é, muitas vezes, tóxico.

MycoWorks

Também a empresa MycoWorks, sediada em San Francisco, criou uma solução para o mesmo material recorrendo a fungos. O micélio desenvolve-se a partir dos fungos e subprodutos agrícolas e é posteriormente alterado em laboratório, mediante um processo de carbono negativo. Algumas das suas vantagens prendem-se com a simplicidade no cultivo, o crescimento rápido e a facilidade de manipulação para adotar as características do couro, bem como de outros materiais, nomeadamente a madeira e o poliestireno.

Trabalho de campo

Já a artista Diana Scherer desenvolveu o projeto Interwoven, onde manipula, por exemplo, raízes de plantas de aveia e trigo para criar materiais têxteis semelhantes à renda.

E a empresa holandesa Inspidere seguiu a orientação do modelo circular para aproveitar o estrume de vaca no fabrico de novos têxteis, método que assumiu a designação Mestic. Durante o processo, a celulose é extraída do estrume para produzir viscose (celulose regenerada) e acetato de celulose (bioplástico). O desafio passa agora por escalar o processo industrialmente.