Início Notícias Tendências

5 temas que vão moldar a moda sustentável

Embora se antecipe um regresso à normalidade este ano, prosseguindo o caminho iniciado em 2021, as mudanças para uma moda mais sustentável vão continuar e, de acordo com a Edited, há cinco temáticas que terão de ser abordadas pelos retalhistas que queiram prosperar no futuro.

[©Farfetch]

A indústria da moda está a dar cada vez mais atenção à redução dos malefícios para o ambiente da produção e retalho de vestuário e, como tal, tem procurado colocar em prática novas metodologias para melhorar as suas credenciais sustentáveis.

De acordo com a plataforma de informação do mercado de retalho Edited, os negócios que tiverem atenção a cinco temas de sustentabilidade – logística ecológica; novos materiais; reutilizar, reparar e revender; transparência radical no marketing; e aprender com o metaverso – irão estar bem posicionados para ter sucesso.

«A urgência do relatório das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, juntamente com as negociações na COP26, pode levar a nova legislação e coimas para os negócios da moda, que serão mais responsabilizados para atingir os objetivos de emissões zero», refere a Edited. Tendo isso em conta, «esperamos que no próximo ano os retalhistas acelerem as suas ambições ao nível do clima, ao reverem os seus processos mais intensivos em carbono, optando por soluções de base natural e inovação digital, ao mesmo tempo que adotam a economia circular», acrescenta.

Também as experiências com novos materiais terão um pico, levando a um maior investimento em alternativas mais responsáveis ​​para combater o aumento dos preços do algodão e o impacto dos tecidos convencionais e da pecuária nas pessoas e nos recursos naturais.

2022 deverá igualmente ser um ano em que serão desmontados esquemas de greenwashing, aponta a Edited, pelo que a informação precisa e o marketing direto para os consumidores será essencial para garantir a confiança dos consumidores. «Embora o uso de materiais conscientes seja a principal forma de apontarem para a sustentabilidade, os retalhistas não podem definir-se como sustentáveis se isso não for intersectorial e os seus trabalhadores não forem compensados devidamente ​​– algo que exige transparência», resume a Edited.

Logística ecológica

Tendo em conta que as compensações serão responsáveis ​​por apenas 14% da redução nas emissões até 2030, os retalhistas têm de repensar os seus processos mais intensivos em carbono em cada parte da cadeia de valor e não dependerem apenas da compensação de emissões em excesso para avançarem em direção às entregas com zero emissões.

«Adotar uma abordagem de moda lenta, produzindo menos opções, está a tornar-se mais comum no sector. A Farfetch é uma das mais recentes retalhistas a adotar esta abordagem, tendo lançado um projeto de pré-venda que permite fazer apenas o que foi encomendado para ajudar a minimizar o desperdício», exemplifica a Edited.

[©Piñatex]
Além disso, os retalhistas estão também a adotar embalagens reutilizáveis ​​para as encomendas e a procurar meios de transporte alternativos mais ecológicos.

Novos materiais

Os retalhistas têm de se distanciar ainda mais dos produtos de origem animal, que têm elevadas emissões de metano, para criar vestuário mais responsável. Em 2021, surgiram alternativas como couro de uva e à base de micélio, bem como o aproveitamento de resíduos de café, bambu, urtiga dos Himalaias, alga marinha, banana e folhas de abacaxi, enumera a Edited.

Reutilizar, reparar e revender

80% dos consumidores americanos planeiam renovar os seus armários assim que a pandemia terminar, quer deitando fora os artigos que já não querem ou comprando alguma coisa nova, o que contribui para o problema do desperdício na moda. Como tal, os retalhistas devem procurar oferecer opções de segunda mão, revenda e reciclagem, sobretudo quando se tem em conta que o mercado de moda em segunda mão deverá duplicar nos próximos cinco anos, para 77 mil milhões de dólares (cerca de 64,8 mil milhões de euros).

[©H&M]
«Os retalhistas que não planeiam entrar a bordo, já estão a ficar para trás», sublinha a Edited.

Transparência radical no marketing

Com o jargão à volta do que torna um produto sustentável, os retalhistas têm de apresentar mensagens claras para evitar o greenwashing e transmitir de forma eficiente o que estão a fazer, o que pretendem e como isso se alinha com os objetivos científicos definidos pelas Nações Unidas ou outras entidades relevantes.

Aprender com o metaverso

Das passarelas e eventos virtuais às marcas de luxo, como a Balenciaga, que estão a fazer experiências com a tecnologia NFT, a moda e o digital estão cada vez mais interligados. «Embora o armazenamento de dados tenha uma pegada ambiental, é uma área que vale a pena explorar», garante a Edited, que acrescenta que os retalhistas devem investir em tecnologia para ajudar a compensar o impacto dos processos convencionais da moda, produzindo menos bens físicos.

Fortnite X Balenciaga[©Epic Games]