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52 trabalhadores da Alcafil no desemprego

O Instituto de Gestão Financeira (IGF) da Segurança Social interpôs um recurso judicial com carácter suspensivo da decisão de inserir a empresa num plano de gestão controlada, tomada pela assembleia de credores da Alcafil, noticiou o jornal Público. No passado dia 7 de Janeiro, a decisão da assembleia de credores de não pedir a falência da têxtil foi homologada por sentença judicial tendo também transitado em julgado. No entanto, a insistência da Segurança Social em exigir que lhe sejam liquidados os cerca de 30 mil contos em dívida pode levar ao desemprego cerca de 52 trabalhadores. Mesmo tendo sido oferecida a hipoteca do edifício fabril, que foi avaliado pelo BCP em 140 mil contos e de existir um plano de pagamentos, que se propõe a saldar a dívida com a instituição, a Segurança Social não parece disposta a aceitar a viabilização da empresa. Dos cerca de 800 mil contos de dívidas a bancos, empresas privadas e aos funcionários, a Segurança Social tem apenas 30 mil contos de crédito, já com juros incluídos. O plano de recuperação da empresa prevê ainda que as quotas dos actuais proprietários sejam alienadas a dois novos sócios (pelo preço simbólico de um escudo) que têm já uma proposta de regularização do passivo que foi já aceite por todos os outros credores, e garantindo ainda emprego para os 52 funcionários. Segundo Alexandre Silva, um dos sócios da Alcafil, «Está tudo pronto para a empresa voltar a trabalhar, mas a Segurança Social não deixa». Também Francisco Vieira, do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes diz que a situação é «insustentável». No entanto, as maiores críticas de todo este processo vão para Francisco Rodrigues Cal, presidente do Conselho Directivo do Instituto de Gestão Financeira (IGF) da Segurança Social, pois terão partido dele as instruções para que não fosse aprovada a medida de recuperação da Alcafil. Francisco Cal em declarações ao Público, terá garantido que o gestor judicial da empresa de Famalicão sabia «desde o princípio, que a Segurança Social não vota favoravelmente a recuperação de empresas devedoras.» O presidente do IGF afirmou ainda que a Alcafil «nunca deu qualquer sinal de querer pagar a dívida». Para Francisco Cal a melhor solução para este caso seria a «reestruturação financeira que permitisse à Segurança Social cobrar as dívidas». Mas contra o modelo de gestão controlada está o facto de durante dois anos a empresa não poder ser executada. Em relação à hipoteca que deveria ser feita sobre o edifício da empresa têxtil e que iria garantir o pagamento da dívida de trinta mil contos, o presidente da IGF diz que também no prazo de dois anos nada poderiam fazer para recuperar o dinheiro que lhe pertence.