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Nova vida para a Throttleman

Já há duas lojas de portas abertas com o novo conceito e outras seis na calha. Uma morada online está também a ser adjudicada. Novas linhas de vestuário, renovada imagem gráfica e o relançamento da Throttleman fazem parte dos planos do grupo têxtil Crivedi, que comprou a marca portuguesa cujo futuro estava envolto em incerteza desde 2012.

«O plano estratégico traçado para a Throttleman centra-se na abertura de oito lojas, no total, sendo que duas delas já abriram portas em outubro no Mar Shopping, em Leça da Palmeira, Matosinhos, e no Almada Fórum. As restantes seis serão para abrir ao longo dos próximos 24 meses», revelou António Archer, administrador do grupo Crivedi, ao Portugal Têxtil. As 18 lojas Throttleman (seis das quais em outlets) que estão a funcionar empregam 92 pessoas e a abertura das seis que faltam implicará a contratação de mais 20 pessoas.

A complementar a abertura dos espaços físicos que, segundo o administrador, tem apresentado «dificuldades» nos centros comerciais por se tratarem de espaços «demasiado ocupados» e a estratégia passar, também, pela individualidade dos pontos de venda, está já adjudicada uma plataforma de comércio eletrónico para a Throttleman. A investida no universo digital passa pela «dinamização do negócio» e será lançada «nos finais de janeiro, inícios de fevereiro, para apresentar a coleção primavera-verão», antecipou Archer. O administrador do grupo Crivedi apontou ainda um terceiro investimento a nível de vendas, que passa pelo reforço da presença da Throttleman em lojas multimarca.

O processo de relançamento da marca envolve um investimento na ordem de 1,5 milhões de euros, «conseguido através da sociedade gestora de capital de risco Explorer Investments, que detém 25% do capital», explicou o administrador do grupo Crivedi ao Portugal Têxtil. O objetivo é fazer com que a Throttleman atinja um volume de vendas na ordem dos 5,2 milhões de euros já em 2016.

O relançamento da marca contempla ainda a renovação da imagem gráfica – que se estende também ao conceito da loja –, um novo website e novas linhas de vestuário, abarcando também uma estratégia de «renovação» dos pontos de venda existentes, ainda que António Archer deixe claro que privilegia a «abertura de novos espaços».

Os altos e baixos da marca

Nascida em 1991 pela mão de Pedro Pinheiro, Eduardo Barros e Nuno Gonçalves, a Throttleman chegou a faturar 27 milhões de euros e a empregar 750 pessoas, com 60 lojas em Portugal, além dos espaços comerciais nos Emirados Árabes Unidos e em Angola. A Brasopi, a empresa que detinha a Throttleman, lançou em 2008 uma segunda marca de vestuário, a Red Oak, com uma rede de 16 lojas. Mas foi arrastada pela crise financeira de 2008 e acabou por pedir o Processo Especial de Revitalização. Nos finais de 2012, ambas marcas tinham acumulado dívidas de 45 milhões de euros, segundo o Dinheiro Vivo.

Declarada insolvente em 2012, o futuro da Throttleman esteve então nas mãos do Tribunal da Relação do Porto desde maio último, altura em que, de acordo com a mesma fonte noticiosa, Luís Gomes, o administrador de insolvência, quis vender a marca portuguesa de vestuário a uma empresa têxtil da Trofa, que oferecia 80 mil euros. Mas o Montepio, um dos maiores credores, pediu a anulação do negócio por considerar que o valor era demasiado baixo.

Em tribunal corria ainda um outro processo relativo às lojas Throttleman que estavam em operação, exploradas pela Saving Dreams, empresa do grupo Crivedi, que foi o maior fornecedor da Brasopi. Esta dispunha de um contrato que lhe dava direito ao uso da marca, em caso de insolvência, até esgotar os stocks e se ressarcir de determinados investimentos. Nesse sentido, a Crivedi terá arrendado cinco espaços comerciais que eram ocupados pela Throttleman, em centros comerciais do Porto, e continuou a usar a marca. As ligações entre a Crivedi e a Throttleman marcaram a história da marca desde a sua fundação e, agora, decidem também o seu futuro.