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Os wearables do futuro

As denominadas “tecnologias usáveis” alcançaram um estádio crucial, medido pelo constante interesse e investimento da indústria, mas contrabalançado pela timidez do consumidor, que se continua a mostrar reticente na aquisição deste tipo de produto. Todavia, há marcas cujo percurso está a ser trilhado com sucesso, ao anteciparem não só o futuro dos wearables, mas também o comportamento do público-alvo.

Quatro anos volvidos desde o lançamento da pulseira Nike+FuelBand, que motivava a atividade física do seu utilizador, seis anos depois da estreia da empresa Fitbit e dos seus vários equipamentos tecnológicos e somados sete meses ao nascimento do divisor de águas naquele território com a apresentação do Apple Watch, a indústria dos wearables ainda continua à procura de uma definição de fronteiras para aquilo que serão os próximos produtos da categoria, para que servirão e onde poderão ser usados. Para um mercado que deverá crescer 64% nos próximos três anos, atingindo os 25 mil milhões em 2019, o próximo ano figura-se como um dos mais importantes para inovações na tecnologia usável.

De acordo com o portal de tendências WGSN, há quatro produtos e marcas que começam já a desvelar aquilo que serão os próximos anos para os wearables.

O “Up” da Jawbone

As pulseiras fitness podem facilmente tornar-se supérfluas à medida que os smartphones se vão mostrando capazes de um tracking mais matizado. Aquelas que sobreviverem, consegui-lo-ão por apresentarem, ao mesmo tempo, uma estética apelativa para quem as usa e uma real utilidade. E é neste sentido que as pulseiras “Up 3” (várias linhas) da marca Jawbone vencem: o reconhecido eco-designer suíço Yves Béhar desenhou-as numa vasta paleta de cores, numa gama diversificada de texturas, em borracha hipoalérgica e como um acessório de lifestyle. A estética é fina o suficiente para se aproximar de uma qualquer pulseira de festival de verão feita em tecido, mas está equipada com sensores, que monitorizam quando a pessoa se move ou dorme e tomam especial atenção à frequência cardíaca.

A joalharia da Kovert Designs

Os wearables que procuram aproximar-se da joalharia tendem a ser criticados e há quem considere que, até à data, nenhum produto conseguiu fazê-lo de forma verdadeiramente eficaz. A empresa Kovert Designs tem como CEO uma antiga modelo, o que lhe acabaria por garantir um avanço considerável em termos de estética dos seus wearables. Kate Unsworth desenvolveu a gama Altruis, que inclui uma pulseira, um colar e um anel inteligentes cujo objetivo é complementar as comunicações dos smartphones, acabando com o ruído desnecessário e alertando o utilizador apenas para a informação que verdadeiramente importa. Um «pager dos dias modernos», segundo a CEO, desenvolvido a pensar no público feminino.

Os tecidos do futuro

As investidas no território dos wearables consubstanciam-se, sobretudo, em dispositivos como pulseiras, relógios (ver Duelo de titãs) e, ao que tudo indica, um anel (ver Apple Ring: Um esboço), mas não se esgotam nestes produtos. O vestuário inteligente tem merecido a atenção dos gigantes da tecnologia e da indústria da moda – recorde-se o tema escolhido para a exposição anual e respetiva gala do Metropolitan Museum of Art (MET) de 2016 “Manus x Machina: Fashion in an Age of Technology” – e, neste campo, o WGSN aponta o Project Jacquard como o melhor exemplo. Até ao momento, a iniciativa empreendida pelo Google já firmou parceria com a Levi Strauss para desenvolver um modelo de jeans inteligentes – que mantêm os utilizadores em interação constante com os seus dispositivos eletrónicos (ver Jeans inteligentes) –, mas outras colaborações estão já a ser estudadas.

O próximo passo

O estúdio NewDealDesign apresentou, em 2014, um conceito vanguardista, mas que tardará a chegar às lojas. Ainda assim, é reconhecido como um futuro possível dos wearables. O Project Underskin propõe uma tatuagem digital inteligente, implantada na cútis, na mão, que possibilita uma interação com tudo aquilo em que o utilizador toca. Permite abrir uma porta, trocar dados com um aperto de mão e até alertar para a baixa de açúcar no sangue.