Início Notícias Moda

Da casa para a passerelle

Nas últimas temporadas de moda, a fonte de inspiração das passerelles foi diversas vezes remetida para o design de interiores, sublinhando o incremento de uma estética cada vez mais próxima da decoração.

A atual permuta entre os dois universos criativos expressa-se no influxo de motivos e ornamentos de diferentes movimentos artísticos do passado em têxteis, bordados e pormenores.

Neste encadeamento, o portal de tendências WGSN procurou fazer um levantamento dos diferentes movimentos responsáveis pela simbiose entre o exterior da passerelle e o interior da decoração.

Barroco

Os estilos imponentes, com particular atenção dada à ornamentação, permanecem enquanto sinónimos da era barroca. Os interiores luxuosos, demarcados pelos veludos e damascos influenciaram as coleções outono-inverno 2015/2016, com designers e marcas a adotarem características exageradas e detalhadas daquele período. Os motivos heráldicos surgiram em tecidos e estilos trabalhados numa expressão dramática.

Rococó

As formas curvadas e as ornamentações rocaille – estilo em voga, em França, no reinado de Luís XV, caracterizado pela fantasia de linhas curvas e de ornamentos que representam grutas, rochas e conchas – são a assinatura do Rococó. Os designers traduzem esses fragmentos do luxo em tecidos embelezados e com apontamentos dourados trabalhados à mão. Os designs assimétricos e o motivo da folha de acanthus são a chave desta era, atualizada pela intervenção dos tons e texturas.

Gótico vitoriano

O estilo vitoriano tem sido uma influência constante no trabalho dos designers pelo seu revivalismo eclético dos estilos medievais e influências asiáticas. Os interiores soturnos e escuros, bem como os rituais de luto deste período serviram de inspiração ao trabalho de marcas e designers – entre os quais se destacou a Alexander McQueen – nas suas propostas para esta estação fria.

Arts & Crafts

O movimento artístico nascido na Inglaterra na segunda metade do século XIX também tem vindo a influenciar os designers que enfatizam nos seus trabalhos a fauna e a flora, as formas arrojadas e as cores fortes. Os jacquard são inspirados pelos interiores da Red House (em Kent, Londres, é considerada o ex-líbris do Arts & Crafs e foi casa pessoal de William Morris) e pelo Wightwick Manor (solar em Wolverhampton, West Midlands, construído e decorado segundo aquele estilo), bem como pelo trabalho de William Morris (apresentado com um dos fundadores do movimento).

Art Nouveau

O Art Nouveau tem sabido alimentar a sua popularidade entre os designers que procuram uma versão moderna de estilos históricos ecléticos. As formas naturais são combinadas com contornos angulares para criar designs sofisticados com relevo subtil e a cor é utilizada de forma proporcional. Designers como Erdem Moralioglu (Erdem) têm interpretado a mistura de trabalho orgânico e geométrico apanágio deste movimento.

Art Deco

Os designers deixam-se inspirar pela Art Deco graças à sua estética modernista, caracterizada por linhas simples e curvas marcadas, bem como pela sua conexão a movimentos artísticos avant-garde como o Cubismo, ou ao antigo Egipto. Os designers que dedicam particular atenção à decoração são atraídos para esta sensação de marchetaria, escolhendo bordados e pormenores que mais fielmente possam interpretar o seu aspeto gráfico.

Bauhaus

Os arquitetos do Bauhaus rejeitaram os detalhes em detrimento do funcional. Célebre por aliar a arte ao design industrial, este movimento tem tido uma influência perene nos têxteis contemporâneos. Neste território, servem de exemplo a Céline e a Roksanda, que recorrem a formas simples e geométricas em blocos de cor, enriquecidos com padrões discretos.

1970

O revivalismo da década de 1970, uma das tendências vencedoras de 2015, levou elementos decorativos deste período para os desfiles do outono-inverno 2015/2016 e primavera-verão 2016. Dando continuidade às qualidades gráficas de eras passadas e à influência da Biba (a carismática boutique londrina dos anos 1960 e 1970), os têxteis evoluíram a partir do apelo visual, com os designers a introduzirem micropadrões reminiscentes do papel de parede retro.