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  1. Castelbajac ao leme da Benetton
  2. Vendas de verão animam Next
  3. Gigantes de blockchain juntam forças
  4. Patagonia lança gama com lã reciclada
  5. Jeans conquistam guarda-roupa feminino
  6. Comércio internacional em risco

1Castelbajac ao leme da Benetton

Jean-Charles de Castelbajac é o novo diretor criativo das coleções de homem e senhora da Benetton. Luciano Benetton, cofundador do grupo italiano, elogiou, em comunicado, o designer veterano, nomeadamente a capacidade de Castelbajac para «prever as tendências sociais e de moda de amanhã». Nascido em Casablanca, Marrocos, em 1949, Jean-Charles Castelbajac estreou-se no mundo da moda com uma coleção lançada com a sua mãe em 1968. Foi o responsável por inspirar tendências como “antimoda” e gosta de usar os objetos de forma alternativa, incluindo um casaco de ursos de peluche envergado por Madonna. «Nascido de uma mistura de punk e pop, o seu estilo é caracterizado pela utilização de cortes fortes e ícones pop, a combinação do velho e do novo e um toque irreverente e original», descreve a Benetton. «A United Colors of Benetton e eu tivemos sempre uma abordagem semelhante à moda, caracterizada pela paixão pelo vestuário em malha e pela paixão pela pop e pelas cores do arco-íris», destacou, por seu lado, Jean-Charles de Castelbajac. O grupo italiano considera partilhar a paixão por «contaminar a moda com arte» de Castelbajac, que já trabalhou com Andy Warhol, Miguel Barcelo, Keith Haring, Jean Michel Basquiat, M.I.A e Lady Gaga.

2Vendas de verão animam Next

A Next reviu em alta as previsões de lucro para o ano, graças a um primeiro semestre melhor do que o esperado. Na declaração de resultados, a retalhista britânica revelou que a sua performance acima do previsto no primeiro semestre beneficiou do verão anormalmente quente mas advertiu que o mercado do Reino Unido continua volátil. As vendas a preço total no primeiro semestre subiram 4,5% em comparação com igual período do ano passado, acima das previsões de crescimento de janeiro (+1%) e de maio (+2,2%). Como tal, a Next reviu em alta de 10 milhões de libras (cerca de 11,4 milhões de euros) os lucros expectáveis para o ano, que deverão agora ficar próximos dos 727 milhões de libras. Nos primeiros seis meses do ano, as vendas totais subiram 3,8%, para 1,99 mil milhões de libras, enquanto as vendas online aumentaram 16,8%, para 892,3 milhões de libras. As vendas nas lojas físicas, contudo, baixaram 6,9%, para 925,1 milhões de libras. O lucro antes de impostos cresceu 0,5%, para 311,1 milhões de euros, enquanto o lucro operacional aumentou 1,6% em termos anuais, para 330,5 milhões de libras. O lucro líquido, por seu lado, subiu 0,8%, para 254,2 milhões de libras. «Quando publicámos a nossa declaração de resultados de agosto acreditávamos que havia o risco elevado de que o ganho das vendas de julho fosse contrabalançado por perdas em agosto. Afinal não registámos perdas materiais em agosto nem no início de setembro», indicou o diretor-executivo da Next, Simon Wolfson. No entanto, alertou, o mercado de retalho do Reino Unido «continua volátil, sujeito a grandes mudanças estruturais e cíclicas», acrescentando que as contrariedades não diminuíram. «Tal como esperado, as vendas nas nossas lojas, que agora representam apenas metade do nosso volume de negócios, continuam com dificuldades», referiu. Sofie Wilmott, analista sénior de retalho na GlobalData, sublinhou que os números positivos anunciados pela Next «não devem ser atribuídos a uma retoma generalizada no consumo» mas a decisões operacionais que ajudaram ao crescimento. «As lojas continuam a ser uma parte do negócio em declínio, mas a Next está a usar as suas localizações físicas de forma vantajosa, por exemplo ao acrescentar concessões para aumentar as vendas e dar aos consumidores mais razões para visitar a Next, e também como um armazém de recurso para compras online», apontou Wilmott.

3Gigantes de blockchain juntam forças

Duas das maiores organizações mundiais de blockchain uniram esforços para ajudar a acelerar a adoção em massa das tecnologias blockchain no mundo dos negócios. A Enterprise Ethereum Alliance (EEA), uma organização mundial de normalização que está a impulsionar a adoção do sistema Enterprise Ethereum, e a Hyperledger, uma iniciativa de blockchain open-source pensada para ajudar as empresas a criar e a adotar ferramentas que usam blockchain, tornaram-se membros associados. Isto significa, de acordo com a notícia publicada pelo just-style.com, que as lideranças de ambas vão ser capazes de colaborar em dezenas de grupos de especial interesse, grupos de trabalho e conferências em todo o mundo. Os membros da comunidade EEA que trabalham em especificações e nomas podem recorrer à Hyperledger para colaborar na implementação de software dessas normas. «É uma altura de grandes oportunidades», afirma o diretor-executivo da EEA, Ron Resnick. «Colaborar através de uma associação mútua fornece mais oportunidades a ambas as organizações para trabalharem mais de perto. Além disso, os programadores da Hyperledger que se juntem à EEA podem participar na Certificação EEA para assegurar o cumprimento [de nomas] da solução para projetos relacionados com a Especificação de Clientes da Enterprise Ethereum», acrescenta. A tecnologia blockchain está a ser cada vez mais usada pelas organizações mas também na cadeia de aprovisionamento para aumentar a eficiência e a transparência. As chamadas blockchains são essencialmente redes de computadores que funcionam em open-source (todos podem ver e colaborar), de forma descentralizada, sem intermediários. A rede ou protocolo pode ser usado para suportar a compra de moeda digital ou manter registo de transações entre pares – é possível, por exemplo, registar o certificado de origem ou a composição de um tecido de uma peça de vestuário.

4Patagonia lança gama com lã reciclada

A marca de vestuário de outdoor lançou uma nova linha de vestuário usando uma malha polar que batizou de Woolyester por ser uma mistura de poliéster com lã reciclada. A Patagonia tomou a decisão em 2015 de temporariamente parar de usar lã virgem devido a preocupações relacionadas com o bem-estar animal e gestão das terras. Subsequentemente lançou o Patagonia Wool Standard e o seu compromisso para com o Responsible Wool Standard como exigência de base para os fornecedores de lã, antes de voltar a sua atenção para os desperdícios de lã. A marca afirma que reciclar lã tira o vestuário dos caixotes de lixo, acrescentando que a sua linha Woolyester para o outono de 2018, que inclui quatro produtos em malha polar para homem e senhora, impede que mais de 27 mil quilos de vestuário acabem em aterros. A marca de outdoor refere ainda que a lã reciclada elimina a necessidade de tingimento e químicos. A produção da malha polar, que tem lugar numa unidade industrial em Prato, Itália, usa menos 23% de água que outras malhas sintéticas e tem uma pegada de carbono inferior em 37%.

5Jeans conquistam guarda-roupa feminino

A venda de jeans de senhora nos EUA aumentou no ano passado, com as marcas a sentirem o crescimento da tendência do athleisure e do activewear e a adaptarem as suas gamas para se integrarem nestas preferências. Há vários anos que o athleisure e o activewear têm estado em destaque, ensombrando as vendas de denim, mas os produtores e marcas de jeans perceberam esta mudança e incluíram essas preocupações, o que lhes valeu um aumento de 9% nas vendas de jeans de senhora no ano terminado em julho de 2018, segundo o The NPD Group. «Os jeans sempre ofereceram forma, moda e funcionalidade, mas agora estão a oferecer o conforto que as consumidoras atuais desejam», afirma Marshal Cohen, diretor de consultoria para a indústria do The NPD Group. «É uma situação win-win para os consumidores, produtores de jeans e retalhistas», acredita. O mercado de jeans dos EUA, avaliado em 16,4 mil milhões de dólares (aproximadamente 14,3 mil milhões de euros), registou um crescimento de 5% das vendas no ano terminado em julho de 2018 face ao mesmo período do ano anterior, indica o The NPD Group. Tanto os estilos clássicos como os novos tiveram um papel importante no crescimento da categoria, embora os jeans de senhora se tenham destacado. Os skinny jeans, que se mantêm como tendência há alguns anos, ainda são o modelo de jeans mais vendido para senhora, tendo crescido 6% e representando quase 40% de todas as vendas de jeans de senhora. Os novos materiais aumentaram a elasticidade e o conforto, mantendo, contudo, o aspeto de jeans. O ajuste dos jeans, independentemente do modelo, é algo pessoal, motivo pelo qual apenas um em cada seis pares de jeans de senhora são adquiridos online, sublinha o The NPD Group. Se as consumidoras conhecem a marca e o estilo de jeans, sentem-se confiantes para comprar online ou na loja sem experimentar. As que querem optar por uma marca ou estilo novos, primeiro experimentam, uma vez que marcas e modelos ajustam-se de forma diferente. «Todos temos um par de jeans favoritos. Os jeans muito usados aos quais recorremos como a um velho amigo que nos envolve em familiaridade e descontração; os nossos jeans de trabalho, um nível acima dos jeans muito usados; e os nossos jeans para eventos especiais. Os jeans nunca vão sair de moda. São um clássico americano», resume Marshal Cohen.

6Comércio internacional em risco

O escalar das tensões e condições de crédito mais difíceis em mercados importantes deverão levar ao abrandamento do crescimento do comércio internacional no resto do ano e em 2019, indica a Organização Mundial do Comércio (OMC). O comércio deverá, contudo, continuar a crescer, mas a um ritmo mais moderado do que o inicialmente previsto. A OMC antecipa um crescimento de 3,9% em 2018 e de 3,7% em 2019, uma previsão que fica abaixo da estimativa avançada em 12 de abril de um aumento de 4,4%. A culpa, apontam os economistas da OMC, é das medidas atuais e em análise das grandes economias, cujo impacto tem sido modesto até agora, mas a incerteza deverá levar a uma redução do investimento. As restrições na política monetária de alguns países desenvolvidos também está a contribuir para a volatilidade nas taxas de câmbio, com efeitos que se podem fazer sentir nos próximos meses, segundo a OMC. «Embora o crescimento do comércio continue forte, esta revisão em baixa reflete o aumento das tensões a que estamos a assistir entre grandes parceiros comerciais», afirma o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo. «Mais do que nunca, é crítico para os governos trabalharem as suas diferenças e mostrarem contenção. A OMC apoia esses esforços e quer assegurar que o comércio continua a ser um impulsionador de melhores padrões de vida, crescimento e criação de emprego em todo o mundo», acrescenta. A atual previsão baseia-se nas expectativas do crescimento real do PIB mundial a taxas de câmbio no mercado de 3,1% em 2018 e 2,9% em 2019. Isso implica um rácio de crescimento do comércio para o crescimento do PIB de 1,3% em ambos os anos. Na primeira metade de 2018, a América do Norte registou o crescimento do comércio mais acelerado e a Ásia conheceu o maior aumento das importações. O comércio mundial de mercadorias subiu 3,8% nos seis meses em comparação com igual período do ano passado. As exportações das economias desenvolvidas aumentaram 3,5%, enquanto as das economias em desenvolvimento subiram 3,6%. Todas as regiões evdenciaram crescimentos positivos tanto nas exportações como nas importações, mas algumas tiveram performances melhores: a América do Norte aumentou as exportações em 4,8%, a Ásia em 4,2% e a Europa em 2,8%. A OMC adverte, contudo, que as medidas na política comercial estão longe de apenas colocar em risco a sua previsão, podendo prejudicar os fluxos monetários das economias em desenvolvimento e emergentes e causar um efeito de contágio, à medida que os países desenvolvidos sobem as taxas de juro, que terá consequências negativas para o comércio. As tensões geopolíticas podem também ameaçar os recursos e afetar as redes de produção em certas regiões, ao mesmo tempo que fatores estruturais como o reequilíbrio da economia chinesa, que está a passar do investimento para o consumo, ainda se fazem sentir e podem pesar na procura de importações.