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8 pistas para o desporto

Depois de um ano em que a indústria de artigos desportivos conheceu uma queda pela primeira vez desde a Grande Recessão, os executivos do sector assumem agora estar cautelosamente otimistas quanto à sua performance nos próximos tempos.

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O mercado de artigos desportivos diminui 7% em 2020, para 286 mil milhões de euros, segundo os dados do relatório “Sporting Goods 2021 – The Next Normal for an Industry in Flux”, elaborado pela World Federation of the Sporting Goods Industry (WFSGI) e a McKinsey & Co. Apesar da redução, ambas entidades afirmam que o sector mostrou ser mais resiliente comparativamente com outros segmentos da indústria de vestuário, que não registaram um desempenho tão bom.

Numa pesquisa que inquiriu 130 executivos da indústria de artigos desportivos, 64% acreditam que as condições de mercado em 2021 serão «melhores» ou «muito melhores» do que as experienciadas no ano passado.

Os maiores desafios encontram-se nas cadeias de aprovisionamento e nas questões relacionadas co o Covid-19, conclui o relatório.  Já as maiores oportunidades residem no potencial regresso de grandes eventos desportivos como os Jogos Olímpicos e o Campeonato Europeu de Futebol da UEFA, assim como a crescente popularidade das atividades exteriores, domésticas e digitais, desportivas e de fitness.

«A indústria de artigos desportivos mostrou sua resiliência à luz de uma crise inacreditável»”, afirma Robbert de Kock, presidente e CEO da WFSGI, citado pelo Sourcing Journal. «Os players do sector encontraram formas de vencer no novo normal, chegando aos consumidores através de canais digitais, novos ou melhorados», acrescenta.

O relatório da WFSGI e McKinsey aponta oito tendências que devem moldar a indústria de artigos desportivos em 2021 e no futuro. A maior parte, referem, já estava a emergir antes da pandemia e os acontecimentos do ano passado simplesmente aceleraram o seu aparecimento e aumentaram seu impacto.

Athleisure

Uma tendência importante antes do Covid-19, o athleisure floresceu durante a pandemia e provavelmente continuará a prosperar. Mais de75% dos executivos industriais acreditam que o segmento deverá manter-se em alta e um terço considera o crescimento deste segmento foi acelerado pelo novo coronavírus.

Atividade física

O relatório também prevê mudanças significativas nos níveis de atividade física. Embora muito tenha sido dito sobre como os consumidores estão a tornar-se mais ativos – e, de facto, a WFSGI e a McKinsey indicam que 30% estão –, 40% das pessoas estão menos ativas, nomeadamente as famílias com rendimentos mais baixos.

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A atividade física, garantem, está muito associada ao rendimento: 46% dos grupos que ganhavam menos de 25 mil dólares (cerca de 21 mil euros) estiveram fisicamente inativos em 2019, em comparação com 19% dos grupos que ganhavam acima de 100 mil dólares. O Covid-19 exacerbou esta divisão, com 8% a 28% dos consumidores esperando que sua renda diminuísse por mais de um ano por causa do vírus.

Os inquiridos referem uma relação clara entre a atividade física e o próprio rendimento dos consumidores, já que 46% dos grupos que ganham menos de 25 mil dólares (aproximadamente 21 mil euros) estavam fisicamente menos ativos em 2019 em relação a 19% dos grupos com rendimentos superiores a 100 mil dólares. Com o aparecimento do vírus em 2020, esta divisão torna-se mais visível, com 8% a 28% dos consumidores a preverem uma diminuição de rendimentos.

Sustentabilidade

A pandemia também acelerou o movimento em direção a produtos sustentáveis. Dois terços dos consumidores consideram agora o uso de materiais sustentáveis ​​um fator determinante na tomada de decisões de compra, indicam a WFSGI e a McKinsey.

Movimento digital

Com a implementação de várias restrições como distanciamento social, que impediu os amantes de atividades desportivas de praticar exercício físico fora de casa, o digital foi a solução encontrada para manter os desportistas ativos e conectados. Esta alternativa ao exercício tradicional não será um substituto para as práticas desportivas habituais, mas sim uma forma de melhorá-las. Mais de metade, 53,6% dos membros de uma das maiores cadeias de ginásios dos EUA, revelam WFSGI e a McKinsey, planeia complementar a rotina de atividades físicas com aplicações pagas ou até mesmo gratuitas e transmissões live.

Comércio eletrónico

Com o encerramento dos espaços físicos por causa da pandemia, o comércio eletrónico foi a única solução para manter uma conexão direta com os consumidores. Do primeiro trimestre de 2019 até ao primeiro semestre de 2020, a participação online das maiores empresas de artigos desportivos triplicou e, com a mudança criada pelo confinamento, esta participação deverá estabilizar à volta dos 25% em 2021, admitem a WFSGI e a McKinsey.

Marketing

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O relatório também descobriu uma potencial mudança no marketing desportivo dos ativos com vasta visibilidade, como patrocínios de clubes, ligas ou eventos. Com os eventos despotivos cancelados, adiados ou disputados em estádios vazios, os players da indústria mudaram para influenciadores com maior alcance nas redes sociais. No futuro, 43% dos inquiridos esperaram que o marketing de artigos desportivos esteja menos ligado a grandes eventos desportivos, enquanto 29% pretendem manter essa ligação. 64% anteveem maior foco maior na publicidade digital.

Retalho físico

Com o confinamento a aumentar a pressão no retalho físico, a WFSGI e a McKinsey asseguram que o retalho precisa encontrar um novo propósito, novas experiências e novos níveis de conveniência, que não podem ser oferecidos digitalmente, para atrair os consumidores de volta. 45% dos inquiridos antecipam menos inaugurações de lojas no próximo ano, enquanto 7% preveem precisamente o contrário.

Cadeias de aprovisionamento

A WFSGI e a McKinsey reconhecem que cadeias de aprovisionamento mais ágeis se tornaram um recurso permanente nas agendas das empresas. Num mundo pós-Covid marcado por ciclos de procura mais curtos, comércio eletrónico e relações “direct-to-consumer” mais próximas, elas serão requisitos básicos em alguns mercados, afirmam. De acordo com a pesquisa, os executivos industriais partilham a mesma opinião, com 62% a referir considerar opções locais.