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A aposta verde da Raith

Na Raith a especialidade da casa serve-se em três pratos que privilegiam o verde. Oeko-tex, Ecolabel e Gots, são os certificados que tornam a empresa fundada por Joaquim Rodrigues um caso raro em Portugal, com uma relação de sustentabilidade ambiental tão limítrofe.

«Somos das poucas fábricas com as três certificações principais», garante Joaquim Rodrigues ao Portugal Têxtil, com a assertividade de quem conta mais de 30 anos de experiência no sector têxtil. «Fábricas certificadas com Gots em acabamento final há muito poucas em Portugal», acrescenta.

Dedicada ao desenvolvimento e produção de roupa de criança até aos três anos à base de algodão orgânico, a Raith agrega os serviços de corte, confeção e acabamento, com uma estrutura que emprega 40 colaboradores e que recorre também à subcontratação.

Joaquim Rodrigues revela ainda ter na sua lista de ingredientes os tecidos de bambu e de cânhamo, embora ressalve que poucos são os clientes que escolhem materiais desta natureza.

A Raith detém uma quota de exportação de 98%, mantendo-se fiel à trajetória inicial, cuja orientação sempre seguiu o rumo dos ventos externos. Os principais mercados da empresa encontram-se, essencialmente, na Europa, com foco em França, expandindo-se até ao Japão e Qatar.

A maioria dos tecidos provém de Itália e da França porque, como explica Joaquim Rodrigues, «são tecidos recomendados pelos clientes», cuja escolha e decisão fica à inteira responsabilidade dos mesmos.

O fundador da especialista em confeção aponta, ainda, a existência de alguns entraves na colaboração entre fornecedores nacionais de tecidos. «Temos problemas com os fabricantes portugueses porque não querem fazer amostras nem pouca metragem», afirma Joaquim Rodrigues, asseverando que aos fornecedores italianos e franceses «pedimos 5 metros para amostra e eles fazem de um dia para o outro e enviam. O português não, para o português é muito complicado fazer umas amostras». No entanto, o caso afigura-se no sentido oposto relativamente às malhas, adianta Joaquim Rodrigues, «nas malhas temos em Portugal que chegue e que sobre», admite.

Com uma experiência que soma já 15 anos de casa na Première Vision (ver Dois portugueses nos PV Awards), a Raith acaba de apresentar no certame parisiense as suas novas propostas.

Não desvalorizando a importância da participação em eventos internacionais, Joaquim Rodrigues confessa que a angariação de clientes na Raith resulta muito do «passa a palavra», partilhando que «tivemos aqui um contacto que veio da parte de um cliente já nosso e é quase garantido que vamos ficar com ele porque foi recomendado pelo nosso cliente».

A produtora de vestuário infantil tem uma capacidade produtiva mensal de 40 a 50 mil peças, tendo fechado 2016 acima dos 2 milhões de euros, o que representou um crescimento de cerca de 8% face ao ano anterior (ver Raith sabe crescer).