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A beleza dos wearables

As denominadas tecnologias usáveis começam finalmente a solucionar aquele que, até aqui, era considerado o seu calcanhar de Aquiles: a estética. Com o contributo de marcas como Kate Spade, Fitbit e Tapdo, os wearables podem agora deixar de ser um reduto de geeks, conquistar a comunidade moda e alcançar as massas.

Indicados, especialmente, para a atividade desportiva, os wearables têm falhado na conquista da comunidade moda – e das mulheres, de uma forma geral – pela sua baixa praticabilidade, indiscrição e estética questionável (ver O calcanhar de Aquiles dos wearables). Ainda assim, com a procura do consumidor em crescendo e o design a merecer uma atenção especial, o mercado da tecnologia wearable não tem parado de crescer.

Nos últimos anos, a feira de tecnologia CES tem sido uma espécie de barómetro das últimas tendências e inovações em tecnologia wearable – começando com a emoção em torno da pulseira Mica, fruto da parceria entre a Intel e a Opening Ceremony, em 2014, e continuando com a ascensão de marcas pioneiras como Misfit, Fitbit e Pebble, bem como com os grandes lançamentos de gigantes da tecnologia como a Samsung (ver Tecnologia abre as portas à moda). A recente edição de 2017, em Las Vegas, não foi exceção, noticia o WGSN.

Depois de cada edição da CES, multiplicam-se manchetes a questionar se algum dia a tecnologia wearable se tornará “usável”. Este ano, porém, as pulseiras e os relógios inteligentes silenciaram os críticos. No stand do Fossil Group, os produtos da Misfit, Kate Spade, Michael Kors e Skagen incluíam smartwatches trabalhados com couro e ouro e pulseiras em tecido.

A tecnologia wearable aproximou-se da moda e está também a ficar mais funcional. Os produtos atuais ​​têm uma carga de até seis meses, podem ser usados no banho e na prática de natação (mesmo na água do mar) e ainda analisar a biometria do utilizador.

Todavia, a emoção palpável em torno dos wearables esteve ausente da CES 2017. Além do novo smartwatch com ecrã tátil da Misfit, não houve grandes lançamentos.

Depois das grandes apresentações de hardware no ano passado, a Fitbit, por exemplo, focou-se na atualização do software – introduzindo uma “comunidade” e vídeos de treino personalizados.

Fora das grandes marcas, nos pequenos stands, o potencial da pulseira Tapdo – um dispositivo wifi que permite o controlo de várias apps em casa (como a música ou iluminação) através do toque com diferentes áreas da mão, que conquistou a atenção dos presentes – e o vestuário inteligente mereceram destaque.

A revolução foi substituída pela evolução: as mudanças são mais subtis – a febre inicial acalmou e, agora, a integração real da tecnologia pode, de facto, começar. De acordo com os portais da especialidade, talvez isto signifique ainda que o termo “wearable” possa cair em desuso e que a tecnologia se assuma uma espécie de padrão no vestuário e acessórios do futuro próximo.