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A casa é o novo domínio da Levi’s

A marca de jeanswear vai lançar a sua primeira coleção direcionada para a casa, com têxteis e artigos de decoração, mas também acessórios para os animais de estimação. A entrada neste segmento está a ser feita em parceria com a retalhista Target, numa altura em que a Levi Strauss procura aprofundar a sua ligação a parceiros e clientes.

[©Target]

Com cada vez mais marcas a entrarem no universo da casa, a Levi’s não quis ficar para trás e prepara-se para lançar uma coleção de edição limitada de artigos para o lar. O lançamento será a 28 de fevereiro e faz parte da parceria da especialista em vestuário denim com a retalhista Target, que começou há mais de uma década com a Denizen e se expandiu em 2019 com a introdução da Levi’s Red Tab nas lojas Target, que deverá estar em 500 lojas no outono.

A Levi’s for Target, como foi batizada, marca a primeira incursão da Levi’s neste segmento de produto e contempla, nesta primeira coleção, 100 peças que abrangem a casa como um todo, incluindo mantas, almofadas, tapetes e talheres, mas também artigos para animais de estimação. A ideia, refere o comunicado conjunto, é permitir que as pessoas «se sintam mais confortáveis numa altura em que passam mais tempo do que nunca em casa».

A coleção pretende ainda refletir os valores de sustentabilidade e design intemporal, com uma seleção de materiais, que inclui, por exemplo, vidro reciclado e matérias-primas com certificação Fair Trade e FSC Wood, focada na durabilidade.

«Estamos muito entusiasmados por apresentar a nossa coleção exclusiva para a casa com a Target», afirma Karyn Hillman, diretora de produto na Levi’s. «Imediatamente ligamos a nossa paixão mútua por design intemporal e com propósito, com sustentabilidade e qualidade no centro de tudo o que fazemos. Juntámos os melhores elementos das nossas duas marcas icónicas e descobrimos novas formas de criar produtos verdadeiramente únicos para serem usufruídos durante muitos anos», acrescenta.

Já Jill Sando, diretora de merchandising da Target, acredita que «através desta parceria, podemos oferecer uma coleção de artigos que as pessoas não conseguem encontrar em mais lado nenhum, com peças que exemplificam os valores e capacidades de design tanto das marcas Target como Levi’s».

Esta parceria da Levi’s surge após o anúncio da Wrangler, que também vai lançar uma coleção para a casa, em colaboração com a Pottery Barn, com roupa de cama, mobiliário e artigos de decoração, e do lançamento da coleção de acessórios para casa da Eileen Fisher, assim como da Mango.

Para além dos artigos para a casa, a Levi’s for Target inclui também os casacos Trucker e sleepwear.

Parcerias reforçadas

O reforço da parceria com a Target surge numa altura em que a Levi Strauss, que detém a Levi’s, a Dockers, a Denizen e a Signature By Levi Strauss & Co, está a desenvolver uma estratégia grossista mais agressiva nos EUA e na Europa. Nos EUA, as vendas por grosso representaram 30% do volume de negócios e, por isso, «vão sempre ser importantes», garante presidente e CEO da Levi Strauss & Co, Chip Bergh.

[©Target]
Novas redes de distribuição para as marcas são, por isso, a prioridade para o corrente ano. «Há uma enorme oportunidade no wholesale, sobretudo com as nossas marcas Signature by Levi Strauss & Co e Denizen, para oferecer aos nossos consumidores produtos sustentáveis de elevada qualidade a um ótimo preço», revela Kristy Castelluccio, vice-presidente de digital e eficácia de vendas nas Américas.

Para além do trabalho com grandes retalhistas, como a Target, a empresa está igualmente a estabelecer parcerias com clientes de menor dimensão. «O nosso objetivo é empoderar os nossos clientes para tornar mais fácil para eles entregar a nossa oferta», explica Scott Clarke-Bryan, vice-presidente de vendas por grosso na Europa.

Afetada pelo encerramento das lojas e pelo confinamento ditado pela pandemia, no ano fiscal de 2020, terminado a 29 de novembro, a Levi Strauss & Co registou um prejuízo de 127 milhões de dólares (cerca de 105,7 milhões de euros), comparativamente ao lucro de 395 milhões de dólares no ano anterior, com o volume de negócios a cair para 4,45 mil milhões de dólares, face aos 5,76 mil milhões de dólares de 2019.