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A condecoração da Riopele

A Riopele abriu as portas para a apresentação da sua mais recente marca, a Tenowa, no âmbito da realização de mais uma jornada do Roteiro pela Inovação de Vila Nova de Famalicão, promovida pelo município.

Foi com o propósito de celebrar os 90 anos de atividade e de «dar uma imagem de que estamos atentos aos novos desafios do sector da indústria têxtil» que a marca Tenowa surge no grupo, afirmou José Alexandre Oliveira, presidente da Riopele.

O conceito deste projeto diferencia-se pela forte componente ambiental inserida no paradigma da economia circular que visa a utilização de desperdícios industriais para a criação de novas matérias-primas e a incorporação de propriedades funcionais.

A base do processo parte da fabricação de tecidos sustentáveis a partir da reciclagem de subprodutos têxteis e nos quais são integrados, na fase de acabamento do tecido, tratamentos conferindo propriedades funcionais como a neutralização de odores, antimicrobiano, antioxidante ou toque melhorado, entre outras.

A Riopele contou com a colaboração da Universidade Católica, do Centi e do Citeve para ultrapassar os desafios que se propuseram ao longo destes dois anos de «investigação pura», como sublinhou Albertina Reis, diretora I&D da Riopele.

A dinâmica do projeto envolve a aplicação direta de desperdícios da indústria de carnes – através do pelo onde se extraí a queratina, da indústria láctea –, utilização do soro do leito extraído dos resíduos e da indústria da seda – onde é obtida a sericina retirada dos casulos do bicho da seda.

Ainda que o projeto tenha chegado ao fim do estádio definido, José Alexandre Oliveira garantiu que a Tenowa não terminou a sua fase de investigação e desenvolvimento, assegurando o investimento e a continuidade futura.

A primeira apresentação da marca ao público aconteceu no salão de tecidos Munich Fabric Start, em setembro, (ver 34+9 em Munique), que despertou particular interesse de mercados como o alemão e o nórdico, principalmente a Suécia.

No que diz respeito à fase de concretização do projeto, Albertina Reis explicou ao Portugal Têxtil que já foi possível identificar o tipo de fio produzido e preparam-se agora para a fase de desenvolvimento de tecidos. «Quanto à componente de acabamentos, há todo um outro processo», que se relaciona com a necessidade de se confirmar que as propriedades incorporadas no produto resistem à manutenção posterior da peça.

No entanto, as previsões apontam para que «dentro de meio ano já teremos efetivamente mais resultados, isto é um processo que continua», afirmou a diretora de I&D.

Paulo Cunha, presidente da Câmara Municipal de Famalicão, distinguiu o carácter inovador sempre associado à Riopele e elogiou a adoção de medidas ecológicas na perspetiva da eficiência de recursos, relacionada com a economia circular e da redução do impacto ambiental.

«Hoje vimos um caso muito concreto de uma iniciativa empresarial cujo objetivo é alargar, dentro do seu universo, da sua produção, a cada vez mais produtos esta metodologia. A utilização de um processo de produção que é mais do que amigo do ambiente, é amigo das gerações futuras porque está a reduzir a chamada pegada ecológica. O que significa que está a salvaguardar o direito ao futuro e isso é muito importante e as novas gerações, estou certo, que agradecem esta iniciativa», resumiu.