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A consistência da Gallery Shoes

A feira de calçado, que sobreviveu ao adiamento de vários eventos causados pela pandemia do novo coronavírus, conseguiu apresentar resultados «positivos» naquela que foi uma das edições mais «exigentes» de se cumprir e organizar.

Numa altura em que o surto de coronavírus ainda não apresentava um panorama evolutivo como o atual, Düsseldorf abriu portas à sexta edição da Gallery Shoes, feira alemã de calçado que decorreu de 8 a 10 de março e, ao invés de receber mais de 600 marcas e 400 expositores como as previsões faziam crer, ficou-se pelos 500 e 360, respetivamente. Apesar do declínio já previsto no número de visitantes profissionais, a organização dá conta, em comunicado, de uma «grande atividade» sentida no primeiro e segundo dia.

Com resultados, «melhores do que o esperado», a Igedo Company, que é responsável pela feira de calçado internacional, tomou as providências necessárias para que o evento aprovado pelo o departamento de saúde pública da cidade de Düsseldorf pudesse acontecer em condições seguras para todos os envolvidos. «Houve sempre bem menos do que mil pessoas em cada um dos oito halls.

Ulrike Kähler

Esse padrão estabelecido, que todos os visitantes conhecem e partilham connosco há mais de três anos, mesmo em edições regulares, foi o motivo por trás da nossa decisão final, em que tivemos sempre contacto frequente com as autoridades. Não somos, de maneira nenhuma, um evento de grande escala comparável às feiras organizadas pela Messe Düsseldorf ou às partidas de futebol», explica Ulrike Kähler, diretora-geral da Igedo Company.

Medidas de estabilidade

Numa abordagem «transparente» perante as preocupações de todos os participantes, a Gallery Shoes contactou os 70 expositores italianos e, em alguns casos, a decisão conjunta resultou na impossibilidade de marcar presença na feira. De acordo com a organização, em todo o espaço da Areal Böhler havia disponível desinfetante para as mãos, médicos, equipas de limpeza e ainda informações para garantir a «paz de espírito e estabilidade» de todos os visitantes. Brigitte Wischnewvski, presidente da Federal Association of the German Shoe Retail Trade (BDSE) confirmou que o sector do retalho não só mostrou uma forte presença como também não houve sinais de pânico.

À última da hora, a Igedo Company optou ainda por alterar a disposição dos halls de forma a contribuir para a segurança e motivação de todos. «Mudamos algumas marcas mais pequenas do “Halle Wasserturm” para locais privilegiados no “Alte Schmiedehallen”. Isso não deu apenas aos visitantes uma boa sensação, mas também resultou na atração de novos clientes e encomendas, o que foi uma surpresa positiva», afirma Ulrike Kähler.

«Para o futuro, só posso encorajar os retalhistas a planear mais de um dia aqui», destaca Brigitte Wischnewski, que salienta que a Gallery Shoes tem muito potencial para abranger marcas novas interessantes, bem como produtos inovadores.

Os eventos paralelos, como fóruns de debate, previsões para o segmento de retalho e os desfiles com as tendências para o outono-inverno 2020/2021 foram apontados como um «cenário maravilhoso» pela presidente da Federal Association of the German Shoe Retail Trade.

«Esta foi provavelmente a feira mais exigente da minha carreira até ao momento, mas do ponto de vista das parcerias, também foi muito valiosa. Afinal a Igedo Company tem sido sinónimo de consistência e colaboração há mais de 70 anos», conclui Ulrike Kähler.

A próxima edição tem já data marcada. De 30 de agosto a 1 de setembro de 2020, a Gallery Shoes estará de volta.