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A dança dos consumidores

Foi recentemente anunciado o encerramento de 40 lojas da Macy’s – e 4.800 postos de trabalho – já no arranque de 2016.

Estes encerramentos representam, provavelmente, apenas a ponta de um iceberg que vai mudar dramaticamente os centros comerciais tradicionais americanos de costa a costa, anteveem os analistas.

O Cincinnati Enquirer relatou, no fim-de-semana passado, que se as tendências continuarem, a Macy’s poderá cortar um quarto dos seus 800 espaços comerciais nos próximos anos. «Isso significaria fechar algumas centenas de lojas em vez de 40», observou o Enquirer.

Enquanto isso, o encerramento de outros grandes armazéns de classe média como a Sears e a JC Penney tem vindo a transformar-se em rotina e os shoppings, nos quais estas lojas são usadas ​​para “âncora”, vão mudando em conformidade. «Os centros comerciais já não precisam das grandes âncoras para direcionarem o seu tráfego», considera o analista de retalho Jeff Green, em declarações à Time, acrescentando que «há espaços comerciais que tradicionalmente tinham quatro lojas âncora e que agora têm apenas uma».

Em paralelo, também se tem assistido ao desfecho do período dos próprios armazéns. Keith Jelinek, diretor da FTI Consulting, revelou ao Philadelphia Inquirer que, há cerca de 15 anos, existiam cerca de 20 marcas de grandes armazéns que eram usadas para “âncora” nos centros comerciais americanos e que hoje existem apenas oito. A par disso, o analista antecipa «um mercado forte para fusões» no próximo ano.

As razões para as fusões, e para as dificuldades dos grandes armazéns de classe média em geral, estão bem documentadas. Para a maior parte, os grandes armazéns são considerados aborrecidos e ultrapassados em comparação com as outras opções existentes (ver O futuro dos grandes armazéns).

Essencialmente, a Sears, Macy’s e JC Penney estão a ser espremidas pela concorrência – isto é, a Amazon, que recentemente anunciou uma temporada de férias épica para as vendas; os outlets Ross Dress for Less e TJ Maxx; e as cadeias fast-fashion como a H&M e a Primark. A título de exemplo, esta última ocupa agora, no centro comercial King of Prussia, nos arredores da Filadélfia, um espaço que outrora pertenceu à Sears.

Os grandes armazéns estão a responder aos concorrentes com o lançamento de lojas de retalho próprias e preços mais baixos, alavancando também as suas vendas online. No entanto, a pressão sentida pela Macy’s e seus pares não pode ser atribuída apenas aos baixos preços das retalhistas. O “boom” dos shoppings de primeira linha (ver Espaço de mudança) que albergam gigantes do luxo como a Nordstrom e lojas como a Louis Vuitton também estão a contribuir para o declínio destas alternativas tradicionais.

No geral, hoje, a classe média procura por opções mais “trendy” e renovadas do que aquelas que a Macy’s ou a JC Penney têm para oferecer e a Amazon, H&M ou Nordstrom propõem alternativas mais emocionantes e experiências de compras mais atraentes.